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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FARRAZINE # 25

Está no ar a 25ª edição do FARRAZINE em clima de festa. Comemoramos 4 anos de atividades trazendo para nossos leitores conteúdo de primeira linha.

Estivemos presentes no FiQ! com o nosso representante Marden Herbert que contou o que viu por lá.
Também dando suas impressões sobre o FiQ! (inclusive como expositor) temos a participação de Beto Potyguara e seu Diário de um FiQuante. Beto aproveitou a oportunidade e conversou com o ilustrador Gilmar, que nos cedeu uma bela entrevista.
Seguindo a mesma linha, nossa caríssima Paloma Diniz também participou em dose dupla, com a cobertura do 5º HQPB e entrevistando o arte-finalista Jonas Trindade.
A HQ “Cidade Nua” chega ao seu final apoteótico, com roteiro de Rafael Martins e arte de Bruno Romero e trazemos uma HQ inédita de F. Salathiel Anacleto: “Noite Macabra”.
Rafael Páros desvenda as nuances dos Games Indies e Fernando Schittini mergulha no abismo de Slayer; Pablo Grilo traz as terceira e quarta partes do conto “Buraco Negro”; Rafael Machado (Hiro) nos apresenta a doçura de “A Menina que Fazia Cookies”; temos “A Alegria de Monsieur Lampanard” nas palavras de Rita Maria Félix e a despedida (ou até logo, vai saber) do nosso editor, Caio Cesar (Kio), no Editorial.
Aproveitem, entre ceias natalinas e champanhes da virada, nossa edição comemorativa e tenham todos um ótimo 2012.

Lançamento: 23.12.2011 – 92 páginas

Baixe no Mediafire: .rar
.pdf .pdf c/ links

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Resenhas do Farrazine



    OS 75 ANOS DA DC COMICS
    A editora de quadrinhos mais tradicional do mundo comemora 3 quartos de século. O que você sabe sobre ela?


    O selo “DC 75 anos” nas capas das revistas da editora Panini no Brasil pode ter pego muitos leitores de surpresa. Afinal, não faz três anos, em 2008, a própria Panini comemorou “Os 70 anos da DC”. Como é possível três anos depois a editora já ter 75?
    A mancada foi da editora ítalo-brasileira. Erroneamente, muita gente acredita que a DC tenha começado com a Action Comics nº 01, de junho de 1938. Mas a empresa começou a ser formada de fato no ano de 1934, tendo sua primeira publicação em 1935, data que é considerada oficialmente pela empresa como o nascimento oficial da editora. Assim, agora em 2010 é que se darão as comemorações dos 75 anos, tendo sido anunciada uma mini-série sobre as várias gerações de heróis da editora, uma edição pra falar de cada década, e um encadernado de luxo com as primeiras edições da “More Fun Comics”, a primeira revista da editora.
    A DC é o resultado da fusão de várias empresas, e assim continua até os dias de hoje. A história começa com um major que resolveu editar histórias em quadrinhos, Malcolm Wheeler-Nicholson. Os primeiros gibis começaram a aparecer nos anos 30, como compilações das tiras de quadrinhos publicadas nos jornais. Logo o material de republicação acabou, e Wheeler foi pioneiro na idéia de produzir material inédito para os gibis.
    Para isso ele fundou a National Allied Publications e começou a procurar autores que produzissem histórias em quadrinhos a um preço barato. Como a “nata” dos profissionais já estava bem empregada nos jornais, o que sobrava era gente com projetos rejeitados pelos diários, ou seja, em geral material de baixíssima qualidade.
    A primeira revista da editora seria a “FUN” (Diversão), cuja principal atração eram histórias de humor estreladas por animais e meninos peraltas, que era o gênero que mais fazia sucesso nos jornais da época. Desde o princípio estava claro para o editor que seu público alvo eram as crianças e por muito tempo a linha editorial foi com esse viés.
    Para imprimir a revista, o Major procurou alguém que “fizesse fiado” para ele. Encontrou oportunidade com Harry Donenfeld, que já participara de todo tipo de golpe na juventude, inclusive traficar bebida ilegal, e havia sossegado o facho imprimindo revistas pornográficas e pulp magazines de conteúdo erótico. Donenfeld, que dizem as más línguas também era agiota, aceitou o acordo, e o Major não percebia que futuramente isso seria a causa da sua ruína.
    Além da FUN, outra revista que o Major criou foi a New Comics, também em 1935. Em poucas edições a Fun começou a diversificar seu leque de atrações, e publicar também histórias de detetives, pirataria e aventura. Na edição número 06, começaram a aparecer as histórias do “Doutor Oculto”, um material que o Major comprara de uma dupla de Cleveland, Jerry Siegel e Joe Shuster. Exatamente, você sabe quem eles são...
    O Doutor Oculto era inicialmente um mágico/detetive, mas não foi exatamente um sucesso, embora não fosse rejeitado pelos leitores. Ele foi publicado na revista até 1938 até que seus criadores se vissem ocupados com outra série... Nessa altura, a Fun já se chamava “More Fun Comics”.
    As histórias de detetive estavam fazendo sucesso devido principalmente as pulp-magazines, - revistas de literatura barata - e o Major resolveu criar sua primeira revista temática, com histórias sobre crime, a Detective Comics. No entanto, o esperto Harry Donenfeld, de olhos nas boas vendas da More Fun Comics e da New Comics, disse que só imprimiria “a crédito” a nova revista se eles fizessem uma parceria, ou seja, criassem uma nova editora para editar o gibi.
    Assim nasceu a Detective Comics Inc. Devido aos rolos de Harry na justiça americana, ele colocou como seu testa de ferro o contador e amigo Jack Liebowitz. Liebowitz era uma fera nos números, e através dos anos ia provar ao major que suas revistas estavam dando prejuízo, apesar de estar dando lucro, e que o Superman custava tanto para publicá-lo quanto os milhões que arrecadava para os seus ingênuos criadores.
    Detective Comics começou a ser publicada em dezembro de 1936. Entre suas primeiras atrações estão os detetives Slam Bradley, também criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, e as aventuras de Speed Saunders, de Fred Guardiner (o criador do mago Zatara). A revista também traria a série Spy, de Siegel & Shuster, e o “Vingador Escarlate”, atualmente considerado “o primeiro vigilante mascarado” na atual continuidade do universo DC.
    Por causa das dívidas do Major com a gráfica de Donenfeld, em um ano, ele teve que ceder sua parte para o agiota. Assim, não teve a sorte de ver o que seu novo projeto, a revista Action Comics, se tornaria. O editor Vin Sullivan assumiu a publicação, a mando de Donenfeld e Liebowitz, e entre as várias historietas selecionadas, estava uma que se chamava “Superman”, daquela dupla de Cleveland que tantas séries já faziam para os editores.
    Action Comics 01 deu início a “Era de Ouro dos quadrinhos”. Nunca se vendeu tanto gibi como naquela época. As tiragens eram de milhões de exemplares. Demorou um pouquinho pros editores se tocarem que a causa era o Superman, o primeiro “super-herói”, um sujeito com super-poderes fantásticos que combatia o crime numa roupa espalhafatosa.
    Logo todos os editores queriam o “próximo Superman”. O mais forte candidato apareceu em 1939, no número 27 da Detective Comics: The Bat-Man (com hífen mesmo, que logo cairia em desuso). No mesmo ano apareceu O Sandman, na revista New Comics que passou a se chamar “New Adventures Comics”, que marcava sua transição de histórias de humor para histórias de aventura (principalmente com super-heróis).

