sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FARRAZINE # 25

Está no ar a 25ª edição do FARRAZINE em clima de festa. Comemoramos 4 anos de atividades trazendo para nossos leitores conteúdo de primeira linha.

Estivemos presentes no FiQ! com o nosso representante Marden Herbert que contou o que viu por lá.
Também dando suas impressões sobre o FiQ! (inclusive como expositor) temos a participação de Beto Potyguara e seu Diário de um FiQuante. Beto aproveitou a oportunidade e conversou com o ilustrador Gilmar, que nos cedeu uma bela entrevista.
Seguindo a mesma linha, nossa caríssima Paloma Diniz também participou em dose dupla, com a cobertura do 5º HQPB e entrevistando o arte-finalista Jonas Trindade.
A HQ “Cidade Nua” chega ao seu final apoteótico, com roteiro de Rafael Martins e arte de Bruno Romero e trazemos uma HQ inédita de F. Salathiel Anacleto: “Noite Macabra”.
Rafael Páros desvenda as nuances dos Games Indies e Fernando Schittini mergulha no abismo de Slayer; Pablo Grilo traz as terceira e quarta partes do conto “Buraco Negro”; Rafael Machado (Hiro) nos apresenta a doçura de “A Menina que Fazia Cookies”; temos “A Alegria de Monsieur Lampanard” nas palavras de Rita Maria Félix e a despedida (ou até logo, vai saber) do nosso editor, Caio Cesar (Kio), no Editorial.
Aproveitem, entre ceias natalinas e champanhes da virada, nossa edição comemorativa e tenham todos um ótimo 2012.

Lançamento: 23.12.2011 – 92 páginas

Baixe no Mediafire: .rar
.pdf .pdf c/ links

Adeus... ou até logo, vai saber



Após quatro anos de existência do zine (com 25 edições e 2 Especiais de Natal) anuncio o meu desligamento da função de Editor.
Desempenhando esta função desde o início, tive o privilégio de ter em mãos muito material de qualidade, cujos autores depositaram a confiança de que seriam tratados com o devido cuidado. Conheci (ainda que apenas virtualmente) muita gente talentosa e prestativa, pessoas que teria a honra de tornar parte de meu dia a dia “real”, se assim a distância geográfica permitisse.
Não sou muito bom em despedidas, tampouco sou de falar muito, mas quero que aqueles que participaram do zine, direta ou indiretamente, saibam que sou muito grato por tudo que fizeram.
Independentemente da quantidade de participações, todos são importantes para mim e para a história do FARRAZINE.
Muito obrigado e adeus... ou até logo, vai saber.

O próximo post é do lançamento da edição # 25, aguardem.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

HIPSTER HITLER!


RESENHAS GONZO!

Começando com uma HQ on-line: Hipster Hitler!


Descobri este site nas minhas andanças pelo cyberespaço. Esta webcomic, criada pelos misteriosos “JO” e “APK”, mostra uma hipótese bizarra: e se Hitler também tivesse se identificado com o movimento Hipster? E se ele agora usasse óculos de aros grossos, camisetas com frases jocosas, usasse franjinha estáile (ops, mas isso ele JÁ usava!), se tornasse um ecochato (isso ele também era…), tivesse alma artística (oh, isso ele TAMBÉM tinha!) e se ligasse no movimento “underground”?
O resultado é um pós-adolescente autocrático, que anda de bicicleta para economizar gasolina, curte arte de vanguarda (que, curiosamente, faz referências à épocas posteriores à década de 40), abomina a celebridade, escreve haikus e se preocupa excessivamente com a estética do movimento nazista. E o mais curioso é que quase chega a fazer sentido!
Desde jovem, Adolf Hitler sempre pensou diferente dos demais. Tinha grandes pretensões artísticas, estava longe de ser um conformista, era vegetariano e a favor do direito dos animais – ideais bastante avançados para a época. Era um orador performático e um ator inato e carismático. Sim, era um racista motherfucker, e curiosamente o anti-semitismo era a coisa mais “parecida com os outros” que ele tinha – não podemos nos esquecer que o ódio aos judeus não era exclusividade da Alemanha naqueles tempos. O apelo estético também era muito importante para Hitler – assim como o é para os Indies de hoje (aliás, o documentário ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO, de 1992, nos fala bastante deste lado mais “artístico” do nazismo).
Explorando estas pequenas brechas, as piadas hipsterescas parecem cair quase perfeitamente com a personalidade do Führer original, o que chega a ser assustador!
O site tem causado um grande burburinho net afora, também pudera! Estamos falando do homem mais conhecido do mundo – e também o mais odiado. Alguma notoriedade haveria de acontecer bem depressa. E os autores, que não são bobos nem nada, estão começando a lucrar com isso. Primeiramente, com a venda das curiosas camisetas que Hitler usa na webcomic – todas com uma frase irônica que mistura nazismo com cultura “underground” e roqueira.
O site existe desde agosto de 2010 e conta com cerca de 30 historietas de uma página. O traço do autor é simplório, provavelmente feito com imagens de fotos contornadas, mas quem se importa?! É bom o suficiente para ilustrar o Hitler mais carismático que eu já vi (por mais errado que isso seja!), com direito a expressões e poses que o retratam como um indiezinho afetado perfeito!
Você pode ver as HQs desde o começo acessando o site hipsterhitler.com. Estão todas em inglês e algumas coisas engraçadinhas em alemão. Conhecer um pouco de História ajuda na hora de entender algumas piadas, então faça seu dever de casa! Não será difícil, uma vez que o que mais andam pipocando pelas bancas por aí são revistas de História – mais especificamente falando sobre a Segunda Guerra Mundial.
Vale a pena conferir! E, quem sabe, isto não seja o começo de uma onda de camisetas do Hitler… tal qual as do Mussum e do Seu Madruga!

Texto publicado no Farrazine #20 que você pode baixar aqui ou ler online mesmo aqui

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Resenhas do Farrazine



    OS 75 ANOS DA DC COMICS
    A editora de quadrinhos mais tradicional do mundo comemora 3 quartos de século. O que você sabe sobre ela?


