quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MUSIC DON'T STOP - Resenhas do Farrazine

Elvis PresleyAinda há espaço para o rei?

Muito já foi dito sobre Elvis e é indiscutível sua importância para a história da música ocidental. Sabemos de sua enorme influência sobre o rock como o conhecemos hoje, além de seus diversos e elogiados trabalhos com a música country e gospel. Mas nem todos sabem como e, mais importante, por que Elvis recebeu o “título” de rei do rock ‘n’ roll.

Nos anos 50, início da carreira do artista, ainda não se havia estabelecido um gênero chamado rock ‘n’ roll. De fato, o que existia era o já popular R&B e a música country, que fundidos tornaram-se o famoso “rockabilly”, o rock caipira, gênero musical no qual se enquadram vários dos primeiros sucessos do rei, como;

That’s all right”,


 “Blue Moon of Kentucky”,
 

Memphis, Tennessee”,


entre outros...
No entanto, Elvis estava longe de ser o único, e ouso dizer, longe de ser o melhor cantor de rockabilly da época. O que o diferenciava, porém, de artistas brancos como Pat Boone e Bill Haley era o “ato de rebeldia” realizado em quase todos os seus primeiros shows. Não, Elvis não arrebentou guitarras no palco (vide The Who), não ateou fogo a pianos (vide Jerry Lee Lewis), nem afirmou ser mais popular que Jesus Cristo (vide Beatles).

Elvis.....rebolou.












E é aqui que os fãs me atiram pedras, enviam cartas de ódio a minha casa e ameaçam me esfaquear enquanto durmo. Mas é a verdade, senhoras e senhores: Elvis virou o rei porque ele rebolou.

Algo tão inocente, especialmente quando nos deparamos com a música brasileira hoje e seus “performers”, como dançar enquanto cantava, fez com que o rei se destacasse entre os demais. Lembremos que a sociedade norte-americana do momento (e vamos ser honestos, também o resto do mundo seguindo seus moldes) era um tanto conservadora e extremamente puritana (como o é até hoje, ainda que se tente provar o contrário). Um jovem branco cantando e, principalmente, dançando como negro era certeza de corrupção da juventude. E corrupção implica em “algo que você não deveria estar fazendo”, portanto “proibido”, o que nos leva àquilo que os jovens mais idolatram nesse universo: a oposição.
Opondo-se à música ouvida por seus pais e às regras de comportamento, os jovens brancos norte-americanos puderam se distanciar mais e mais dos valores de então. Assim, algo tão banal como mexer os quadris fez com que Elvis se tornasse a voz daquela geração, representando a necessidade de busca pelo novo.
Mas quando nos encontramos em pleno século 21, o novo milênio à beira de completar uma década, bem, nada disso parece importar. É como se não houvesse nada poderoso o bastante para chocar e, assim, mobilizar a juventude. Como pode algo tão “arcaico” quanto à simples... música competir com o Playstation, por exemplo? Essa é minha pergunta.

E, pelo amor de Deus, isso não quer dizer que eu tenha alguma coisa contra o Playstation, longe de mim! A questão é: quem, com menos de 20 anos e em são consciência, quer ouvir Elvis Presley cantando seu rock caipira?

Pode uma canção como “Heartbreak Hotel” causar algum impacto hoje em dia? Ou mesmo a brega e ainda assim inesquecível “It’s now or never”? É quase impossível dizer. Eu poderia falar mais sobre Elvis, falar sobre sua carreira militar e seus trezentos e vinte e sete filmes havaianos. Eu poderia. Mas não vou. O Google pode fornecer essas informações. O que o Google pode não te dizer (talvez ele possa, mas não é provável) é que Elvis é único pela sua versatilidade imutável.

Como é que é? Explico.

A carreira do rei teve altos e baixos, suas músicas oscilaram do sexy R&B às baladinhas ingênuas, ao rock propriamente dito e até aos boleros pavorosos. No entanto, o artista sempre manteve o carisma inigualável em sua performance, seja e, gravações ou lives.

Há algo nas músicas desempenhadas por Elvis que podemos classificar como “sentimentalismo honesto” (favor não confundir com emo). O grande problema é que, na modernidade (sinônimo de praticidade), isso é ridículo, é simplesmente patético ser romântico (o que explica o ódio aos emos). Meu Deus! Como alguém é capaz de ligar Elvis aos emos? Sem pânico. Não há ligação direta. A diferença está na honestidade das letras, que combinadas à magnífica voz de Elvis (explorada e trabalhada em todo seu potencial apenas a partir de 1968), fizeram desse artista um ícone.
Falta honestidade na música pop hoje. Por essa razão, seria muito interessante se os jovens voltassem sua atenção, não só a Elvis, mas também aos seus contemporâneos, como Johnny Cash, Chuck Berry, e até mesmo o ótimo Hank Williams, pioneiro da música country e grande influência no estilo do rei. Talvez esses talentos notáveis possam trazer alguma espécie de impacto positivo sobre os adolescentes, nem que seja apenas no sentido de levá-los a perceber o poder de transformação da boa música. Gosto de pensar que, rebolados à parte, esse foi (e, se não permitirmos que morra) sempre será o verdadeiro legado do Sr. Elvis Aaron Presley.

Texto escrito por Jaqueline Scognamiglio para o Farrazine #10

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