   A ALL-AMERICAN COMICS E A SOCIEDADE DA JUSTIÇA

    No oba-oba do Superman, várias novas editoras pipocaram nos Estados Unidos, em busca do dinheiro fácil. Os artistas eram mal-pagos, os gibis baratos vendiam aos milhões, era lucro certo para editores audaciosos e caras-de-pau. Max Gaines pode ser creditado com o inventor da revista em quadrinhos, já que ele tinha tido a idéia, em 1935, de dobrar uma página de jornal em quatro e imprimir em cores, criando assim o formato.
    Sem muita grana, mas com energia ambiciosa, ele não só contratou artistas que pagaria quando o material fosse publicado, como buscou uma gráfica onde pudesse “fazer fiado”, ou seja, a do nosso amigo picareta Harry Donenfeld. Harry topou, com a condição que a nova editora tivesse como sócio o seu amigo Jack Liebowitz, já que na Detective Comics Inc ele era apenas um laranja.
    Max topou e assim nasceu a All American Publications. Pra se ter uma idéia da importância dessa “pequena editora”, em janeiro de 1940 eles lançaram o gibi “Flash Comics”, que além de logicamente trazer a primeira história do “homem mais rápido do mundo”, também apresentou ao mundo super-heróis como o Gavião Negro e Johnny Trovoada.
    Ma a primeira revista da editora foi a All American Comics, que inicialmente tinha como seu carro chefe a popular tira de quadrinhos dos jornais Mutt & Jeff. Mas isso durou pouco. Afinal os super-heróis haviam chegado pra ficar. No número 16, em 1940, apareceu a primeira história do LANTERNA VERDE. E não parou por aí.
    All American Comics, assim como todas as revistas da época, tinha 64 páginas, ou seja, espaço pra muitas histórias em quadrinhos. Assim, a revista também apresentou ao mundo histórias do Átomo, Tornado Vermelho, Doutor Meia-Noite e Sargon, o Feiticeiro.
    Embalados no sucesso, Max Gaines e Liebowitz, criaram a “All Star Comics”, que era uma antologia trazendo personagens tanto da editora All American Comics (Lanterna verde, Flash, Atomo, Gavião Negro), quanto da Detective Inc (Sandman, Homem-Hora, Espectro). A coisa mudou de figura no número 03, quando o editor Sheldon Mayer e o escritor Gardner Fox tiveram a idéia de reunir os personagens num time, a primeira super-equipe das histórias em quadrinhos, a Sociedade da Justiça da América!
    Em 1941 apareceu mais uma revista digna de nota, a Sensational Comics, já que seu carro-chefe era senão a primeira super-heroína dos quadrinhos, pelo menos a mais popular que os gibis já tiveram, a Mulher-Maravilha.
    Assim, a All-American Publications se tornou a segunda maior editora de quadrinhos dos Estados Unidos, ficando atrás apenas da Detective Inc, pois afinal eles eram os donos de Superman e Batman, os maiores sucessos da época. E quem imprimia o material das duas editoras era Harry Donenfeld, que enchia as burras de dinheiro.
    Em 1944, por causa das brigas e constante tensão interna entre o editor Max Gaines e a dupla Harry Donenfeld e Jack Liebowitz, Gaines resolveu enfim ceder e vender sua parte para Harry.
    Com a fusão das duas empresas, Detective Comics Inc e All-American Publications, nascia a National Periodical Publications, nome que a empresa teria por mais de duas décadas.
    A NATIONAL COMICS E A ERA DE PRATA

    No final dos anos 40, os super-heróis perderam a popularidade e as revistas em que eles figuravam foram canceladas ou mudavam de nome, para trazerem novas atrações com histórias de faroeste, ficção científica e suspense.
    A All-American Comics se tornou a “All American Western”, a All-Star Comics se tornou a “All-Star Western” e assim por diante.
    Apenas Superman, Batman e Mulher-Maravilha continuavam sendo publicados durante os anos 50, o que alguns chamam de “Era das trevas” dos quadrinhos, e não sem algum dano. As revistas diminuíram o numero de paginas para poderem continuar a serem vendidas por 10 cents, e passaram de 64 páginas gradualmente para 32 páginas. Algumas também passaram a ser bimestrais, porque não davam conta de se manter mensalmente, já que eram “doses duplas” do mesmo herói. Superman aparecia em Action Comics e Superman, de forma que muitos leitores não se dispunham a comprar duas revistas por mês do mesmo personagem. A solução foi implementar um “rodízio”, com uma saindo a cada mês alternado.
    A maré começou a virar em meados em 1956 quando a National contratou um editor egresso de revistas de ficção científica, que na época já haviam conhecido sua decadência, Jullius Schwartz. O editor trouxe muitos autores dessas publicações que conheciam seu cancelamento para escrever gibis, como Gardner Fox, John Broome, Arnold Drake e Robert Kaningher, entre outros.
    Devido as imposições do código de censura dos quadrinhos, a era dos gibis de terror havia acabado, e não se podia nem ver uma gota de sangue num gibi de faroeste ou de guerra. Talvez isso tenha aberto espaço para os super-heróis voltarem, no que se chamou doravante de “Era de Prata” dos quadrinhos.
    O ponta-pé inicial da Era de Prata foi a revista Showcase, uma “publicação-laboratório”, onde seriam apresentados novos personagens, e conforme a aceitação dos leitores, estes ganhariam suas próprias revistas. No número 04, Schwartz relançou o Flash, mas com novo uniforme, e nova identidade secreta, o detetive da polícia Barry Allen.
    As aventuras voltadas para ficção científica agradaram, e em breve o Flash voltaria a ter revista própria, a partir do número 105, exatamente onde a antiga revista havia parado nos anos 40.
    Além de remodelar antigos personagens, Showcase também apresentou novos, principalmente voltados a ficção científica, como Os Desafiadores do Desconhecido, Ranger do Espaço, Rip Hunter, Demônios do Mar, Homens Metálicos, entre outros de menor sucesso.
    Em 1959 foi a vez do Lanterna Verde ser relançado, agora como o piloto de testes HAL JORDAN, membro de uma polícia intergaláctica chamada “Tropa dos Lanternas Verdes”. Jordan também em breve ganhou sua própria revista, mas a partir do número 01. Outro personagem reinventado na Showcase foi o Átomo, que no Brasil ganhou até novo nome, Elektron.
    Outra publicação criada por Julius foi a Brave and the bold, onde debutaram personagens como o Esquadrão Suicida, Sexteto Secreto, Metamorfo, e a versão da era de prata do Gavião Negro. A revista logo foi remodelada para apresentar “parcerias” entre heróis da editora. A maior das parcerias foi entre os sete personagens da editora: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman e os novatos Lanterna verde, Caçador de Marte e Flash. Assim surgiu a Liga da Justiça da América, que em 1960 ganharia seu próprio gibi.
    Durante a década de 60 a Liga foi o gibi mais vendido dos Estados Unidos, até ser suplantado por uma revista de uma pequena editora que viria a se tornar uma grande concorrente, a Marvel Comics, através do Homem-Aranha.
    Mas antes do seu reinado ser ameaçado (e roubado) por Stan Lee & Cia, a National continuou sendo a editora que mais revista vendia nas décadas de 60. O Superman desfrutou uma renovação com a liderança do editor Mort Weisinger. Batman e Mulher-maravilha ganharam séries de TV que aqueceram as vendas de suas revistas. E antigos heróis como Aquaman e Arqueiro Verde voltaram, com abordagens mais humanizadas.
    Mas não foi só eles que tiveram sua chance de retornar. Numa das edições da revista Flash, o personagem da era de ouro, Jay Garrick, encontra sua contraparte da Era de Prata, Barry Allen. Como na Showcase havia sido estabelecido que o Flash original era um gibi de ficção no mundo de Barry Allen, a solução foi dizer que Jay vivia num mundo paralelo.
    E assim todos aqueles personagens da Era de Ouro podiam viver nessa “Terra 2”. Não tardou para que no gibi da Liga da Justiça a antiga Sociedade da Justiça ressurgisse. Com efeito, os encontros entre Liga e Sociedade se tornaram uma atração especial, publicadas durante todo o verão americano.


    A ERA DE BRONZE E O SURGIMENTO DA DC COMICS

    Durante os anos 60, uma pequena editora que publicava gibis de fantasia e ficção cientifica, a Atlas Comics, também começou a publicar super-heróis, animada com o sucesso de vendas da Liga da Justiça e da linha Superman. O principal trunfo era o editor e escritor Stan Lee, que em parceria com os desenhistas Jack Kirby, Steve Ditko, Dick Ayers e Don Heck, apresentaria ao mundo novos super-heróis: Quarteto Fantástico, Hulk, Thor, Homem-Formiga, Homem-Aranha, Homem-De-Ferro, X-Men e Doutor Estranho. Até uma equipe de super-heróis nos moldes da Liga foi criada, os Vingadores.
    Esses gibis vendiam bem, mas apenas nos anos 70 a Marvel se tornou de fato a maior editora dos Estados Unidos. Isso porque a National Periodcs tinha mais publicações. E mesmo nos anos 70 podemos dizer que houve um “equilíbrio” entre as duas editoras, onde a primazia foi disputada pau-a-pau.
    A chamada “Era de bronze” foi conhecida como “o período onde os super-heróis começaram a perder a inocência”. Como sinal dos tempos, o ponta-pé inicial não era mais um gibi da DC, mas sim um da Marvel, a morte de Gwen Stacy na revista do Homem-Aranha. Aquilo era uma espécie de manifesto: ninguém estava a salvo. Até a namorada do herói poderia morrer de forma trágica.
    Sentindo o terreno ceder, o editor Julius Schwartz começou novamente a renovar a editora, contratando novos artistas e pedindo para eles “modernizar” mais uma vez os heróis, principalmente no aspecto humano, o grande truque da concorrência para cativar os leitores.
    Entre os novos talentos estavam dois jovens liberais, Dennis O’Neil e Neal Adams, que começaram a chamar a atenção separadamente, até formarem uma dupla. Juntos eles devolveram ao Batman o tom sinistro e sombrio das suas histórias, e também inseriram a discussão de problemas sociais nas HQs de super-heróis na revista Lanterna Verde/Arqueiro Verde.
    Foi justamente nessa época que a National mudou de nome mais uma vez, e para aquele que é mais conhecido, a DC Comics.
    A mudança aconteceu quando a editora foi comprada pela multinacional de entretenimento, o grupo Time-Life-Warner (eles ainda não se chamava Aol Time Warner, como nos dias de hoje). A fusão garantiu uma bela bolada para Harry Donenfeld, cujo um acidente o afastou definitivamente dos negócios. Já Jack Liebotwitz ganhou um assento na poderosa multinacional, e trabalhou praticamente até os últimos momentos da sua longa vida, aos 100 anos.
    A National assim se tornava a divisão de quadrinhos oficial da Warner, e passaria a publicar gibis dos seus personagens, como a linha Looney Toones por exemplo (a turma do Perna-longa) e Hanna-Barbera (Scooby-Doo, Flinstones, etc). Como a empresa National havia deixado de existir, resolveu se batizar a nova divisão de quadrinhos como DC COMICS, em homenagem ao nome original Detective Comics Inc, já que as revistas da National traziam na capa desde sempre um selo com os dizerem “uma publicação DC”, para que os leitores mais desavisados nos anos 40 que dessem falta pela Detective Comics Inc, vissem que a editora havia apenas mudado de nome.
    O principal impulso que a nova era da “DC Comics” teve foi num maior envolvimento dos seus personagens em outras mídias, como o cinema e a televisão. Um desenho animado chamado “Super-Amigos” reunia os mais populares super-heróis, assim como Batman ganhou nova animação dos estúdios Hanna-Barbera.
    Mas foi o filme SUPERMAN, de 1978, que fez o mais lucrativo personagem da editora (até então) brilhar como nunca.