    O selo “DC 75 anos” nas capas das revistas da editora Panini no Brasil pode ter pego muitos leitores de surpresa. Afinal, não faz três anos, em 2008, a própria Panini comemorou “Os 70 anos da DC”. Como é possível três anos depois a editora já ter 75?
    A mancada foi da editora ítalo-brasileira. Erroneamente, muita gente acredita que a DC tenha começado com a Action Comics nº 01, de junho de 1938. Mas a empresa começou a ser formada de fato no ano de 1934, tendo sua primeira publicação em 1935, data que é considerada oficialmente pela empresa como o nascimento oficial da editora. Assim, agora em 2010 é que se darão as comemorações dos 75 anos, tendo sido anunciada uma mini-série sobre as várias gerações de heróis da editora, uma edição pra falar de cada década, e um encadernado de luxo com as primeiras edições da “More Fun Comics”, a primeira revista da editora.
    A DC é o resultado da fusão de várias empresas, e assim continua até os dias de hoje. A história começa com um major que resolveu editar histórias em quadrinhos, Malcolm Wheeler-Nicholson. Os primeiros gibis começaram a aparecer nos anos 30, como compilações das tiras de quadrinhos publicadas nos jornais. Logo o material de republicação acabou, e Wheeler foi pioneiro na idéia de produzir material inédito para os gibis.
    Para isso ele fundou a National Allied Publications e começou a procurar autores que produzissem histórias em quadrinhos a um preço barato. Como a “nata” dos profissionais já estava bem empregada nos jornais, o que sobrava era gente com projetos rejeitados pelos diários, ou seja, em geral material de baixíssima qualidade.
    A primeira revista da editora seria a “FUN” (Diversão), cuja principal atração eram histórias de humor estreladas por animais e meninos peraltas, que era o gênero que mais fazia sucesso nos jornais da época. Desde o princípio estava claro para o editor que seu público alvo eram as crianças e por muito tempo a linha editorial foi com esse viés.
    Para imprimir a revista, o Major procurou alguém que “fizesse fiado” para ele. Encontrou oportunidade com Harry Donenfeld, que já participara de todo tipo de golpe na juventude, inclusive traficar bebida ilegal, e havia sossegado o facho imprimindo revistas pornográficas e pulp magazines de conteúdo erótico. Donenfeld, que dizem as más línguas também era agiota, aceitou o acordo, e o Major não percebia que futuramente isso seria a causa da sua ruína.
    Além da FUN, outra revista que o Major criou foi a New Comics, também em 1935. Em poucas edições a Fun começou a diversificar seu leque de atrações, e publicar também histórias de detetives, pirataria e aventura. Na edição número 06, começaram a aparecer as histórias do “Doutor Oculto”, um material que o Major comprara de uma dupla de Cleveland, Jerry Siegel e Joe Shuster. Exatamente, você sabe quem eles são...
    O Doutor Oculto era inicialmente um mágico/detetive, mas não foi exatamente um sucesso, embora não fosse rejeitado pelos leitores. Ele foi publicado na revista até 1938 até que seus criadores se vissem ocupados com outra série... Nessa altura, a Fun já se chamava “More Fun Comics”.
    As histórias de detetive estavam fazendo sucesso devido principalmente as pulp-magazines, - revistas de literatura barata - e o Major resolveu criar sua primeira revista temática, com histórias sobre crime, a Detective Comics. No entanto, o esperto Harry Donenfeld, de olhos nas boas vendas da More Fun Comics e da New Comics, disse que só imprimiria “a crédito” a nova revista se eles fizessem uma parceria, ou seja, criassem uma nova editora para editar o gibi.
    Assim nasceu a Detective Comics Inc. Devido aos rolos de Harry na justiça americana, ele colocou como seu testa de ferro o contador e amigo Jack Liebowitz. Liebowitz era uma fera nos números, e através dos anos ia provar ao major que suas revistas estavam dando prejuízo, apesar de estar dando lucro, e que o Superman custava tanto para publicá-lo quanto os milhões que arrecadava para os seus ingênuos criadores.
    Detective Comics começou a ser publicada em dezembro de 1936. Entre suas primeiras atrações estão os detetives Slam Bradley, também criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, e as aventuras de Speed Saunders, de Fred Guardiner (o criador do mago Zatara). A revista também traria a série Spy, de Siegel & Shuster, e o “Vingador Escarlate”, atualmente considerado “o primeiro vigilante mascarado” na atual continuidade do universo DC.
    Por causa das dívidas do Major com a gráfica de Donenfeld, em um ano, ele teve que ceder sua parte para o agiota. Assim, não teve a sorte de ver o que seu novo projeto, a revista Action Comics, se tornaria. O editor Vin Sullivan assumiu a publicação, a mando de Donenfeld e Liebowitz, e entre as várias historietas selecionadas, estava uma que se chamava “Superman”, daquela dupla de Cleveland que tantas séries já faziam para os editores.
    Action Comics 01 deu início a “Era de Ouro dos quadrinhos”. Nunca se vendeu tanto gibi como naquela época. As tiragens eram de milhões de exemplares. Demorou um pouquinho pros editores se tocarem que a causa era o Superman, o primeiro “super-herói”, um sujeito com super-poderes fantásticos que combatia o crime numa roupa espalhafatosa.
    Logo todos os editores queriam o “próximo Superman”. O mais forte candidato apareceu em 1939, no número 27 da Detective Comics: The Bat-Man (com hífen mesmo, que logo cairia em desuso). No mesmo ano apareceu O Sandman, na revista New Comics que passou a se chamar “New Adventures Comics”, que marcava sua transição de histórias de humor para histórias de aventura (principalmente com super-heróis).

   A ALL-AMERICAN COMICS E A SOCIEDADE DA JUSTIÇA

    No oba-oba do Superman, várias novas editoras pipocaram nos Estados Unidos, em busca do dinheiro fácil. Os artistas eram mal-pagos, os gibis baratos vendiam aos milhões, era lucro certo para editores audaciosos e caras-de-pau. Max Gaines pode ser creditado com o inventor da revista em quadrinhos, já que ele tinha tido a idéia, em 1935, de dobrar uma página de jornal em quatro e imprimir em cores, criando assim o formato.
    Sem muita grana, mas com energia ambiciosa, ele não só contratou artistas que pagaria quando o material fosse publicado, como buscou uma gráfica onde pudesse “fazer fiado”, ou seja, a do nosso amigo picareta Harry Donenfeld. Harry topou, com a condição que a nova editora tivesse como sócio o seu amigo Jack Liebowitz, já que na Detective Comics Inc ele era apenas um laranja.
    Max topou e assim nasceu a All American Publications. Pra se ter uma idéia da importância dessa “pequena editora”, em janeiro de 1940 eles lançaram o gibi “Flash Comics”, que além de logicamente trazer a primeira história do “homem mais rápido do mundo”, também apresentou ao mundo super-heróis como o Gavião Negro e Johnny Trovoada.
    Ma a primeira revista da editora foi a All American Comics, que inicialmente tinha como seu carro chefe a popular tira de quadrinhos dos jornais Mutt & Jeff. Mas isso durou pouco. Afinal os super-heróis haviam chegado pra ficar. No número 16, em 1940, apareceu a primeira história do LANTERNA VERDE. E não parou por aí.
    All American Comics, assim como todas as revistas da época, tinha 64 páginas, ou seja, espaço pra muitas histórias em quadrinhos. Assim, a revista também apresentou ao mundo histórias do Átomo, Tornado Vermelho, Doutor Meia-Noite e Sargon, o Feiticeiro.
    Embalados no sucesso, Max Gaines e Liebowitz, criaram a “All Star Comics”, que era uma antologia trazendo personagens tanto da editora All American Comics (Lanterna verde, Flash, Atomo, Gavião Negro), quanto da Detective Inc (Sandman, Homem-Hora, Espectro). A coisa mudou de figura no número 03, quando o editor Sheldon Mayer e o escritor Gardner Fox tiveram a idéia de reunir os personagens num time, a primeira super-equipe das histórias em quadrinhos, a Sociedade da Justiça da América!
    Em 1941 apareceu mais uma revista digna de nota, a Sensational Comics, já que seu carro-chefe era senão a primeira super-heroína dos quadrinhos, pelo menos a mais popular que os gibis já tiveram, a Mulher-Maravilha.
    Assim, a All-American Publications se tornou a segunda maior editora de quadrinhos dos Estados Unidos, ficando atrás apenas da Detective Inc, pois afinal eles eram os donos de Superman e Batman, os maiores sucessos da época. E quem imprimia o material das duas editoras era Harry Donenfeld, que enchia as burras de dinheiro.
    Em 1944, por causa das brigas e constante tensão interna entre o editor Max Gaines e a dupla Harry Donenfeld e Jack Liebowitz, Gaines resolveu enfim ceder e vender sua parte para Harry.
    Com a fusão das duas empresas, Detective Comics Inc e All-American Publications, nascia a National Periodical Publications, nome que a empresa teria por mais de duas décadas.
    A NATIONAL COMICS E A ERA DE PRATA

