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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

HIPSTER HITLER!


RESENHAS GONZO!

Começando com uma HQ on-line: Hipster Hitler!


Descobri este site nas minhas andanças pelo cyberespaço. Esta webcomic, criada pelos misteriosos “JO” e “APK”, mostra uma hipótese bizarra: e se Hitler também tivesse se identificado com o movimento Hipster? E se ele agora usasse óculos de aros grossos, camisetas com frases jocosas, usasse franjinha estáile (ops, mas isso ele JÁ usava!), se tornasse um ecochato (isso ele também era…), tivesse alma artística (oh, isso ele TAMBÉM tinha!) e se ligasse no movimento “underground”?
O resultado é um pós-adolescente autocrático, que anda de bicicleta para economizar gasolina, curte arte de vanguarda (que, curiosamente, faz referências à épocas posteriores à década de 40), abomina a celebridade, escreve haikus e se preocupa excessivamente com a estética do movimento nazista. E o mais curioso é que quase chega a fazer sentido!
Desde jovem, Adolf Hitler sempre pensou diferente dos demais. Tinha grandes pretensões artísticas, estava longe de ser um conformista, era vegetariano e a favor do direito dos animais – ideais bastante avançados para a época. Era um orador performático e um ator inato e carismático. Sim, era um racista motherfucker, e curiosamente o anti-semitismo era a coisa mais “parecida com os outros” que ele tinha – não podemos nos esquecer que o ódio aos judeus não era exclusividade da Alemanha naqueles tempos. O apelo estético também era muito importante para Hitler – assim como o é para os Indies de hoje (aliás, o documentário ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO, de 1992, nos fala bastante deste lado mais “artístico” do nazismo).
Explorando estas pequenas brechas, as piadas hipsterescas parecem cair quase perfeitamente com a personalidade do Führer original, o que chega a ser assustador!
O site tem causado um grande burburinho net afora, também pudera! Estamos falando do homem mais conhecido do mundo – e também o mais odiado. Alguma notoriedade haveria de acontecer bem depressa. E os autores, que não são bobos nem nada, estão começando a lucrar com isso. Primeiramente, com a venda das curiosas camisetas que Hitler usa na webcomic – todas com uma frase irônica que mistura nazismo com cultura “underground” e roqueira.
O site existe desde agosto de 2010 e conta com cerca de 30 historietas de uma página. O traço do autor é simplório, provavelmente feito com imagens de fotos contornadas, mas quem se importa?! É bom o suficiente para ilustrar o Hitler mais carismático que eu já vi (por mais errado que isso seja!), com direito a expressões e poses que o retratam como um indiezinho afetado perfeito!
Você pode ver as HQs desde o começo acessando o site hipsterhitler.com. Estão todas em inglês e algumas coisas engraçadinhas em alemão. Conhecer um pouco de História ajuda na hora de entender algumas piadas, então faça seu dever de casa! Não será difícil, uma vez que o que mais andam pipocando pelas bancas por aí são revistas de História – mais especificamente falando sobre a Segunda Guerra Mundial.
Vale a pena conferir! E, quem sabe, isto não seja o começo de uma onda de camisetas do Hitler… tal qual as do Mussum e do Seu Madruga!

Texto publicado no Farrazine #20 que você pode baixar aqui ou ler online mesmo aqui

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Resenhas do Farrazine



    OS 75 ANOS DA DC COMICS
    A editora de quadrinhos mais tradicional do mundo comemora 3 quartos de século. O que você sabe sobre ela?