    CRISE, REFORMULAÇÃO E OUSADIA NOS ANOS 80

    Mesmo o sucesso cinematográfico da franquia do Superman não foi suficiente para conter o cansaço dos seus personagens diante dos modernos e ousados super-heróis da concorrência.
    Na segunda metade dos anos 70, a Marvel conheceu um novo período de renovação, quando Chris Clarement e John Byrne pegaram um obscuro gibi chamado X-Men e o transformaram num sucesso de vendas. Em 1979 outro obscuro gibi, Daredevil (no Brasil, Demolidor) também começou a forçar os limites éticos dos super-heróis e ganhar simpatia dos leitores.
    A grande sacada dessa geração de autores, representada por Claremont, Byrne, Miller, Roger Stern, David Micheline e JM DeMatteis, foi perceber que os leitores de super-heróis estavam crescendo, mas não estavam abandonando os gibis. Se eles tornassem as histórias mais “maduras” poderiam manter essa audiência e ganhar essa respeitabilidade.
    Quem comandou a ascensão da Marvel nos anos 80 foi o editor Jim Shooter, tido por muitos como irascível e ditador, mas a verdade é que Shooter exigia o máximo dos seus criadores, e não tinha pudor de interferir numa história se achasse necessário. Foi dele a decisão de matar a Fênix e de mudar o uniforme do Homem-Aranha.
    Vendo as vendas despencarem, a direção da DC Comics viu que era hora de renovar os seus heróis e fazê-los “mais maduros” também. O ponto de partida seria um evento onde o “antigo universo” era destruído. A história seria uma maxi-série de doze edições, produzida pela dupla mais popular da editora, Marv Wolfman e George Pérez, que faziam o único gibi da DC que concorria em pé de igualdade com os X-Men da Marvel, os Novos Titãs, estrelada por ex-parceiros mirins dos super-heróis da casa.
    O nome da maxi-série foi “Crise nas Infinitas Terras” e ela foi lançada em 1985 de forma a comemorar também os 50 anos da editora. Sem muitos impedimentos editorias, o editor Len Wein e o escritor Marv Wolfman puderam fazer as barbaridades que quisessem na revista, promovendo um verdadeiro “genocídio” de personagens.
    As mortes de super-heróis e super-vilões chamaram a atenção dos leitores que corresponderam as vendas. Mas isso foi apenas o começo. No final da saga, todas as terras paralelas, surgidas naquele gibi do Flash em 1960, se fundiam numa única, de forma a facilitar a continuidade do universo nascente.
    Era um novo universo DC. As histórias do Superman e da Mulher-maravilha foram APAGADAS da cronologia, o que gerou bastante polêmica entre os fãs antigos, que acompanhavam aquelas aventuras há anos. Como as histórias do Batman vendiam melhor, decidiu-se que elas não seriam inteiramente apagadas, mas algumas valeriam pra continuidade, outras não – o que inicialmente também gerou confusão.
    Apesar disso, o relançamento desses heróis através de novas histórias de origem foi um sucesso comercial, e também representou um nascimento de vendas. Afinal a DC Comics resolveu contratar a turma da concorrência para recriar seus personagens.
    JOHN BYRNE, que havia brigado com o editor Jim Shooter, assumiu com alegria as histórias do Superman, onde ficou por três anos. FRANK MILLER já havia trabalhado para a DC Comics produzindo as mini-séries de sucesso RONIN e o Best-Seller O CAVALEIRO DAS TREVAS (onde descrevia um provável futuro do Batman), e era o nome mais lógico para produzir BATMAN: ANO UM. Por fim, GEORGE PÉREZ, já prata da casa, recriou a MULHER-MARAVILHA.
    O Flash foi renovado, mas agora como Wally West, o antigo Kid-Flash, discípulo de Barry Allen. O escritor era Myke Baron, que trabalhava também para a Marvel. E o gibi da Liga da Justiça foi relançado como uma publicação voltada como uma sátira humorística as histórias de super-grupos, sob o comando de Keith Giffen (que era prata da casa) e JM DeMatteis (também egresso da Marvel).
    Os anos 80 começaram a marcar o período em que a DC Comics não era mais a maior editora dos Estados Unidos, mas podia ser considerada a melhor. A presidente Janet Khan, e a editora Karen Berger iniciaram uma era de “liberdade editorial”. Com mais espaço para ousar, autores como ALAN MOORE produziram para a editora clássicos como Monstro do Pântano, V de Vingança e Watchmen para a editora.
    A DC Comics assim começava a ficar com a maioria dos prêmios de excelência dos quadrinhos, embora não abocanhasse as vendas.
    A EXPANSÃO ATRAVÉS DA VERTIGO E WILDSTORM



    Nos anos 90 a presidência passou para o comando de PAUL LEVITZ, um sujeito que começou a trabalhar na empresa nos anos 50, aos 16 anos de idade, escrevendo histórias da Legião dos Super-Heróis. Levitz era um “fanboy”. Um garoto que começou como fã da editora e foi trabalhar nela, característica de muitos autores até então. A importância do fato é que agora era justamente um verdadeiro fã dos personagens que assumia o comando editorial.
    A DC podia perder para a Marvel em vendas, mas jamais perderia em qualidade. Vários gibis já eram publicados sem o “Comics Code”, o código de ética dos quadrinhos, como Arqueiro verde, Homem-Animal, Patrulha do Destino, Questão, Hellblazer, Monstro do Pântano e Sandman. Esses três últimos seriam a base para o selo Vertigo, criado em 1993 para trazer não só material para “leitores adultos”, mas também possibilitar a publicação de material autoral.
    A diferença é que muitos autores que não quisessem criar para editora, poderiam mesmo assim publicar pela DC, através do selo Vertigo. É o caso de séries como Preacher, Transmetropolitan, Invisíveis, 110 Balas, Y O último homem, Fábulas, entre outras menos badaladas. Elas pertencem aos seus criadores, que podem levá-las para outras editoras ao fim do contrato.
    A DC assim entrou solidamente no mercado das “HQs de autor”, ganhando espaço nas livrarias. As HQs da Vertigo também trouxeram credibilidade para a editora, já que sempre foram bastante elogiadas na mídia, desabonando assim um pouco do caráter marginal que os quadrinhos têm nos Estados Unidos.
    Com uma linha de HQs voltadas “para adultos”, a DC procurou expandir em outras direções. A linha infantil foi remodelada, sendo criado o selo “Johnny DC”, que além da linha Looney Tones e Hanna Barbera, também apresenta versões infantis dos superheróis DC, e mais recentemente personagens do Cartoom Network.
    A chegada dos mangás nos EUA não passou desapercebida, e a DC criou o selo CMX, onde traduz e publica em inglês famosos quadrinhos japoneses na terra do Tio Sam. A DC também tentou criar um selo para material europeu, mas sem igual sucesso.
    Uma grande aquisição foi feita em 1999, quando o grupo Warner comprou os estúdios WildStorm, de Jim Lee. A pequena editora então virou um selo da DC Comics, voltados para “superheróis alternativos”, terror e ficção científica.
    Da mesma forma que a Vertigo foi o selo das melhores e maiores séries dos anos 90, pode-se dizer que a WildStorm o fez na primeira década do século XXI, com séries como Authority, Planetary, Desolation Jones, Sllepper , A Liga Extraordinária, Promethea e Ex-Machina. Atualmente vem sendo nesse selo que estão sendo adaptadas séries e filmes de sucesso da Warner, como Supernatural, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13.
    De olho em novas audiências, a DC criou também nos anos 2000 o selo MINX, voltado para garotas adolescentes, publicando graphic novels com bastante influência do quadrinho independente americano e dos mangás.
    No mesmo espírito está a Zuda Comics, a linha de quadrinhos digitais, que é a ponta de lança da editora para tentar vender quadrinhos nos tempos da internet.
    Nas vésperas de completar 75 anos, a empresa sofreu mais uma mudança de nome em 2009: passou a se chamar DC Entertainment. A Warner decidiu que as operações da editora deveriam se expandir e eles próprios cuidarem das adaptações para a TV e o cinema, visando preservar a fidelidade das mesmas, já que os filmes da Marvel, mais fiéis na maioria ao conceito original, vinham fazendo mais sucesso. A conclusão é que isso acontecia porque o pessoal da Warner não entendia dos personagens da mesma forma que o pessoal da DC faria.
    No entanto, tal decisão foi aliada a contradição de nomearem uma nova presidente para a DC Entertainment, Diane Nelson, que consolidou a franquia Harry Potter no cinema, portanto pouco familiarizada com os quadrinhos. A justificativa é que a DC Entertainment não irá trabalhar tão somente com os quadrinhos, que estão sob o comando do vice-presidente da DC, DAN DIDIO.
    Ainda perdendo em vendas para a Marvel, a editora se destaca pela variedade do seu material, atingindo praticamente todo tipo de público e abordando qualquer gênero: western, guerra, terror, ficção científica, romance, aventura e super-heróis, é claro. Outro motivo de orgulho dos decenautas é a quantidade de prêmios Eisner, Harvey e Eagle que acumula, o que comprova que muitas vezes, vendas não significam qualidade.
    Apesar do centro das atenções ainda estarem nos super-heróis da editora, a DC é muito mais do que pessoas vestindo colantes coloridos. Já no mercado de graphic novels, onde são comercializados os mangás da DC por exemplo, a editora supera as demais, inclusive a Marvel. A medida que o mercado se desloca dos gibis para os livros, existem muitas chances da mais antiga editora de quadrinhos em atividade, passe talvez voltar a ser a maior em vendas.