    No final dos anos 40, os super-heróis perderam a popularidade e as revistas em que eles figuravam foram canceladas ou mudavam de nome, para trazerem novas atrações com histórias de faroeste, ficção científica e suspense.
    A All-American Comics se tornou a “All American Western”, a All-Star Comics se tornou a “All-Star Western” e assim por diante.
    Apenas Superman, Batman e Mulher-Maravilha continuavam sendo publicados durante os anos 50, o que alguns chamam de “Era das trevas” dos quadrinhos, e não sem algum dano. As revistas diminuíram o numero de paginas para poderem continuar a serem vendidas por 10 cents, e passaram de 64 páginas gradualmente para 32 páginas. Algumas também passaram a ser bimestrais, porque não davam conta de se manter mensalmente, já que eram “doses duplas” do mesmo herói. Superman aparecia em Action Comics e Superman, de forma que muitos leitores não se dispunham a comprar duas revistas por mês do mesmo personagem. A solução foi implementar um “rodízio”, com uma saindo a cada mês alternado.
    A maré começou a virar em meados em 1956 quando a National contratou um editor egresso de revistas de ficção científica, que na época já haviam conhecido sua decadência, Jullius Schwartz. O editor trouxe muitos autores dessas publicações que conheciam seu cancelamento para escrever gibis, como Gardner Fox, John Broome, Arnold Drake e Robert Kaningher, entre outros.
    Devido as imposições do código de censura dos quadrinhos, a era dos gibis de terror havia acabado, e não se podia nem ver uma gota de sangue num gibi de faroeste ou de guerra. Talvez isso tenha aberto espaço para os super-heróis voltarem, no que se chamou doravante de “Era de Prata” dos quadrinhos.
    O ponta-pé inicial da Era de Prata foi a revista Showcase, uma “publicação-laboratório”, onde seriam apresentados novos personagens, e conforme a aceitação dos leitores, estes ganhariam suas próprias revistas. No número 04, Schwartz relançou o Flash, mas com novo uniforme, e nova identidade secreta, o detetive da polícia Barry Allen.
    As aventuras voltadas para ficção científica agradaram, e em breve o Flash voltaria a ter revista própria, a partir do número 105, exatamente onde a antiga revista havia parado nos anos 40.
    Além de remodelar antigos personagens, Showcase também apresentou novos, principalmente voltados a ficção científica, como Os Desafiadores do Desconhecido, Ranger do Espaço, Rip Hunter, Demônios do Mar, Homens Metálicos, entre outros de menor sucesso.
    Em 1959 foi a vez do Lanterna Verde ser relançado, agora como o piloto de testes HAL JORDAN, membro de uma polícia intergaláctica chamada “Tropa dos Lanternas Verdes”. Jordan também em breve ganhou sua própria revista, mas a partir do número 01. Outro personagem reinventado na Showcase foi o Átomo, que no Brasil ganhou até novo nome, Elektron.
    Outra publicação criada por Julius foi a Brave and the bold, onde debutaram personagens como o Esquadrão Suicida, Sexteto Secreto, Metamorfo, e a versão da era de prata do Gavião Negro. A revista logo foi remodelada para apresentar “parcerias” entre heróis da editora. A maior das parcerias foi entre os sete personagens da editora: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman e os novatos Lanterna verde, Caçador de Marte e Flash. Assim surgiu a Liga da Justiça da América, que em 1960 ganharia seu próprio gibi.
    Durante a década de 60 a Liga foi o gibi mais vendido dos Estados Unidos, até ser suplantado por uma revista de uma pequena editora que viria a se tornar uma grande concorrente, a Marvel Comics, através do Homem-Aranha.
    Mas antes do seu reinado ser ameaçado (e roubado) por Stan Lee & Cia, a National continuou sendo a editora que mais revista vendia nas décadas de 60. O Superman desfrutou uma renovação com a liderança do editor Mort Weisinger. Batman e Mulher-maravilha ganharam séries de TV que aqueceram as vendas de suas revistas. E antigos heróis como Aquaman e Arqueiro Verde voltaram, com abordagens mais humanizadas.
    Mas não foi só eles que tiveram sua chance de retornar. Numa das edições da revista Flash, o personagem da era de ouro, Jay Garrick, encontra sua contraparte da Era de Prata, Barry Allen. Como na Showcase havia sido estabelecido que o Flash original era um gibi de ficção no mundo de Barry Allen, a solução foi dizer que Jay vivia num mundo paralelo.
    E assim todos aqueles personagens da Era de Ouro podiam viver nessa “Terra 2”. Não tardou para que no gibi da Liga da Justiça a antiga Sociedade da Justiça ressurgisse. Com efeito, os encontros entre Liga e Sociedade se tornaram uma atração especial, publicadas durante todo o verão americano.


    A ERA DE BRONZE E O SURGIMENTO DA DC COMICS

    Durante os anos 60, uma pequena editora que publicava gibis de fantasia e ficção cientifica, a Atlas Comics, também começou a publicar super-heróis, animada com o sucesso de vendas da Liga da Justiça e da linha Superman. O principal trunfo era o editor e escritor Stan Lee, que em parceria com os desenhistas Jack Kirby, Steve Ditko, Dick Ayers e Don Heck, apresentaria ao mundo novos super-heróis: Quarteto Fantástico, Hulk, Thor, Homem-Formiga, Homem-Aranha, Homem-De-Ferro, X-Men e Doutor Estranho. Até uma equipe de super-heróis nos moldes da Liga foi criada, os Vingadores.
    Esses gibis vendiam bem, mas apenas nos anos 70 a Marvel se tornou de fato a maior editora dos Estados Unidos. Isso porque a National Periodcs tinha mais publicações. E mesmo nos anos 70 podemos dizer que houve um “equilíbrio” entre as duas editoras, onde a primazia foi disputada pau-a-pau.
    A chamada “Era de bronze” foi conhecida como “o período onde os super-heróis começaram a perder a inocência”. Como sinal dos tempos, o ponta-pé inicial não era mais um gibi da DC, mas sim um da Marvel, a morte de Gwen Stacy na revista do Homem-Aranha. Aquilo era uma espécie de manifesto: ninguém estava a salvo. Até a namorada do herói poderia morrer de forma trágica.
    Sentindo o terreno ceder, o editor Julius Schwartz começou novamente a renovar a editora, contratando novos artistas e pedindo para eles “modernizar” mais uma vez os heróis, principalmente no aspecto humano, o grande truque da concorrência para cativar os leitores.
    Entre os novos talentos estavam dois jovens liberais, Dennis O’Neil e Neal Adams, que começaram a chamar a atenção separadamente, até formarem uma dupla. Juntos eles devolveram ao Batman o tom sinistro e sombrio das suas histórias, e também inseriram a discussão de problemas sociais nas HQs de super-heróis na revista Lanterna Verde/Arqueiro Verde.
    Foi justamente nessa época que a National mudou de nome mais uma vez, e para aquele que é mais conhecido, a DC Comics.
    A mudança aconteceu quando a editora foi comprada pela multinacional de entretenimento, o grupo Time-Life-Warner (eles ainda não se chamava Aol Time Warner, como nos dias de hoje). A fusão garantiu uma bela bolada para Harry Donenfeld, cujo um acidente o afastou definitivamente dos negócios. Já Jack Liebotwitz ganhou um assento na poderosa multinacional, e trabalhou praticamente até os últimos momentos da sua longa vida, aos 100 anos.
    A National assim se tornava a divisão de quadrinhos oficial da Warner, e passaria a publicar gibis dos seus personagens, como a linha Looney Toones por exemplo (a turma do Perna-longa) e Hanna-Barbera (Scooby-Doo, Flinstones, etc). Como a empresa National havia deixado de existir, resolveu se batizar a nova divisão de quadrinhos como DC COMICS, em homenagem ao nome original Detective Comics Inc, já que as revistas da National traziam na capa desde sempre um selo com os dizerem “uma publicação DC”, para que os leitores mais desavisados nos anos 40 que dessem falta pela Detective Comics Inc, vissem que a editora havia apenas mudado de nome.
    O principal impulso que a nova era da “DC Comics” teve foi num maior envolvimento dos seus personagens em outras mídias, como o cinema e a televisão. Um desenho animado chamado “Super-Amigos” reunia os mais populares super-heróis, assim como Batman ganhou nova animação dos estúdios Hanna-Barbera.
    Mas foi o filme SUPERMAN, de 1978, que fez o mais lucrativo personagem da editora (até então) brilhar como nunca.