    O selo “DC 75 anos” nas capas das revistas da editora Panini no Brasil pode ter pego muitos leitores de surpresa. Afinal, não faz três anos, em 2008, a própria Panini comemorou “Os 70 anos da DC”. Como é possível três anos depois a editora já ter 75?
    A mancada foi da editora ítalo-brasileira. Erroneamente, muita gente acredita que a DC tenha começado com a Action Comics nº 01, de junho de 1938. Mas a empresa começou a ser formada de fato no ano de 1934, tendo sua primeira publicação em 1935, data que é considerada oficialmente pela empresa como o nascimento oficial da editora. Assim, agora em 2010 é que se darão as comemorações dos 75 anos, tendo sido anunciada uma mini-série sobre as várias gerações de heróis da editora, uma edição pra falar de cada década, e um encadernado de luxo com as primeiras edições da “More Fun Comics”, a primeira revista da editora.
    A DC é o resultado da fusão de várias empresas, e assim continua até os dias de hoje. A história começa com um major que resolveu editar histórias em quadrinhos, Malcolm Wheeler-Nicholson. Os primeiros gibis começaram a aparecer nos anos 30, como compilações das tiras de quadrinhos publicadas nos jornais. Logo o material de republicação acabou, e Wheeler foi pioneiro na idéia de produzir material inédito para os gibis.
    Para isso ele fundou a National Allied Publications e começou a procurar autores que produzissem histórias em quadrinhos a um preço barato. Como a “nata” dos profissionais já estava bem empregada nos jornais, o que sobrava era gente com projetos rejeitados pelos diários, ou seja, em geral material de baixíssima qualidade.
    A primeira revista da editora seria a “FUN” (Diversão), cuja principal atração eram histórias de humor estreladas por animais e meninos peraltas, que era o gênero que mais fazia sucesso nos jornais da época. Desde o princípio estava claro para o editor que seu público alvo eram as crianças e por muito tempo a linha editorial foi com esse viés.
    Para imprimir a revista, o Major procurou alguém que “fizesse fiado” para ele. Encontrou oportunidade com Harry Donenfeld, que já participara de todo tipo de golpe na juventude, inclusive traficar bebida ilegal, e havia sossegado o facho imprimindo revistas pornográficas e pulp magazines de conteúdo erótico. Donenfeld, que dizem as más línguas também era agiota, aceitou o acordo, e o Major não percebia que futuramente isso seria a causa da sua ruína.
    Além da FUN, outra revista que o Major criou foi a New Comics, também em 1935. Em poucas edições a Fun começou a diversificar seu leque de atrações, e publicar também histórias de detetives, pirataria e aventura. Na edição número 06, começaram a aparecer as histórias do “Doutor Oculto”, um material que o Major comprara de uma dupla de Cleveland, Jerry Siegel e Joe Shuster. Exatamente, você sabe quem eles são...
    O Doutor Oculto era inicialmente um mágico/detetive, mas não foi exatamente um sucesso, embora não fosse rejeitado pelos leitores. Ele foi publicado na revista até 1938 até que seus criadores se vissem ocupados com outra série... Nessa altura, a Fun já se chamava “More Fun Comics”.
    As histórias de detetive estavam fazendo sucesso devido principalmente as pulp-magazines, - revistas de literatura barata - e o Major resolveu criar sua primeira revista temática, com histórias sobre crime, a Detective Comics. No entanto, o esperto Harry Donenfeld, de olhos nas boas vendas da More Fun Comics e da New Comics, disse que só imprimiria “a crédito” a nova revista se eles fizessem uma parceria, ou seja, criassem uma nova editora para editar o gibi.
    Assim nasceu a Detective Comics Inc. Devido aos rolos de Harry na justiça americana, ele colocou como seu testa de ferro o contador e amigo Jack Liebowitz. Liebowitz era uma fera nos números, e através dos anos ia provar ao major que suas revistas estavam dando prejuízo, apesar de estar dando lucro, e que o Superman custava tanto para publicá-lo quanto os milhões que arrecadava para os seus ingênuos criadores.
    Detective Comics começou a ser publicada em dezembro de 1936. Entre suas primeiras atrações estão os detetives Slam Bradley, também criado por Jerry Siegel e Joe Shuster, e as aventuras de Speed Saunders, de Fred Guardiner (o criador do mago Zatara). A revista também traria a série Spy, de Siegel & Shuster, e o “Vingador Escarlate”, atualmente considerado “o primeiro vigilante mascarado” na atual continuidade do universo DC.
    Por causa das dívidas do Major com a gráfica de Donenfeld, em um ano, ele teve que ceder sua parte para o agiota. Assim, não teve a sorte de ver o que seu novo projeto, a revista Action Comics, se tornaria. O editor Vin Sullivan assumiu a publicação, a mando de Donenfeld e Liebowitz, e entre as várias historietas selecionadas, estava uma que se chamava “Superman”, daquela dupla de Cleveland que tantas séries já faziam para os editores.
    Action Comics 01 deu início a “Era de Ouro dos quadrinhos”. Nunca se vendeu tanto gibi como naquela época. As tiragens eram de milhões de exemplares. Demorou um pouquinho pros editores se tocarem que a causa era o Superman, o primeiro “super-herói”, um sujeito com super-poderes fantásticos que combatia o crime numa roupa espalhafatosa.
    Logo todos os editores queriam o “próximo Superman”. O mais forte candidato apareceu em 1939, no número 27 da Detective Comics: The Bat-Man (com hífen mesmo, que logo cairia em desuso). No mesmo ano apareceu O Sandman, na revista New Comics que passou a se chamar “New Adventures Comics”, que marcava sua transição de histórias de humor para histórias de aventura (principalmente com super-heróis).