Texto publicado originalmente no Farrazine #15 que você pode baixar aqui ou ler online aqui

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CONTOS DO FARRAZINE

CÍNTIA







Acordou numa cama estranha com uma estranha mais estranha ainda. Sua cabeça doía e os órgãos internos queixavam-se da noite anterior. A cabeça era o que mais doía. Gostava de pensar que a dor de cabeça era causada pelo crescimento do cérebro devido a um grande número de informações registradas na festa. Esse grande número de informações normalmente causa uma pane no sistema nervoso. Então você não lembra direito o que fez. E, de fato, você não usa o cérebro quando ele desliga. E é por isso que ele não se lembrava do nome da garota que dormia na cama.
Talvez ele nunca tenha sabido o nome dela. Questiona-se se ela sabe o seu nome. Muitos criticam esse estilo de vida. Dizem que não vale a pena se você não conseguir lembrar. Não se lembra do que fez na maior parte de 1994. E ele tinha quatro anos nessa época. E ele não bebia aos quatros anos. Claro que houveram exceções. Teve aquele restinho de cerveja num copo que ninguém sabia de quem era, no aniversário da tia Rita. Mas não era o suficiente para fazê-lo perder a memória. O que o incomodava era a tremedeira. Sempre tremeu. Até quando tinha quatro anos. Mas nos dias após a bebedeira ele tremia compulsivamente. Foi uma vez ao neurologista, que pediu um exame de sangue que ele não fez. Não fez porque tinha medo que também detectasse AIDS. Tinha medo do vírus do amor porque uma vez estava bêbado demais e não usou camisinha. Apesar de muitos falarem que ele não fez o exame pela sua fobia incontrolada de seringas. Não tinha problemas com agulhas. Tinha feito três tatuagens. Mas não suportava olhar para uma seringa. Apesar de ser a favor da liberação da heroína. As festas seriam melhores. A sobriedade era a pior parte da festa. Não. A ressaca que era. A sobriedade era passageira. E o ritmo dependia apenas de si mesmo. Já a ressaca parecia interminável. Quase tão interminável quanto o sono da garota anônima que acabava de acordar. Odiava essa parte. Ele queria ter sido esperto e ido embora antes dela acordar. Agora não sabe se espera até de noite. Se for embora após o almoço pode parecer interesseiro. Se for embora de noite pode parecer querer um relacionamento. Se for embora agora pode parecer grosso e acabar com tudo o que tenha possivelmente dito na noite anterior.

- Vou-me embora. Tenho que trabalhar. Qual o seu nome?

- É Carlos.

Texto publicado no Farrazine #20 que você pode baixar aqui ou ler online mesmo aqui

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O QUE VEM POR AÍ!!! BENGALA BOYS



Na semana que vem teremos o lançamento da edição #24 do Farrazine! YEAH!!!!

E além de muitas matérias, entrevistas, contos e etc, teremos uma HQ produzida por Lancelott Martins e Airton Marcelino introspectiva e aventureira.... Segundo as próprias palavras do Lancelott:

"Os Bengalas Boys foi uma mítica criada no facebook sobre velhos quadrinhistas que seriam, se estivessem no universo de seus personagens, também personagens. Então escreví um roteiros que conta o encontro/resgate de alguns deles e que, fatalmente, todos se encontraram no velho oeste. Eles estão perdidos em épocas diferentes, a grande maioria insconsciente do que foi ou era... 

O Chefe deles, que antes era uma Ordem - A Ordem dos Bengalas, BENGATONY, parte para o universo Q-Uadrinho para encontrá-los... 

A mítica nasceu mas ou menos assim, daí o Tony Fernandes (Pequeno Ninja entre outras publicações) inventou essa história de que nós quadrinhistas antigos, seriamos Bengalas pela idade, e aqui e ali terminamos por nos reunir sob este título e até foi criado um blog para registrar temas afins... O fato é que desenvolví avatares para todos eles e bolei juntamente com o Airton Marcelino estas SAGA, onde os autores podem navegar no universo dos quadrinhos e até encontrar seus personagens...."

Teremos as duas primeiras edições da saga no próximo Farrazine e continuaremos publicando segundo a produção dos autores.

Se você quer saber mais sobre os Bengala Boys é só esperar o dia 20 e ler o Farrazine... Mas se você é muito apressadinho e quer saber mais ainda é só clicar no linkk abaixo:


domingo, 11 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: RUSIARTE!

Por Rusiano Paulino
RUSIARTE traz um pouco da arte (e do roteiro) de Rusiano Paulino professor de Economia e amante de artes, através da colaboração de Leylla Gonçalves (roteiro de “A passagem”) e de Wanderline Freitas (arte de “Dádivas”) esta edição especialmente criada para o projeto AGOSTO PRA TUDO viaja pela mente humana e tem uma temática quase filosófica, em quatro contos levanta questões como: a eterna luta entre o bem e o mal, a importância das partes para o todo, as virtudes humanas e até mesmo a vida após a morte. 
Não perca tempo, clique aqui e explore um mundo de ponta cabeça onde em um pequeno espaço cabem grandes questionamentos. 

sábado, 10 de setembro de 2011

Agosto pra Tudo: Tiago sem Concert!

Mais uma obra com o selo de qualidade "Tiago Silva". Para quem não leu o "Tiras D+", BAIXE AGORA e conheça um pouco da versatilidade e humor crítico no traço desse jovem cartunista paulistano de visual e alma de roqueiro. 
Em "Tiago sem Concert", veremos outra faceta dele: o de ilustrador/caricaturista. A crítica pertinente e bem-humorada presentes em suas charges políticas produzidas para a imprensa, são revestidas por um novo prisma e certamente ninguém sairá indiferente as suas representações gráficas das mais ilustres personalidades do campo político e cultural do Brasil e do Mundo. Esse material ímpar, está a sua inteira disposição a aprtir de agora, basta um simples clique aqui e bom deleite.
Outras feras do traço também estão mostrando seus dotes nesta semana. Confira a seguir:

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: O PIAUIÊS!

 
Seguimos a trilogia de Joaquim Monteiro com esse título pra lá de bem-humorado e que mereceria sem dúvida uma versão impressa. Em Natal lançaram um dicionário de potiguarês e um manual com expressões populares num mini-formatinho de bolso de criança recém nascida, mas apesar disso, é um baita trabalho de pesquisa e de registro da memória popular e cultural de um povo. 
 
Da mesma forma o trabalho do Joaquim tem a mesma relevância e ganha um fator diferenciado em seu favor, seria totalmente ilustrado. Olha aí, poder público ou privado de Teresina, não deixem essa oportunidade escapar.  
 
O PIAUIÊS é um divertido manual para leigos e não iniciados no dialeto nordestino e particularmente piauiense, por meio de ilustrações legendadas, o Joca nós mostra o quão valorosa é sua contribuição para a cultura do Estado do Piauí, como também nos estimula (aos artistas) a tentar imitá-lo (não plagiá-lo). Um barato, mesmo.  
 