    CRISE, REFORMULAÇÃO E OUSADIA NOS ANOS 80

    Mesmo o sucesso cinematográfico da franquia do Superman não foi suficiente para conter o cansaço dos seus personagens diante dos modernos e ousados super-heróis da concorrência.
    Na segunda metade dos anos 70, a Marvel conheceu um novo período de renovação, quando Chris Clarement e John Byrne pegaram um obscuro gibi chamado X-Men e o transformaram num sucesso de vendas. Em 1979 outro obscuro gibi, Daredevil (no Brasil, Demolidor) também começou a forçar os limites éticos dos super-heróis e ganhar simpatia dos leitores.
    A grande sacada dessa geração de autores, representada por Claremont, Byrne, Miller, Roger Stern, David Micheline e JM DeMatteis, foi perceber que os leitores de super-heróis estavam crescendo, mas não estavam abandonando os gibis. Se eles tornassem as histórias mais “maduras” poderiam manter essa audiência e ganhar essa respeitabilidade.
    Quem comandou a ascensão da Marvel nos anos 80 foi o editor Jim Shooter, tido por muitos como irascível e ditador, mas a verdade é que Shooter exigia o máximo dos seus criadores, e não tinha pudor de interferir numa história se achasse necessário. Foi dele a decisão de matar a Fênix e de mudar o uniforme do Homem-Aranha.
    Vendo as vendas despencarem, a direção da DC Comics viu que era hora de renovar os seus heróis e fazê-los “mais maduros” também. O ponto de partida seria um evento onde o “antigo universo” era destruído. A história seria uma maxi-série de doze edições, produzida pela dupla mais popular da editora, Marv Wolfman e George Pérez, que faziam o único gibi da DC que concorria em pé de igualdade com os X-Men da Marvel, os Novos Titãs, estrelada por ex-parceiros mirins dos super-heróis da casa.
    O nome da maxi-série foi “Crise nas Infinitas Terras” e ela foi lançada em 1985 de forma a comemorar também os 50 anos da editora. Sem muitos impedimentos editorias, o editor Len Wein e o escritor Marv Wolfman puderam fazer as barbaridades que quisessem na revista, promovendo um verdadeiro “genocídio” de personagens.
    As mortes de super-heróis e super-vilões chamaram a atenção dos leitores que corresponderam as vendas. Mas isso foi apenas o começo. No final da saga, todas as terras paralelas, surgidas naquele gibi do Flash em 1960, se fundiam numa única, de forma a facilitar a continuidade do universo nascente.
    Era um novo universo DC. As histórias do Superman e da Mulher-maravilha foram APAGADAS da cronologia, o que gerou bastante polêmica entre os fãs antigos, que acompanhavam aquelas aventuras há anos. Como as histórias do Batman vendiam melhor, decidiu-se que elas não seriam inteiramente apagadas, mas algumas valeriam pra continuidade, outras não – o que inicialmente também gerou confusão.
    Apesar disso, o relançamento desses heróis através de novas histórias de origem foi um sucesso comercial, e também representou um nascimento de vendas. Afinal a DC Comics resolveu contratar a turma da concorrência para recriar seus personagens.
    JOHN BYRNE, que havia brigado com o editor Jim Shooter, assumiu com alegria as histórias do Superman, onde ficou por três anos. FRANK MILLER já havia trabalhado para a DC Comics produzindo as mini-séries de sucesso RONIN e o Best-Seller O CAVALEIRO DAS TREVAS (onde descrevia um provável futuro do Batman), e era o nome mais lógico para produzir BATMAN: ANO UM. Por fim, GEORGE PÉREZ, já prata da casa, recriou a MULHER-MARAVILHA.
    O Flash foi renovado, mas agora como Wally West, o antigo Kid-Flash, discípulo de Barry Allen. O escritor era Myke Baron, que trabalhava também para a Marvel. E o gibi da Liga da Justiça foi relançado como uma publicação voltada como uma sátira humorística as histórias de super-grupos, sob o comando de Keith Giffen (que era prata da casa) e JM DeMatteis (também egresso da Marvel).
    Os anos 80 começaram a marcar o período em que a DC Comics não era mais a maior editora dos Estados Unidos, mas podia ser considerada a melhor. A presidente Janet Khan, e a editora Karen Berger iniciaram uma era de “liberdade editorial”. Com mais espaço para ousar, autores como ALAN MOORE produziram para a editora clássicos como Monstro do Pântano, V de Vingança e Watchmen para a editora.
    A DC Comics assim começava a ficar com a maioria dos prêmios de excelência dos quadrinhos, embora não abocanhasse as vendas.
    A EXPANSÃO ATRAVÉS DA VERTIGO E WILDSTORM



