
Em primeiro de março de 1954, os EUA realizaram um teste com um artefato nuclear no atol de Bikini, no Pacífico. O teste foi mal calculado e a explosão foi um “pouco” maior do que a esperada, provocando uma chuva atômica branca sobre a força naval de 10 mil militares reunidas para observação, em um lugar (esperava-se, antes da coisa acontecer) seguro. O teste, cujo nome-código era Bravo, criou uma cratera de 75 metros de profundidade e dois quilômetros de diâmetro.
Em dois de março, meteorologistas norte-americanos foram retirados de uma ilha distante 213 quilômetros da detonação. Dois dias depois, começaram a ser evacuados os habitantes da ilha Rongelap, localizada a 144 quilômetros do teste. Flocos radioativos “nevaram” sobre a ilha apenas quatro horas depois do teste e formaram uma camada sobre o solo de alguns centímetros. Inocentes do perigo, os habitantes logo passaram a sofrer de diarréia, vômitos, queimaduras na pele, perda de cabelo, hemorragias. Sintomas similares aos sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki.

Em novembro de 1954, estreou nos cinemas japoneses o filme Gojira ou, como conhecemos por aqui, Godzilla. O livro “Homens do Fim do Mundo”, de P. D. Smith (de onde retirei esta história) afirma que Godzilla foi inspirado em um filme B norte-americano de 1953 (um dinossauro é despertado por testes nucleares e ataca Manhattan). Segundo o autor, existem claras referências a este episódio do teste Bravo: no início de Godzilla, a tripulação de um barco testemunha o surgimento do monstro e os sobreviventes avisam sobre a criatura. Pessoalmente, acho um prazo apertado para uma inclusão no roteiro, mas como não entendo nada de cinema... Quem sabe?
Além da explosão acordar a besta de seu berço esplêndido, ela tornou o monstro radioativo. No filme, contadores Geiger eram usados em suas pegadas gigantescas. Produtores do filme confirmaram o objetivo de criar uma “cara monstruosa” para a bomba atômica. E conseguiram: O filme foi um sucesso no Japão, pessoas assistiam em silêncio, muitas saíam do cinema chorando, as lembranças de Hiroshima e Nagasaki ainda frescas na cabeça.
Na realidade, quando se percebeu que o objetivo dos militares norte-americanos era realmente jogar uma bomba atômica sobre cidades japonesas, uns poucos cientistas tentaram fazer abaixo-assinados e até propuseram que se fizesse uma demonstração “pública” para dar ao inimigo a chance de rendição. Ninguém escutou, envolvidos que estavam no esforço de guerra e na ânsia de mostrar aos soviéticos sua força. O livro relata os esforços de um dos criadores da bomba, Leo Szilard, em divulgar os catastróficos efeitos de uma guerra nuclear e na possibilidade de que uma única bomba pudesse envenenar todo o globo e exterminar a vida na Terra (com exceção, como se sabe, das baratas).

A mesma idéia reside na “bomba suja” que é um dos maiores medos do governo norte-americano. Um grupo terrorista poderia criar uma única bomba capaz de realizar um estrago sem precedentes e no mundo inteiro. Uma guerra na periferia do mundo (entre Paquistão e Índia ou entre as Coréias) pode despertar este monstro. Apesar de seu tamanho, Godzilla ainda espreita nas sombras.
Por Brontops - Revisão Aluada - FARRAZINE 11
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