O PIAUIÊS! de Joaquim Monteiro, nossa primeira obra de cunho didatico dentro do AGOSTO PRA TUDO! Clique aqui para assegurar uma leitura rápida, informativa e divertida sobre o vocabulário de expressões populares do povo piauiense.


Obs:  essa obra não tem relação nenhuma com o livro do Paulo José Cunha, publicado pelo Cineas Santos. Embora seja considerada como a Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês e sua 2ª edição ser de 2007 (desconheço quando saiu a 1ª), ela não é ilustrada. O grande diferencial do trabalho de Joaquim Monteiro.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TOCA RAUL! - Resenhas do Farrazine

Meados de 1989. Eu tinha 13 anos e me lembro de um cara todo vestido de couro, ou seja lá o que fosse, se esguelando nalgum programa de TV. A próxima lembrança que me vem é de uma matéria do programa “Fantástico”, anunciando a morte de um cantor. Parecia algo importante, mas o que se fixou mesmo na minha cachola de moleque foi que aparecia um cara lendo um gibi do Tex, num videoclipe amalucado de uma música que falava de cowboys e medos. Quadrinhos são parte indelével de minha memória desde a mais tenra idade, mas creio que essa informação não vem ao caso.

Passou mais um tempo até que eu me deparasse, em uma festinha de aniversário, com um LP que me chamou a atenção. Aquela capa, na qual apenas aparecia um deserto e uma pintura, no melhor estilo foto 3x4, e o nome sugestivo: “O Dia Em Que a Terra Parou”. Foi então que notei que já havia visto aquele cara da foto. Era o tal do Raul Seixas. Daí, para me apaixonar pelas músicas, decorar todas daquele disco, e então correr atrás de qualquer material possível, fossem fitas cassete pra lá de piratas ou recortes de jornais e revistas, foi um pulo.

Neste mês de agosto de 2009, faz 20 anos que Raulzito nos deixou. Faz mais ou menos 19 anos que sou fã incondicional dele.

A esta altura, você deve estar se perguntando: “Tá! 20 anos que o cara morreu. Não vai rolar uma biografia, ou discografia, ou quaisquer outras grafias?” Não. Não vai. Sempre em datas “redondas”, a mídia em geral despeja toneladas de informações sobre um fato ou personagem; portanto, se você quiser saber sobre datas, números e informações úteis ou fúteis, basta um passeio rápido por esse mundão da internet, que estará bem provido de informação.

Aqui me reservo apenas ao direito de, mais uma vez, prestar homenagem a esse cara que me fez ser quem sou, seja isso bom ou ruim. Mas, aí, já é com meu psiquiatra!
Enfim, digo: prestar mais uma vez homenagem pois, lá naquela época de que eu falava antes, após me apaixonar pelas músicas do cara, eu costumava prestar minha homenagem religiosamente, mesmo que fosse anônima. Não me importava. Era usando uma camiseta; ou pendurando um cartaz, desenhado por mim mesmo, no saguão da escola, para lembrar mais um ano de ausência; disseminando minha paixão, fazendo com que outros amigos ouvissem também, da maneira como eu ouvia, as músicas; ou ainda, auxiliando num teatro, no qual fizemos um sósia do Raul saltar de dentro de um caixão, dublar algumas músicas e retornar ao caixão, levando cutucadas de um capetinha pintado de colorau! E isso tudo no coreto da praça de minha cidade natal. Algumas pessoas não gostaram muito.

O tempo passa, essa efervescência adolescente passa, as demonstrações mais apaixonadas acabam sendo relegadas a um tímido “Gosto muito.” em resposta a um “Ô cara, você curte Raul?”. Apesar de não deixar de sempre ouvir e buscar saber mais sobre a obra e o homem. Talvez tenha sido apenas o mundo, fazendo com que a gente tome a pose de cidadão respeitável, que ganha 4 mil cruzeiros por mês, alegre e satisfeito, e que contribui para o nosso belo quadro social. Mesmo que isso lhe doa no peito. Pois é, com o tempo, a gente acaba entendendo exatamente o que aquele magrelo queria dizer.

Mas deixemos as melancolias de lado, hoje não é o “Dia da Saudade”. Aproveitemos essa data “redonda” não apenas para enumerar discos, falar de datas, curiosidades, ditos ou desditos da vida do Raul. Vamos aproveitar para fazer o que de melhor podemos fazer para homenageá-lo, mesmo que seja anonimamente! Vamos ouvir e cantar suas músicas. Ouvir com o coração e cantar com a alma! Vamos fazer parte daquela trupe que enche o saco de qualquer banda em festas de formatura, bares e shows, gritando lá do fundão: TOCA RAUL!

Ou como diria o Zeca Baleiro: “Mal eu subo no palco, um mala, um maluco já grita de lá:
‘Toca Raul!’ A vontade que me dá é de mandar o cara tomar naquele lugar; mas aí eu paro, penso e reflito: como é poderoso esse Raulzito!


Texto publicado no Farrazine #13, escrito por Marcelo Mainardi, que você pode ler aqui ou baixar aqui

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O desafio de Shazam - Contos do Farrazine

“Então, eu vou chegar e vou dizer... Oi, Kathy, lembra de mim? Sou eu, Billy? Billy Batson? Se lembra?”

“Eu acho que você tá dando muito papo, sério. Muito lento. Muita conversinha. Precisa ser mais rápido.”


“Quieto, Mercúrio, sério. Me deixa ensaiar direito, ok? Eu gosto da Kathy, quero que tudo dê certo na festa... Vamos de novo... Kathy, eu...”
 

 “Sério, isso tá muito demorado... Ensaiar pra quê? Vai logo. Pra que esperar a festa? Liga pra casa dela. Quer dizer, pra que ligar? Vamos pra lá agora!”


“Mercúrio, não tem como fazer assim! Caramba! Eu tenho que esperar a hora certa, fazer direito, pelo amor de Deus!”





“Deus não, deuses, Billy Batson.”


“OK, Salomão, OK... Vacilo meu... Mas tá entendendo, Mercúrio? Eu tenho que esperar a hora certa, o clima certo, chegar do jeito certo... Eu só vou ter uma chance, entende? Preciso acertar a hora H pra...”

“Como assim, só uma chance?”

“Ah, saco... O que é que tem, Atlas?”

“Esse papo de "só uma chance"... Você tem várias chances! Você pode tentar e tentar e tentar e tentar e eternamente tentar, até que ela aceite. Você tem meu vigor, Batson! Você pode tentar e tentar e tentar, até que ela desista porque sabe que você pode continuar tentando e tentando e tentando e tentando...”

“Mas eu não quero vencer ela pelo cansaço, Atlas! Eu quero que ela goste de mim! É por isso que eu estou juntando coragem pra poder—“

“Nem diga isso...”

“Isso o quê, Aquiles?!”

“Coragem. Você disse que está juntando coragem.”

“E qual o problema nisso?”

“Por favor, eu sei o que é coragem. Eu atacava cidades sozinho sem pestanejar. Eu derrotava gigantes usando uma colher e meio pão dormido. Você está agindo como um franguinho por causa de uma mortal espinhenta de quatorze anos. Não me venha falar em coragem, por favor...”

“Que porcaria, vocês poderiam ficar quietos por um—“

“E continua demorando... eu já teria ido na casa dela...”

“Mercúrio, último aviso, para com isso! Será que eu não posso—“

“Claro que pode.”

“Posso o quê, Zeus? Você nem sabe o que eu ia falar!”

“Seja o que for, você pode. Eu tenho o poder, você tem o poder, então você pode. Se você quiser jogar um raio nessa tal da Kathy, você pode, sabia? Ou virar um animal e se deitar com ela, ou tomar a forma do marido dela...”

“Por que diabos eu faria uma coisa dessas?!”

“Bem... sempre funcionou comigo... eram outros tempos, eu sei... mas os clássicos nunca morrem, é o que dizem...”

“Será que vocês não podem ficar quietos pelo menos por cinco minutos pra que eu tente me preparar pra pedir em namoro a mulher da minha vida?! Será?! Hein?!”

“Receio que você esteja enganado, Billy Batson.”

“Ah, céus... O que será agora? Vai, diz logo, Salomão...”

“Bem, Billy Batson, primeiro, eu preciso dizer que qualquer um sabe que não existe racionalmente isso que você chamou de “mulher da sua vida”. Existem, é claro, pessoas com quem você vai ter maior ou menor compatibilidade, mas nada garante que a mesma pessoa vá refletir e corresponder aos seus desejos e anseios durante todo o período da sua existência.”

“Por favor...”

“E, mesmo se isso fosse possível, com ênfase no “se”, as possibilidades de que Kathy Beck seja essa pessoa são ínfimas. A bagagem cultural de vocês dois, ainda que reduzida, devido ao pouco tempo de vida de ambos, é totalmente oposta; o temperamento da Srta. Kathy é, de fato, considerado muito difícil por todos que a cercam e, ainda que hoje ela tenha um rosto realmente angelical, é possível notar, reparando nos traços de sua genitora, que este rosto gradativamente irá mudar, assim como o resto do corpo, fazendo com que ela ganhe peso rapidamente e passe a ter uma postura curvada e olhos caídos, que evidentemente passariam para os seus descendentes.
E não é sábio ter filhos com olhos caídos.
Como se não bastasse isto, é possível para qualquer pessoa com mínimas capacidades de observação notar que ela não nutre nenhum interesse por você, e sim uma especial afeição pelo jovem Bill Clarence, da equipe de atletismo.”