    Nos anos 90 a presidência passou para o comando de PAUL LEVITZ, um sujeito que começou a trabalhar na empresa nos anos 50, aos 16 anos de idade, escrevendo histórias da Legião dos Super-Heróis. Levitz era um “fanboy”. Um garoto que começou como fã da editora e foi trabalhar nela, característica de muitos autores até então. A importância do fato é que agora era justamente um verdadeiro fã dos personagens que assumia o comando editorial.
    A DC podia perder para a Marvel em vendas, mas jamais perderia em qualidade. Vários gibis já eram publicados sem o “Comics Code”, o código de ética dos quadrinhos, como Arqueiro verde, Homem-Animal, Patrulha do Destino, Questão, Hellblazer, Monstro do Pântano e Sandman. Esses três últimos seriam a base para o selo Vertigo, criado em 1993 para trazer não só material para “leitores adultos”, mas também possibilitar a publicação de material autoral.
    A diferença é que muitos autores que não quisessem criar para editora, poderiam mesmo assim publicar pela DC, através do selo Vertigo. É o caso de séries como Preacher, Transmetropolitan, Invisíveis, 110 Balas, Y O último homem, Fábulas, entre outras menos badaladas. Elas pertencem aos seus criadores, que podem levá-las para outras editoras ao fim do contrato.
    A DC assim entrou solidamente no mercado das “HQs de autor”, ganhando espaço nas livrarias. As HQs da Vertigo também trouxeram credibilidade para a editora, já que sempre foram bastante elogiadas na mídia, desabonando assim um pouco do caráter marginal que os quadrinhos têm nos Estados Unidos.
    Com uma linha de HQs voltadas “para adultos”, a DC procurou expandir em outras direções. A linha infantil foi remodelada, sendo criado o selo “Johnny DC”, que além da linha Looney Tones e Hanna Barbera, também apresenta versões infantis dos superheróis DC, e mais recentemente personagens do Cartoom Network.
    A chegada dos mangás nos EUA não passou desapercebida, e a DC criou o selo CMX, onde traduz e publica em inglês famosos quadrinhos japoneses na terra do Tio Sam. A DC também tentou criar um selo para material europeu, mas sem igual sucesso.
    Uma grande aquisição foi feita em 1999, quando o grupo Warner comprou os estúdios WildStorm, de Jim Lee. A pequena editora então virou um selo da DC Comics, voltados para “superheróis alternativos”, terror e ficção científica.
    Da mesma forma que a Vertigo foi o selo das melhores e maiores séries dos anos 90, pode-se dizer que a WildStorm o fez na primeira década do século XXI, com séries como Authority, Planetary, Desolation Jones, Sllepper , A Liga Extraordinária, Promethea e Ex-Machina. Atualmente vem sendo nesse selo que estão sendo adaptadas séries e filmes de sucesso da Warner, como Supernatural, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13.
    De olho em novas audiências, a DC criou também nos anos 2000 o selo MINX, voltado para garotas adolescentes, publicando graphic novels com bastante influência do quadrinho independente americano e dos mangás.
    No mesmo espírito está a Zuda Comics, a linha de quadrinhos digitais, que é a ponta de lança da editora para tentar vender quadrinhos nos tempos da internet.
    Nas vésperas de completar 75 anos, a empresa sofreu mais uma mudança de nome em 2009: passou a se chamar DC Entertainment. A Warner decidiu que as operações da editora deveriam se expandir e eles próprios cuidarem das adaptações para a TV e o cinema, visando preservar a fidelidade das mesmas, já que os filmes da Marvel, mais fiéis na maioria ao conceito original, vinham fazendo mais sucesso. A conclusão é que isso acontecia porque o pessoal da Warner não entendia dos personagens da mesma forma que o pessoal da DC faria.
    No entanto, tal decisão foi aliada a contradição de nomearem uma nova presidente para a DC Entertainment, Diane Nelson, que consolidou a franquia Harry Potter no cinema, portanto pouco familiarizada com os quadrinhos. A justificativa é que a DC Entertainment não irá trabalhar tão somente com os quadrinhos, que estão sob o comando do vice-presidente da DC, DAN DIDIO.
    Ainda perdendo em vendas para a Marvel, a editora se destaca pela variedade do seu material, atingindo praticamente todo tipo de público e abordando qualquer gênero: western, guerra, terror, ficção científica, romance, aventura e super-heróis, é claro. Outro motivo de orgulho dos decenautas é a quantidade de prêmios Eisner, Harvey e Eagle que acumula, o que comprova que muitas vezes, vendas não significam qualidade.
    Apesar do centro das atenções ainda estarem nos super-heróis da editora, a DC é muito mais do que pessoas vestindo colantes coloridos. Já no mercado de graphic novels, onde são comercializados os mangás da DC por exemplo, a editora supera as demais, inclusive a Marvel. A medida que o mercado se desloca dos gibis para os livros, existem muitas chances da mais antiga editora de quadrinhos em atividade, passe talvez voltar a ser a maior em vendas.

Texto publicado originalmente no Farrazine #15 que você pode baixar aqui ou ler online aqui

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CONTOS DO FARRAZINE

CÍNTIA







Acordou numa cama estranha com uma estranha mais estranha ainda. Sua cabeça doía e os órgãos internos queixavam-se da noite anterior. A cabeça era o que mais doía. Gostava de pensar que a dor de cabeça era causada pelo crescimento do cérebro devido a um grande número de informações registradas na festa. Esse grande número de informações normalmente causa uma pane no sistema nervoso. Então você não lembra direito o que fez. E, de fato, você não usa o cérebro quando ele desliga. E é por isso que ele não se lembrava do nome da garota que dormia na cama.
Talvez ele nunca tenha sabido o nome dela. Questiona-se se ela sabe o seu nome. Muitos criticam esse estilo de vida. Dizem que não vale a pena se você não conseguir lembrar. Não se lembra do que fez na maior parte de 1994. E ele tinha quatro anos nessa época. E ele não bebia aos quatros anos. Claro que houveram exceções. Teve aquele restinho de cerveja num copo que ninguém sabia de quem era, no aniversário da tia Rita. Mas não era o suficiente para fazê-lo perder a memória. O que o incomodava era a tremedeira. Sempre tremeu. Até quando tinha quatro anos. Mas nos dias após a bebedeira ele tremia compulsivamente. Foi uma vez ao neurologista, que pediu um exame de sangue que ele não fez. Não fez porque tinha medo que também detectasse AIDS. Tinha medo do vírus do amor porque uma vez estava bêbado demais e não usou camisinha. Apesar de muitos falarem que ele não fez o exame pela sua fobia incontrolada de seringas. Não tinha problemas com agulhas. Tinha feito três tatuagens. Mas não suportava olhar para uma seringa. Apesar de ser a favor da liberação da heroína. As festas seriam melhores. A sobriedade era a pior parte da festa. Não. A ressaca que era. A sobriedade era passageira. E o ritmo dependia apenas de si mesmo. Já a ressaca parecia interminável. Quase tão interminável quanto o sono da garota anônima que acabava de acordar. Odiava essa parte. Ele queria ter sido esperto e ido embora antes dela acordar. Agora não sabe se espera até de noite. Se for embora após o almoço pode parecer interesseiro. Se for embora de noite pode parecer querer um relacionamento. Se for embora agora pode parecer grosso e acabar com tudo o que tenha possivelmente dito na noite anterior.

- Vou-me embora. Tenho que trabalhar. Qual o seu nome?

- É Carlos.

Texto publicado no Farrazine #20 que você pode baixar aqui ou ler online mesmo aqui

terça-feira, 1 de novembro de 2011

4 anos no ar

Túnel do Tempo



Em 31 de outubro de 2007 lançamos o primeiro número do FARRAZINE. Desde então, já passaram por nossas 1.420 páginas (!), distribuídas em 26 edições (24 bimestrais + 2 especiais de Natal) cerca de 200 pessoas, entre escritores, diagramadores, ilustradores, entrevistados, etc.

Queremos aproveitar e agradecer a todos que colaboraram direta ou indiretamente e fazem parte de nossa história. Pretendemos seguir firmes no intuito de trazer entretenimento e material de qualidade aos nossos leitores.

Para que a festa seja completa, pedimos aos nossos leitores que entrem em contato conosco, mandem suas mensagens e opiniões (sejam elas elogios ou críticas) para que possamos publicar em nossa próxima edição, que será lançada no dia 20 de dezembro.

Sua participação é a forma de continuarmos motivados nessa “brincadeira de fazer revista” que alcançou patamares muito além dos imaginados.

Entre em contato pelo nosso e-mail (leiafarrazine@gmail.com) até 25.11 e faça parte da festa.

Projeto democratização da leitura!

Sobre cultura, compartilhamento, projetos e leitura...


De todos lugares legais da web - e há um montão de coisas legais - um dos mais destacados, sem dúvida, é o PDL.

O que é o PDL?

"O PDL é uma das maiores referências de biblioteca virtual livre em língua portuguesa da internet, com um acervo alimentado por centenas de colaboradores em todo o mundo e uma história de 5 anos de existência. Todos os e-books são produzidos e geridos pelos próprios usuários, que fazem do site um grande centro de troca de novidades e discussões relacionadas à área. O acesso é livre e você só precisa fazer um pequeno registro. Não é preciso pagar nada, é só entrar com seu cadastro, pesquisar, conversar e ler à vontade!"

O projeto desse forúm é o mais impressionante, relacionado com leitura, que existe na net. Você pode encontrar, praticamente, quaisquer publicações no idioma português.

O grupo também se organiza para traduzir obras que ainda não têm edição em nossa língua.

Vale muito a pena fazer parte dessa comunidade!

Se você quer conhecer um pouquinho mais sobre eles ou procura livros que não encontra em lugar nenhum, clique aqui e vai lá, sem dúvida você vai adorar!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FANZINE ABAFO



No final de 1978, quem governava o Brasil era o Presidente Ernesto Geisel, e assumia o papado católico um polonês chamado Karol Józef Wojtyła (que adotou o nome de João Paulo II). O ritmo denominado "Discoteca" era sucesso, e... todas publicações brasileiras tinham de ser registradas e enviadas (para análise) à Divisão de Censura e Diversões Públicas da Polícia Federal. A estreante 10-ABAFO nasceu naquela época, e a retratou em histórias e piadas.
Agora, com o uso da tecnologia computadorizada, e tomando como base originais desenhados e/ou impressos da época, as SEIS primeiras edições, publicadas entre 1978 e 1979, foram RESSUSCITADAS, tal como foram intencionalmente produzidas nos anos 70 do século XX. As imagens se mostram QUASE sem os defeitos da impressão no papel, em tamanho padronizado, e em alta definição. O leitor poderá ler no seu computador, ou fabricar seu próprio exemplar de cada um dos seis números, imprimindo-os numa impressora de boa qualidade (em qualquer tamanho), ou até mesmo em off-set (se assim o quiser).

Tudo isso em um único disco CD-rom, por R$ 25,00 (incluso neste valor, o porte registrado). Ou seja, cada edição virtual da antiga 10-ABAFO sairá para o leitor por aproximadamente (e somente) R$ 4,00.

Para comprar a sua é só pedir mais informações de pagamento nos emails abaixo:

emir_ribeirojp@yahoo.com.br

emir.ribeiro@gmail.com

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Rascunho Studio Apresenta!!!


Temos mais novidades no mundo das HQ's!!!

No dia 29/10/2011 ás 14hrs o Rascunho Estúdio de nosso amigo Alzir Alves vai fazer o lançamento da banda desenhada "História da Paraíba em Quadrinhos - 2° edição".

Pra você que curte HQ e história o evento vai ser feito em João Pessoa no Rascunho Estudio mesmo!

Para mais Informações é só ligar no número: (83) 8833-3791

E no cartaz acima deixamos ainda mais detalhes!

Não deixem de prestigiar o trabalho do mestre Emir Ribeiro e do Emilson Ribeiro nessa HQ!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

FARRAZINE 24




Sim, senhoras e senhores, SIM!


Voltamos com a edição #24 do Farrazine!

Estamos repletos de conteúdo para todos os gostos e desgostos! Temos a volta triunfal de Leo Vidal (Invinoveritas) depois de ganhar o Prêmio HQ Mix deste ano e muito mais novidades tais como: A Balada de Johnny Furacão por Manassés Filho; a última parte da Aula de Roteiro de Rafael Oliveira; o Filipêra do Nerd Somos Nozes dissertando sobre Arte X Entretenimento; além de uma matéria pra lá de carinhosa da Paloma Diniz sobre o mestre Laerte.

Também dilaceramos o poder escravizador de Iron Maiden com Fernando Schittini e mais uma participação do nosso camaradaço Marcio Baraldi, com o lançamento do seu livro RAP DEZ! Estamos cheios de "contos para contar" da parte de Rita Maria Felix da Silva, Ramón Delton, Marcelo Soares e Pablo Grilo, além das tirinhas bacanudas da Raquel Gompy e do Guilherme de Sousa.

As entrevistas desta edição estão geniais, com as participações da editora da revista "Nosso Amiguinho", Sueli F. de Oliveira; dos ilustradores Allan Jeff, Daniel HDR e Flávio Luiz; e uma surpresa com Invinoveritas questionando Leonardo Poglia Vidal!

Trazemos mais um capítulo de "Cidade Nua" e uma nova série especialíssima chamada "Bengala Boys"!

Bom, pra terminar esta é a primeira edição a ultrapassar o número de 100 páginas desde nosso surgimento, em 2007!

Então, aproveitem e desfrutem as 108 páginas do zine mais "descolado" do Brasil nos links abaixo:


MEGAUPLOAD






4SHARED




Farrazine no ORKUT

Farrazine no ISSUU

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O QUE VEM POR AÍ!!! BENGALA BOYS



Na semana que vem teremos o lançamento da edição #24 do Farrazine! YEAH!!!!

E além de muitas matérias, entrevistas, contos e etc, teremos uma HQ produzida por Lancelott Martins e Airton Marcelino introspectiva e aventureira.... Segundo as próprias palavras do Lancelott:

"Os Bengalas Boys foi uma mítica criada no facebook sobre velhos quadrinhistas que seriam, se estivessem no universo de seus personagens, também personagens. Então escreví um roteiros que conta o encontro/resgate de alguns deles e que, fatalmente, todos se encontraram no velho oeste. Eles estão perdidos em épocas diferentes, a grande maioria insconsciente do que foi ou era... 

O Chefe deles, que antes era uma Ordem - A Ordem dos Bengalas, BENGATONY, parte para o universo Q-Uadrinho para encontrá-los... 

A mítica nasceu mas ou menos assim, daí o Tony Fernandes (Pequeno Ninja entre outras publicações) inventou essa história de que nós quadrinhistas antigos, seriamos Bengalas pela idade, e aqui e ali terminamos por nos reunir sob este título e até foi criado um blog para registrar temas afins... O fato é que desenvolví avatares para todos eles e bolei juntamente com o Airton Marcelino estas SAGA, onde os autores podem navegar no universo dos quadrinhos e até encontrar seus personagens...."

Teremos as duas primeiras edições da saga no próximo Farrazine e continuaremos publicando segundo a produção dos autores.

Se você quer saber mais sobre os Bengala Boys é só esperar o dia 20 e ler o Farrazine... Mas se você é muito apressadinho e quer saber mais ainda é só clicar no linkk abaixo:


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: Betonando Geral!

 
Não será dessa vez que contribuirei com material inédito, embora a HQ "Os Menininhos", não tenha sido vinculada online ou impressa até agora. Mas, como as outras duas HQs que compõem o lote, ela foi criada para o Prêmio Moacy Cirne de quadrinhos norte-riograndenses no longuínquo ano de 2009. Minha intenção aqui, foi o de expor exatamente um mix do meu material produzido para o concurso e que ainda nao foi publicado impresso. 
 
Na época crie seis histórias, duas em parceia com a os irmãos Freitas (Wolclenes e Wanderline) e quatro, solo. Cada uma das seis com tematicas e estilos gráfico particulares. Segundo Wanderline eu mereceria receber pelo menos uma menção honrosa pelo conjunto da obra, mas enfim... o único reconhecimento que espero receber sempre será o do meu publico e não o de bancas, bancos, mesas ou cadeiras. 
 