“Por favor, parem... sério...”

“Eu já teria ido até a casa dela e ficado com ela. Umas seis vezes...”

“Vocês não conseguem realmente calar a boca, certo? Todos precisam ficar dando opiniões o tempo todo?! Todo mundo já falou? Hein? Hein? Alguém ainda quer dizer alguma coisa?!”

“Bem, eu já teria—“

“Fora você, Mercúrio! Hércules, você é o único que ainda não falou... Vai, pode ir... Manda... Já desisti da festa mesmo...”

“Não, eu pensei em uma coisa, mas não é nada demais...”

“Vai, fala!”

“Não... nada não... besteira minha... tô tranqüilo...”

“Nesse meio tempo você poderia ter já—“

“Mercúrio! Cala-A-Boca! E Hércules, fala logo...”

“Sério, bobagem mesmo, nada demais... deixa pra lá...”

“OKk, então eu não vou mais—“

“Então... é uma coisinha... queria te perguntar...”

“O quê, Hércules? Fala logo...”

“Tipo... você, com esses braços magrinhos... já pensou em começar a malhar?”


Conto publicado no Farrazine #14 que você pode ler aqui ou baixar aqui

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Entrevista com Ben Templesmith

FARRAZINE - Ben, seu traço é reconhecível por qualquer amante de quadrinhos. A intensidade e brutalidade das cenas (e isso é uma coisa boa, a propósito) é palpável. A questão é: como você veio a desenvolver esse traço? Qual sua trajetória, o processo da criação? Digo desde o dia em que você tentou desenhar pela primeira vez, como foi, que técnicas você experimentou e quais você achou melhores para os resultados desejados? Sei que é uma pergunta grande, mas espero que diga bastante sobre você, como artista.

Ben Templesmith - Tentativa e erro, na maior parte. Eu simplesmente gosto de seguir minhas influências. E prazos de entrega também influenciam o estilo, pra ser honesto. Então, é uma combinação de várias coisas. Eu sempre gostei de misturar técnicas e de ser diferente. E gosto de cores tanto quanto do desenho, então talvez isso explique um pouco (sobre o estilo que desenvolvi).

FZ - E quanto a outros artistas europeus, como Thomas Ott (desenhista de quadrinhos de horror suíço)? Poderia comentar um pouco daqueles cujo trabalho te deixou alguma impressão?

BT - Não posso dizer que tenho influências européias nesse sentido, embora Victor Ambrus, um ilustrador de livros, seja uma de minhas maiores.

FZ - Recentemente houve um tipo de “invasão”, com quadrinistas brasileiros integrando o mercado norte-americano de quadrinhos. Alguns exemplos são os gêmeos Bá e Moon, Rafael Grampá, e também artistas como Joe Bennet e outros. Eu gostaria de saber se você conhece seus trabalhos e o que você pensa deles (presumindo que você conhece).

BT - Bom, Bá e Moon e agora Grampá são estrelas super talentosas, até onde eu entendo. Choro quando vejo o trabalho deles. Queria ser tão bom. Não tenho familiaridade com o trabalho de mais ninguém especificamente do Brasil.

FZ - Falando sobre o Brasil, você já esteve aqui antes, durante a FIQ!. O que achou? O que chamou sua atenção e quando você volta, cara?

BT - Adorei. Um festival único. Um pouco europeu, outro tanto americano. Muito interessante, isso sem mencionar o país em si. Me diverti muito.
Não faço nem ideia de quando vou voltar. Provavelmente quando convidado! É um caminho longo e uma viagem enorme!

FZ - Quais seus pensamentos a respeito da adaptação de 30 Dias de Noite para a telona? Você mudaria alguma coisa?

BT - Eu achei bom. E isso teve muito a ver com os esforços do diretor, David Slade. Fora isso, eu não pensei sobre essas coisas. Eu não tenho como influenciar o processo e prefiro seguir meu caminho adiante. Não tem nada que eu pudesse fazer “de melhor”, relacionado ao filme. Tive pouco a ver com ele.

FZ –
Há mais algum projeto seu sendo dirigido à telona (ou à telinha)? Fora a adaptação para seriado dos livros de 30 Dias de Noite, digo? (A propósito, isso ainda não chegou no Brasil. Vergonha, vergonha.)

BT - Há a possibilidade de algo com “Bem-vindo a Hoxford”, que creio ter uma chance… mas sei pouco mais que isso a respeito desse assunto.

FZ - Você fez algumas parcerias “explosivas” como, por exemplo, com Steve Niles e Warren Ellis. Há algum outro escritor com quem você gostaria de trabalhar?

BT - Nenhum em específico. Na realidade, eu simplesmente gosto de trabalhar com amigos ou em coisas interessantes. Fora isso, prefiro trabalhar sozinho.

FZ - A propósito… super-heróis. Agora nós entendemos em grande parte a atração do gênero: superpoderes são legais, há muito apelo visual, você pode incluir praticamente tudo nas tramas, fantasias de onipotência geralmente vendem porque são agradáveis e, francamente, quem gostaria de ler uma história sobre seu vizinho? Como resultado, temos a maior parte do mercado de quadrinhos voltado para super-heróis. Recentemente, entretanto, têm aparecido títulos e artistas (presente companhia incluída) que romperam esse paradigma de alguma maneira, apresentando histórias que enfocavam outras coisas, não apenas adultos em colantes com as cuecas por cima das calças. Temos 30 Dias de Noite, Walking Dead, Fall of Cthulhu, Unknown Soldier, Crossed, Do Androids Dream of Electric Sheep?, só pra citar os primeiros a pipocar na mente. Gostaria de saber suas ideias a respeito disso. As pessoas estão, finalmente, prontas para outros gêneros?

BT - Não. Não na América (do Norte), pelo menos. Será sempre dominada pelos super-heróis. É simplesmente o jeito que as coisas acontecem. Mas boas histórias sempre terão algum sucesso. E essas são as razões para os projetos que você citou terem alguma popularidade, penso eu.

FZ - Parece que quadrinhos e cinema estão apaixonados, nesses dias. Tem havido um número enorme de adaptações de quadrinhos para a telona. De novo, os primeiros, feitos recentemente, a pipocarem na mente como exemplos: Scott Pilgrim, O Besouro Verde, 30 Dias de Noite, Jonah Hex, sem mencionar os super-heróis Marvel e DC, como Lanterna Verde, Batman, Homem de Ferro, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, e assim por diante... você acha que isso se deve à indústria finalmente ter desenvolvido a tecnologia necessária para tornar essas histórias em “realidade cinematográfica”, já que necessariamente teriam um monte de efeitos especiais, ou há realmente uma demanda maior por fantasia? Se houver, por quê?

BT - É em sua maior parte devido a Holywood querer fazer uns bons dólares através de propriedade intelectual firmada, já que tiveram alguns sucessos com o tema. É o jeito que as coisas são. O dinheiro dirige o mercado. Sim, filmes visualmente maravilhosos podem ser feitos hoje, mas eles custam muito… e o consenso geral é o de que muitos filmes baseados em quadrinhos podem se tornar sucesso. Vamos ver quanto tempo dura essa tendência, na verdade.

FZ - Você trabalha em casa? Qual seu ritmo? Quantas horas por dia você trabalha, normalmente, quantas páginas são feitas durante essas horas, o que exatamente você faz nelas (lápis e/ou pinturas, etc.)? O que você costuma ouvir enquanto trabalha?

BT - No momento não tenho ritmo, e estou meio que correndo atrás da máquina em tudo... acabei de mudar para uma nova cidade, então realmente preciso organizar um novo estúdio o mair rápido possível. Geralmente eu trabalho à noite, até alta madrugada. Se ouço música enquanto trabalho, são frequentemente trilhas de filmes. Pra efeitos de ambientação.

FZ - Tenho 2 desafios de “os dez melhores” pra você: Quais as dez Graphic Novels mais visualmente atraentes, e quais os dez filmes/animações também mais visualmente atraentes? Isso é para o leitor se familiarizar com seu gosto e para efeito de comparação com sua produção.

BT - Eu não consigo fazer o jogo de “os dez melhores”… mal consigo pensar em dez de qualquer coisa por esses dias. Digo mais, isso é muito subjetivo e eu iria mudar de ideia constantemente. Mas Asilo Arkham, Palestina (de Joe Sacco) e 300 estariam lá em cima na lista.
Filmes... bom, Aliens, A Coisa, talvez Dark City. Muito visuais. De estilo um tanto tradicional, vistos agora, talvez. Mas eles funcionam.