BETONANDO GERAL tinha uma outra linha editorial, mas o acúmulo de atribuções durante o AGOSTO PRA TUDO, me fizeram optar pela objetividade em prol do cumprimento dos prazos, mas tem coisa nova germinando e pronta para aflorar no momento certo. 
 
Enquanto elas não vem, cliquem aqui e fiquem com o que a de bom no meu recente velho material que soreviveu a crise do HD queimado.

domingo, 18 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: New ACUNHA

Quando Marcos Garcia nos enviou o material para o ACUNHA # 4, havia mais de 30 páginas de conteúdo. Com o risco de Joseniz não enviar a tempo as suas edições, tratamos de antecipar soluções: o excedente de Garcia tornou possível uma edição extra, rebatizada como "NEW ACUNHA". 
 
Ficção Cinetífica, Histórias Fantásticas, esboços e ilustrações do autor recheiam esse "Especial". 
Baixe agora o NEW ACUNHA e aproveite para conferir as outras edições dessa última semana do AGOSTO PRA TUDO!

sábado, 17 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: SOQ 5!

Duas SOQ's num mesmo mês e com um intervalo de três dias apenas? Até parece sonho, mas é uma doce realidade. Essa edição é dedicada a cobertura do III YUJÔ FEST, maior evento de cultura pop japonesa do estado potiguar. 
 
Mas nós vamos um pouco mais além, resgatamos o histórico de suas duas primeiras versões, descrevemos a parceria entre a ABAS e a galera do YUJÔ que entre outras coisas faturou o 1º lugar no concuro fotográfico FLASH MOB HQ - FIQ 2011. O 2º e derradeiro Prêmio Poty e mais quadrinhos de Marcos Garcia e Carlos Aveñedo fecham a SOQ # 5
 
Clique aqui e baixe agora essa edição histórica, pois a próxima SOQ marcará o início de uma lenda.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: MUNDO CARICATO!

MUNDO CARICATO, marca o fim da trilogia de Joaquim Monteiro no AGOSTO PRA TUDO! MALditos POPULARES e O PIAUIÊS ficaram para trás, é hora de conhecermos o traço do ilustrador e caricaturista piuiense no que ele sabe fazer de melhor: releituras de celebridades!
 
Uma grata oportunidade de conhecer as três facetas desse talentoso artista piauiense, seja na escolha dos temas, seja no traço, Joaquim Monteiro manda bem em qaulquer área e o seu MUNDO CARICATO é a prova cabal disso. 
 
Clique aqui e baixe esse material de primeira agora mesmo!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: IGORcentrísmo!


O Igor foi o segundo cavaleiro jedi a responder positivamente ao meu chamado em 2009 para a formação do blog Tirando Uma e consequente primeira formação nacional da República dos Quadrinhos (o 1º foi o ANTONI), portanto sua presença nesse evento tornava-se indispensável. 
Seu traço nos remete aos quadrinhos do princípio do século passado e foi isso o que me atraiu, dentro da linha editorial escolhida na época (quanto mais diferente melhor). Com o tempo seu trabalho evoluiu consideravelmente e a sua dupla de detetives Klaus e Nicolaus foi rapidamente sendo substituída por novos e cativantes títulos. 
Em cada um deles, um novo Igor aflorava. Com Abelardo, o abestado, ele conseguiu, na minha opinião se encontrar como roteirista. Passou e ser um verdadeiro "contador de histórias", trabalhando muito bem o conceito de "gags" com continuidade. O que se viu em seguida foi o amadurecimento do Igor escritor sequencial. 
E neste seu mais recente trabalho, "IGORcentrísmo", ele dá um banho com a utilização da metalinguagem! Demonstrando que o meu "olho clínico" não estava enganado. 
E mais, seu afastamento para estudos no Canadá não lhe afastaram da arte gráfica, ao contrário, serviram de inspiração para novas séries. 
IGORcentrísmo é a síntese do trabalho de um jovem autor que ainda tem muito a evoluir, mas que já demonstra por meio de um discurso novo e diferenciado que ele já encontrou seu caminho e espaço. 
Agora é só seguir em frente! Clique aqui e siga a caminhada inicial do Igor. Tome fôlego primeiro, pois ele costuma andar a passos largos!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: DIRETAMENTE DE KRIPTON!

O título é uma brincadeira que sugeri ao Kaléo devido "aquele" famoso personagem dos comics possuir um alter ego com nome homônimo ao dele. Aceita a proposta para o título o resto ficou bem mais fácil, principalmente quando o trabalho resumiu-se a selecionar uma pequena amostra  da versatilidade e do talento desse jovem cearense (quem não viu ALMA DO DRAGÃO, ainda está em tempo). 
Ao contrário de seu trabalho anterior, aqui não termos HQs, apenas ilustrações. DIRETAMENTE DE KRIPTON é um portfólio de outro mundo, heheheehhe! Brincadeiras à parte, é um belíssimo trabalho e uma rara oportunidade para se conhecer a arte do Kaléo Mendes. Aproveitem enquanto ainda é de graça, clicando aqui!Fechamos a nossa penúltima em grande estilo!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: SOQ 4.1!

Depois de uma lacuna do tamanho do Grand Canyon a SOQ está de volta à ativa. Se bem que é por pouco tempo... mas sua vida foi efêmera mais intensa e isso é o que vale! 
 
Nessa sua 4ª Edição tentamos cumprir parte do que foi divulgado no preview para a nº 4 (idealizada para dezembro do ano passado): uma longa matéria sobre o Projeto Primeira Edição, com textos de Milena Azevedo; uma matéria especial sobre o Mike Deodato (que além de autorizar a utilização do seu nome e imagens, também aprovou o conteúdo da mesma); o PITACO está de volta, comprovando que somos lidos e por gente que entende do negócio e completando o pacote: quadrinhos!  
 
SOQ 4.1, não é uma Ferrari, mas sempre que sai, faz um barulho danado. 
 
Baixe aqui e meta bronca!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Agosto pra Tudo: SIMPLESMENTE OMIDO!

 
Evaristo Omido é um verdadeiro exemplo de Samurai Moderno: leal e fiel aos seus princípios e um guerreiro fora de série no manuseio de qualquer artefato artístico que esteja ao seu alcance. Pintura, caricaturas, ilustrações, oficineiro, estilista, artes para encomenda, peças em biscuit e madeira, em todas essas áreas, OMIDO dá um show de talento e bravura, conquistando espaço e reconhecimento fora de sua terra natal.
 
SIMPLESMENTE OMIDO é um resumo de cada um desses fragmentos desse enorme quebra-cabeças humano chamado Evaristo Omido. Sua obra daria umas três webcomics no mínimo, cada uma destinada a uma área de sua atuação. 
 
Fiquem agora com esse pequeno mix do genial OMIDO clicando aqui e fiquem na torcida, pois pretendemos convencê-lo a emprestar o seu talento para um segmento ainda não explorado por ele: a arte sequencial. 
 
 

domingo, 11 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: RUSIARTE!

Por Rusiano Paulino
RUSIARTE traz um pouco da arte (e do roteiro) de Rusiano Paulino professor de Economia e amante de artes, através da colaboração de Leylla Gonçalves (roteiro de “A passagem”) e de Wanderline Freitas (arte de “Dádivas”) esta edição especialmente criada para o projeto AGOSTO PRA TUDO viaja pela mente humana e tem uma temática quase filosófica, em quatro contos levanta questões como: a eterna luta entre o bem e o mal, a importância das partes para o todo, as virtudes humanas e até mesmo a vida após a morte. 
Não perca tempo, clique aqui e explore um mundo de ponta cabeça onde em um pequeno espaço cabem grandes questionamentos. 

sábado, 10 de setembro de 2011

Agosto pra Tudo: Tiago sem Concert!

Mais uma obra com o selo de qualidade "Tiago Silva". Para quem não leu o "Tiras D+", BAIXE AGORA e conheça um pouco da versatilidade e humor crítico no traço desse jovem cartunista paulistano de visual e alma de roqueiro. 
Em "Tiago sem Concert", veremos outra faceta dele: o de ilustrador/caricaturista. A crítica pertinente e bem-humorada presentes em suas charges políticas produzidas para a imprensa, são revestidas por um novo prisma e certamente ninguém sairá indiferente as suas representações gráficas das mais ilustres personalidades do campo político e cultural do Brasil e do Mundo. Esse material ímpar, está a sua inteira disposição a aprtir de agora, basta um simples clique aqui e bom deleite.
Outras feras do traço também estão mostrando seus dotes nesta semana. Confira a seguir:

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: O PIAUIÊS!

 
Seguimos a trilogia de Joaquim Monteiro com esse título pra lá de bem-humorado e que mereceria sem dúvida uma versão impressa. Em Natal lançaram um dicionário de potiguarês e um manual com expressões populares num mini-formatinho de bolso de criança recém nascida, mas apesar disso, é um baita trabalho de pesquisa e de registro da memória popular e cultural de um povo. 
 
Da mesma forma o trabalho do Joaquim tem a mesma relevância e ganha um fator diferenciado em seu favor, seria totalmente ilustrado. Olha aí, poder público ou privado de Teresina, não deixem essa oportunidade escapar.  
 
O PIAUIÊS é um divertido manual para leigos e não iniciados no dialeto nordestino e particularmente piauiense, por meio de ilustrações legendadas, o Joca nós mostra o quão valorosa é sua contribuição para a cultura do Estado do Piauí, como também nos estimula (aos artistas) a tentar imitá-lo (não plagiá-lo). Um barato, mesmo.  
 
O PIAUIÊS! de Joaquim Monteiro, nossa primeira obra de cunho didatico dentro do AGOSTO PRA TUDO! Clique aqui para assegurar uma leitura rápida, informativa e divertida sobre o vocabulário de expressões populares do povo piauiense.


Obs:  essa obra não tem relação nenhuma com o livro do Paulo José Cunha, publicado pelo Cineas Santos. Embora seja considerada como a Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês e sua 2ª edição ser de 2007 (desconheço quando saiu a 1ª), ela não é ilustrada. O grande diferencial do trabalho de Joaquim Monteiro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TOCA RAUL! - Resenhas do Farrazine

Meados de 1989. Eu tinha 13 anos e me lembro de um cara todo vestido de couro, ou seja lá o que fosse, se esguelando nalgum programa de TV. A próxima lembrança que me vem é de uma matéria do programa “Fantástico”, anunciando a morte de um cantor. Parecia algo importante, mas o que se fixou mesmo na minha cachola de moleque foi que aparecia um cara lendo um gibi do Tex, num videoclipe amalucado de uma música que falava de cowboys e medos. Quadrinhos são parte indelével de minha memória desde a mais tenra idade, mas creio que essa informação não vem ao caso.

Passou mais um tempo até que eu me deparasse, em uma festinha de aniversário, com um LP que me chamou a atenção. Aquela capa, na qual apenas aparecia um deserto e uma pintura, no melhor estilo foto 3x4, e o nome sugestivo: “O Dia Em Que a Terra Parou”. Foi então que notei que já havia visto aquele cara da foto. Era o tal do Raul Seixas. Daí, para me apaixonar pelas músicas, decorar todas daquele disco, e então correr atrás de qualquer material possível, fossem fitas cassete pra lá de piratas ou recortes de jornais e revistas, foi um pulo.

Neste mês de agosto de 2009, faz 20 anos que Raulzito nos deixou. Faz mais ou menos 19 anos que sou fã incondicional dele.

A esta altura, você deve estar se perguntando: “Tá! 20 anos que o cara morreu. Não vai rolar uma biografia, ou discografia, ou quaisquer outras grafias?” Não. Não vai. Sempre em datas “redondas”, a mídia em geral despeja toneladas de informações sobre um fato ou personagem; portanto, se você quiser saber sobre datas, números e informações úteis ou fúteis, basta um passeio rápido por esse mundão da internet, que estará bem provido de informação.

Aqui me reservo apenas ao direito de, mais uma vez, prestar homenagem a esse cara que me fez ser quem sou, seja isso bom ou ruim. Mas, aí, já é com meu psiquiatra!
Enfim, digo: prestar mais uma vez homenagem pois, lá naquela época de que eu falava antes, após me apaixonar pelas músicas do cara, eu costumava prestar minha homenagem religiosamente, mesmo que fosse anônima. Não me importava. Era usando uma camiseta; ou pendurando um cartaz, desenhado por mim mesmo, no saguão da escola, para lembrar mais um ano de ausência; disseminando minha paixão, fazendo com que outros amigos ouvissem também, da maneira como eu ouvia, as músicas; ou ainda, auxiliando num teatro, no qual fizemos um sósia do Raul saltar de dentro de um caixão, dublar algumas músicas e retornar ao caixão, levando cutucadas de um capetinha pintado de colorau! E isso tudo no coreto da praça de minha cidade natal. Algumas pessoas não gostaram muito.

O tempo passa, essa efervescência adolescente passa, as demonstrações mais apaixonadas acabam sendo relegadas a um tímido “Gosto muito.” em resposta a um “Ô cara, você curte Raul?”. Apesar de não deixar de sempre ouvir e buscar saber mais sobre a obra e o homem. Talvez tenha sido apenas o mundo, fazendo com que a gente tome a pose de cidadão respeitável, que ganha 4 mil cruzeiros por mês, alegre e satisfeito, e que contribui para o nosso belo quadro social. Mesmo que isso lhe doa no peito. Pois é, com o tempo, a gente acaba entendendo exatamente o que aquele magrelo queria dizer.

Mas deixemos as melancolias de lado, hoje não é o “Dia da Saudade”. Aproveitemos essa data “redonda” não apenas para enumerar discos, falar de datas, curiosidades, ditos ou desditos da vida do Raul. Vamos aproveitar para fazer o que de melhor podemos fazer para homenageá-lo, mesmo que seja anonimamente! Vamos ouvir e cantar suas músicas. Ouvir com o coração e cantar com a alma! Vamos fazer parte daquela trupe que enche o saco de qualquer banda em festas de formatura, bares e shows, gritando lá do fundão: TOCA RAUL!

Ou como diria o Zeca Baleiro: “Mal eu subo no palco, um mala, um maluco já grita de lá:
‘Toca Raul!’ A vontade que me dá é de mandar o cara tomar naquele lugar; mas aí eu paro, penso e reflito: como é poderoso esse Raulzito!


Texto publicado no Farrazine #13, escrito por Marcelo Mainardi, que você pode ler aqui ou baixar aqui

Ocorreu um erro neste gadget

 
Design by Wordpress Theme | Bloggerized by Free Blogger Templates | coupon codes