FZ - Recentemente, em um blog brasileiro (VertigemHQ) que traduz e divulga seu trabalho, Wormwood, você fez um comentário que gerou uma enorme discussão. O que eu gostaria de perguntar é: o que você pensa dos scans? Eles ajudam a divulgar o trabalho ou são prejudiciais? Nesse caso específico, seus fãs brasileiros foram capazes de conhecer um de seus trabalhos que provavelmente não seria publicado aqui em muito tempo ainda. (Uma informação: o blog publicou seu PayPal para que os fãs pudessem contribuir com o trabalho do autor de que gosta, e argumenta que o objetivo seria a divulgação, em vez de meramente roubar os trabalhos.)

BT - Ah, isso foi um tempinho atrás... você quer dizer onde as pessoas roubam/pirateiam o trabalho, essencialmente (porque é isso o que é, e eu mesmo já baixei alguns filmes!)? Bom, a respeito de meu trabalho, as pessoas que fazem isso virtualmente garantem que meu trabalho não chegará nunca ao Brasil. Se havia pouca demanda por ele antes, certamente não haverá nenhuma se esse trabalho já está todo traduzido e baixado de qualquer maneira. Sou um peixe pequeno, só faço dinheiro através das vendas de meus quadrinhos, eu não sou pago pra fazer Wormwood. Então, é um pouco triste. E nunca vi nenhuma doação por PayPal, embora tenha sido uma cortesia legal, depois que eu pedi. Não há isso de “propagar a palavra”, “divulgar o trabalho”, entretanto. Ainda é basicamente roubar um artista que não vai ver nenhum benefício por seu trabalho duro. Eu posso compreender, claro, e também sou um hipócrita até certo grau, mas é assim que vejo o assunto.

FZ - Finalmente, alguma mensagem pra seus fãs no Brasil?

BT - Bem... olá! Obrigado até por saberem quem sou! Por favor comprem meus livros, se sabem ler em Inglês, ou peçam a editoras brasileiras que os publiquem... é o melhor jeito e me permite pagar meu aluguel. O que é uma coisa ótima de se fazer de vez em quando.

Matéria publicada no Farrazine #21 que você pode baixar aqui ou ler online aqui

sábado, 27 de agosto de 2011

AGOSTO PRA TUDO: MADE IN PB!

Um trabalho primoroso foi produzido por essa jovem e multitalentosa paraibana, chamada, Paloma Diniz
 
Com o seu talento individual, ela sozinha já bancaria uma webcomic solo, só com seu material autoral e suas tirinhas, mas preferiu prestar uma baita homenagem ao Studio Made in PB: apresentando seus colegas de labuta e os respectivos estilos gráficos, além de um breve, mais consistente histórico desse estúdio paraibano que já tem mais de uma década nas costas de produção. 
 
Mais a caixa de PALOMADORA não para por aí, tem mais: entrevistas que ela fez e matérias que foram publicadas pela webmagazine FARRAZINE, nossa co-irmã e parceria no AGOSTO PRA TUDO! 
 
Paloma ainda é tão generosa que cedeu parte de seu espaço para que outros colegas contribuíssem e divulgassem a sua arte. Não sou a HEBE CAMARGO, mais a Paloma é sem dúvida "uma gracinha!". 
 
E mais, Made in PB é disparada a webcomic com o melhor projeto de layout e diagramação das que passaram pelas minhas mãos. 
 
Made in PB na área galera! Cliquem aqui e tirem as suas próprias conclusões!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

FARRAZINE # 23


Atenção respeitável público! A mais nova edição do Farrazine está no ar!

E dessa vez a edição sai do forno junto com o projeto "AGOSTO PRA TUDO" da República dos Quadrinhos do nosso companheiro Beto Potyguara!
Esta iniciativa já está no ar e você pode ler mais detalhes nas páginas do Farrazine.

Uma visão divertida do reboot da DC feito por Ed Palhares e MauMoraes. Temos também a participação de Doug Lira e seu "Traço a Traço", além de uma linda tirinha de Alberto Pessoa e dos Quadrinhos Gonzo, de Jussara Nunes!


Pablo Grilo estreia com o conto "Andanças por um Local Distante", e temos também "Vicent & Van Gogh" de Manassés Filho.

Continuamos com uma supermatéria sobre Graphic Novels autobiográficas assinada por Rafael Martins; Nano Falcão analisando os filmes da Marvel e DC no cinema; Fernando Schittini esquadrinhando Dream Theatre; além das participações habituais de Rita Maria Felix da Silva, Rafael "Hiro" Machado Costa, Brenno Dias, Rafael Oliveira, Red Baron Blues, Bráulio Taumaturgo e etc...

E para não perder o hábito das entrevistas, trazemos uma bacanuda com a galera do "Pipoca e Nanquim".

Chega de detalhes agora, não é? Vai, clica aí embaixo e leia o Farrazine #23!!!



Publicado em 20.08.11. 86 páginas.





VEJA AQUI MESMO!




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

CONTOS - O Criador e o Espírito

Por Rita Maria Felix da Silva


Num recanto fora da realidade, o Criador do Universo ponderava. Estava de pé, braços cruzados, o semblante pesaroso e sombrio. Em seu ombro direito, o Espírito, segundo membro da Trindade, repousava.
Após o que pode ter sido alguns segundos ou até mesmo uma eternidade, ele apontou para sua obra e assim falou:

— Veja, Espírito, o que tragicamente ocorreu com este universo: corrompido de modo irrevogável, irremediavelmente degenerado, desviado e perdido de qualquer propósito original. Um reino de caos e maldade, uma abominação que ofende a si mesmo… E a mim. Que isso termine agora!

E estalou os dedos da mão direita e o universo se contorceu, gritou e explodiu. Da infinidade de energias liberadas, o Criador ordenou que um novo cosmo começasse a se formar, enquanto lágrimas escorriam-lhe dos olhos.

— Mais uma vez você chora. — observou o espírito.
— Sim. Essa foi a versão 2718 do universo. Uma das que mais gostei… Particularmente aquele mundo…
— A Terra?
— A Terra. Eu tinha muita esperança sobre ela. Você me conhece: não há maior felicidade para mim que criar um universo… Nem tristeza mais profunda que destruir um. Trilhões de seres extintos num só instante. Nada me machuca o coração mais que isso.
— Criador, embora nenhuma coisa possa ser escondida de mim, sempre escolhi respeitar sua privacidade. Há, porém, uma pergunta que, há tempos, desejo fazer. Importa-se?
O Criador do Universo sorriu, um riso que poderia gerar uma centena de sóis numa galáxia e apagar uma centena em outra:
— Não, Espírito. Entenderei como uma cortesia entre nós. Pergunte o que desejar.
— 2718 universos. Todas essas vezes, em nenhuma ponderou sobre a moralidade disso? Quero dizer, não seria mais correto deixar que o universo — se corrompido, pervertido, como fosse — continuasse existindo, do que retirar a vida de tantas criaturas? Nunca se questionou sobre o que está fazendo?
— Todo o tempo, Espírito, todo o tempo… — respondeu o Criador e naquelas palavras havia dor suficiente para que a população de um bilhão de mundos cometesse suicídio — Mas… Vamos. Devemos agora ir falar com o Terceiro de nós… Meu Filho. Suponho que ele vai querer tentar salvar este novo universo também.

Lá foram ambos. O Criador nada mais disse o resto do caminho. O Espírito cantarolou a melodia mais triste que se possa imaginar.

FIM
Dedicado a Jean Gabriel 

Publicado no Farrazine #20 que você pode baixar aqui ou ler online mesmo aqui

domingo, 7 de agosto de 2011

CONTOS DO FARRAZINE

O Trabalho Irrita o Homem (e os gatos também)! - por Jacarandá (Jussara Gonzo)

Enrodilhar-se no lugar mais macio e quentinho que encontrar e ali ficar até o Juízo Final. Este é o grande objetivo da vida de um gato. E, sinceramente, é o meu objetivo também! E se duvidar, de todas as outras pessoas deste mundo.

O único motivo pelo qual as pessoas trabalham tanto é, para no futuro, não terem mais que trabalhar. Por mais que o profissional ame o seu trabalho ele, um dia, vai querer largar aquilo. Não porque acaba desgostando do que faz, de jeito nenhum.
Mas há um momento em que, por mais que ame a literatura, todo escritor gostaria que seus livros se escrevessem sozinhos...

Todo atleta gostaria que seu corpo se mantivesse em forma para sempre...

Toda cozinheira gostaria que os pratos deliciosos que faz ficassem prontos sem a ajuda dela...

Todo publicitário gostaria que suas peças ficassem prontas antes do deadline...

Todo advogado gostaria de ferrar os outros sem ter que conferir pela 10985° vez o código penal...

As pessoas trabalham feito mulas para, enfim desfrutarem da paz que merecem. Mas veja só: muitos, quando se aposentam, ficam completamente caducos! Trabalharam tanto que não sabem mais como ficar sem fazer nada. Ficam procurando coisas para fazer. Vovozinhas fazem tricôs mais rápido do que qualquer máquina têxtil. Vovozinhos adoram mexer em calhas e consertar coisas que não sabem como funcionam.
E, acima de tudo, trabalhamos para poder nos gabar um dia, principalmente aos mais novos: “Eu levantava às cinco da manhã todos os dias para ir trabalhar!”; “No meu tempo não tinha internet, nós tínhamos que correr atrás da notícia na raça mesmo!”; “Windows? Frescura! Na minha época eu só programava com zeros e uns!”.

Falam para se mostrarem superiores, provarem que podem encarar qualquer coisa a hora que for preciso (ou pelo menos podiam). “Na sua idade eu criava galinhas, ordenhava vacas, fazia minha própria manteiga e entregava o briefing antes do galo cantar!”. E sentem-se ultrajados quando perguntam como foi o seu dia e você responde: “De manhã, acordei às onze horas, almocei, fiz a siesta e passei a tarde inteira jogando Nintendo”.

Chamam você de vagabundo (como se resgatar a princesa Peach não fosse trabalhoso...), de preguiçoso.
Caluniam os jovens de vida boa, dizendo que jamais sentirão a satisfação do trabalho. Mas a bem da verdade é que, se o trabalho tivesse lhes trazido tanta satisfação assim, jamais teriam se aposentado e não ficariam se queixando das peripécias pelas quais passaram.

No entanto, haverá uma hora que nós também teremos que dar duro, MUITO duro! Mais do que já pensamos dar hoje em dia. Por isso escolhemos a profissão que mais amamos para, no final da vida, perceber que NÃO HÁ profissão que você ame: todo trabalho é um porre.

E até o Juízo Final, nossos gatos domésticos mimados serão os únicos que verdadeiramente alcançarão a iluminação divina. Pois eles, ao contrário de todos os outros seres vivos, sempre conseguirão atingir seu objetivo: enrodilhar-se no lugar mais macio e quentinho que encontrar e ali ficar... sem se preocupar com o despertador ou com o colesterol acumulado nas veias se você não levantar seu traseiro gordo da cama e praticar algum exercício.


Texto publicado no Farrazine #14 que você pode ver online aqui ou baixar aqui

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

RESENHAS DO FARRAZINE

Blues, parte 3 - por Snuckbinks


Muitos cantores de Blues, não apenas cantavam suas músicas, mas acabavam vivendo elas. Por isso acabavam-se em bebedeiras, e não raro, em drogas.

O próprio Robert Johnson, acabou vítima de seu vício, pois misturaram veneno à sua bebida, que fatalmente trouxe um fim precoce á sua carreira.

Muitos outros músicos talentosos também colheram os frutos amargos do pacto com o demônio da garrafa.

Entre eles Little Walter, um dos maiores gênios, se não o maior, gaitista à deixar sua contribuição para o mundo da música, podendo ser comparado à Jimi Hendrix e Charlie Parker.

Little Walter ficava incomodado pelo som de sua gaita ser abafado pelo som da guitarra, assim ele usou um artifício inovador, na concha que formava na mão para tocar a gaita, ele colocou um microfone, assim amplificou o som de sua harmônica.

E além de usar isso para amplificar o som da gaita, ele ousou experimentar novos timbres e efeitos inéditos, assim ele acabou criando e utilizando a distorção eletrônica, inspirando os gaitistas posteriores.

No entanto, Little Walter era alcoólatra e tinha um temperamento difícil, por isso se envolvia sempre em brigas, se você fizer uma busca no google por fotos dele, notará as diversas cicatrizes resultantes de seu comportamento, e foi como resultado de uma dessas brigas em que ele ficou gravemente ferido, e morreu, devido à complicações de uma trombose coronária, vindo a morrer no dia 15 de fevereiro de 1968.

Infelizmente o que levava os músicos ao mundo das drogas licítas ou ilícitas era o rítimo alucinante com o qual se apresentavam, acordos entre empresários, impedia que fizessem shows em localidades muito próximas, assim eles tinham de percorrer distâncias muito longas em períodos curtos, e sempre acabavam recorrendo a medicamentos, bebida ou drogas para suportar esse ritmo alucinante.


Texto publicado no Farrazine #17 que você pode ver online aqui ou baixar aqui

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O QUE VEM POR AÍ!

Marvel e DC:

VALE A PENA FERRAR TUDO PELOS FILMES?




A maioria de vocês que chegou até este texto, curte histórias em quadrinhos. Portanto, deve saber sobre o relançamento das revistas DC em setembro. Agora, se por um acaso do Google ou se você estava num universo paralelo nos últimos meses e não sabe de nada, resumo da ópera: A DC Comics, segunda maior editora de quadrinhos dos Estados Unidos – e proprietária do Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash e Lanterna Verde, para citar os mais famosos – vai zerar todas as suas publicações e relançar tudo a partir do número 1. Mais drástico ainda: os personagens vão apresentar novos visuais, novas origens e vários detalhes da sua história serão alterados.
O objetivo é alcançar “novas audiências”. A DC há anos é a segunda em vendas nos Estados Unidos – atrás da Marvel Comics, a proprietária do Homem-Aranha, Hulk, X-men, Capitão América, Homem de Ferro, Thor, pra também citar os mais famosos. Mas nos últimos tempos a crise econômica dos EUA afetou o mercado de gibis e as vendas caíram vertiginosamente (não só da DC). Claro, há tempos não se vendia revistinhas como antes, os jovens preferiam os videogames, animes, e outros badulaques tecnológicos.
Insatisfeitos, os executivos da Aol Time Warner – corporação dona da DC Comics – determinaram mudanças drásticas para tentar alterar o quadro. Não se trata só de vender mais que a Marvel, mas acima de tudo, vender mais do que atualmente! Porque esses gibis não são um negócio tão lucrativo quanto antes. O objetivo do relançamento dos personagens é atrair a atenção para as revistas e conquistar novos leitores. Aposta-se muito no meio digital como novo meio de leitura de milhares de pessoas, baseado na explosão dos tabletes.

VISUAIS PARA NOVAS MÍDIAS

O que mais causou estranheza nos antigos leitores foi, sobretudo, os novos visuais propostos para os heróis. A “cueca por cima das calças” foi abolida – a começar pelo “intocável” uniforme do Superman que praticamente não mudou em 70 anos! As heroínas deixam de mostrar as pernas de fora, mostrando também uma tendência ao politicamente correto. Mas o que incomoda é o aspecto de “armaduras” que as novas roupas coloridas têm.
Os uniformes foram desenvolvidos por JIM LEE, o novo diretor de criação da DC desde o ano passado. É ele que desenhará a principal revista da nova linha, a Liga da Justiça, equipe onde participam os mais populares heróis da editora. Lee disse que os novos uniformes seguem “tendências modernas” e “foram pensados para adaptações em outras mídias”.
Adaptações para outras mídias! Eis a palavra mágica! Eis uma tendência seguida não só pela DC, mas há anos adotada pela Marvel Comics, embora não de forma tão escancarada.
Como os gibis deixaram de dar dinheiro, a maior fonte de lucro desses personagens ainda são suas adaptações para o cinema, videogames, desenhos animados e a própria venda dessas marcas e imagens para produtos como cadernos, lancheiras, agendas, lápis, mochilas e todos aqueles penduricalhos manchados!
Um filme também empurra as vendas das combalidas revistinhas. Não à toa nos meses de lançamento de um filme baseado em histórias em quadrinhos, as vendas da revista aumentam. Só para citar um exemplo, no ano passado, entre as dez graphic novels (encadernados) mais vendidos nas livrarias, cinco eram volumes da série Walking Dead (Os Mortos Vivos) que estourou numa série de TV a cabo!

O texto completo, escrito por Nano Falcão, sairá na edição #23 no próximo dia 20 de agosto! 


Não percam!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

FARRAZINE Nº 22


Voltamos com a edição #22 repleta de matérias e novos colaboradores!

Desta vez, entrevistamos o André Dahmer (na verdade, o mini-dahmer) e ainda conversamos com o Leo, autor de uma das bedês mais aclamadas na Europa (Aldébaran), e falamos sobre ditadura, quadrinhos, política e etc...

Conheça um pouquinho do Estúdio Vejo em Cores de Bianca e Adam num bate-papo bem pessoal e delicie-se com a HQ Furry dos nossos novos companheiros Guilherme de Sousa e Thaís Leal!

Temos ainda a volta de Nano Falcão com matérias bombásticas, a coluna do Filipêra (Nerds Somos Nozes), um conto com a personagem Garen de Rita Maria Félix da Silva,  terceiro e quarto capítulos da HQ Cidade Nua de Snuckbinks e Rafael Camargo (Que ainda assina Aulas de Roteiro), música com Red Baron e Fernando Schittini e contos escritos pelo sempre sagaz Hiro.

E nossa amiga Paloma Diniz trouxe uma superentrevista com o desenhista David Lloyd, além de duas matérias sobre os quadrinhos nacionais!

Bom, já falamos demais, não é?

Então baixe ou leia on-line mesmo nos links abaixo:










 
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