   A ALL-AMERICAN COMICS E A SOCIEDADE DA JUSTIÇA

    No oba-oba do Superman, várias novas editoras pipocaram nos Estados Unidos, em busca do dinheiro fácil. Os artistas eram mal-pagos, os gibis baratos vendiam aos milhões, era lucro certo para editores audaciosos e caras-de-pau. Max Gaines pode ser creditado com o inventor da revista em quadrinhos, já que ele tinha tido a idéia, em 1935, de dobrar uma página de jornal em quatro e imprimir em cores, criando assim o formato.
    Sem muita grana, mas com energia ambiciosa, ele não só contratou artistas que pagaria quando o material fosse publicado, como buscou uma gráfica onde pudesse “fazer fiado”, ou seja, a do nosso amigo picareta Harry Donenfeld. Harry topou, com a condição que a nova editora tivesse como sócio o seu amigo Jack Liebowitz, já que na Detective Comics Inc ele era apenas um laranja.
    Max topou e assim nasceu a All American Publications. Pra se ter uma idéia da importância dessa “pequena editora”, em janeiro de 1940 eles lançaram o gibi “Flash Comics”, que além de logicamente trazer a primeira história do “homem mais rápido do mundo”, também apresentou ao mundo super-heróis como o Gavião Negro e Johnny Trovoada.
    Ma a primeira revista da editora foi a All American Comics, que inicialmente tinha como seu carro chefe a popular tira de quadrinhos dos jornais Mutt & Jeff. Mas isso durou pouco. Afinal os super-heróis haviam chegado pra ficar. No número 16, em 1940, apareceu a primeira história do LANTERNA VERDE. E não parou por aí.
    All American Comics, assim como todas as revistas da época, tinha 64 páginas, ou seja, espaço pra muitas histórias em quadrinhos. Assim, a revista também apresentou ao mundo histórias do Átomo, Tornado Vermelho, Doutor Meia-Noite e Sargon, o Feiticeiro.
    Embalados no sucesso, Max Gaines e Liebowitz, criaram a “All Star Comics”, que era uma antologia trazendo personagens tanto da editora All American Comics (Lanterna verde, Flash, Atomo, Gavião Negro), quanto da Detective Inc (Sandman, Homem-Hora, Espectro). A coisa mudou de figura no número 03, quando o editor Sheldon Mayer e o escritor Gardner Fox tiveram a idéia de reunir os personagens num time, a primeira super-equipe das histórias em quadrinhos, a Sociedade da Justiça da América!
    Em 1941 apareceu mais uma revista digna de nota, a Sensational Comics, já que seu carro-chefe era senão a primeira super-heroína dos quadrinhos, pelo menos a mais popular que os gibis já tiveram, a Mulher-Maravilha.
    Assim, a All-American Publications se tornou a segunda maior editora de quadrinhos dos Estados Unidos, ficando atrás apenas da Detective Inc, pois afinal eles eram os donos de Superman e Batman, os maiores sucessos da época. E quem imprimia o material das duas editoras era Harry Donenfeld, que enchia as burras de dinheiro.
    Em 1944, por causa das brigas e constante tensão interna entre o editor Max Gaines e a dupla Harry Donenfeld e Jack Liebowitz, Gaines resolveu enfim ceder e vender sua parte para Harry.
    Com a fusão das duas empresas, Detective Comics Inc e All-American Publications, nascia a National Periodical Publications, nome que a empresa teria por mais de duas décadas.
    A NATIONAL COMICS E A ERA DE PRATA

    No final dos anos 40, os super-heróis perderam a popularidade e as revistas em que eles figuravam foram canceladas ou mudavam de nome, para trazerem novas atrações com histórias de faroeste, ficção científica e suspense.
    A All-American Comics se tornou a “All American Western”, a All-Star Comics se tornou a “All-Star Western” e assim por diante.
    Apenas Superman, Batman e Mulher-Maravilha continuavam sendo publicados durante os anos 50, o que alguns chamam de “Era das trevas” dos quadrinhos, e não sem algum dano. As revistas diminuíram o numero de paginas para poderem continuar a serem vendidas por 10 cents, e passaram de 64 páginas gradualmente para 32 páginas. Algumas também passaram a ser bimestrais, porque não davam conta de se manter mensalmente, já que eram “doses duplas” do mesmo herói. Superman aparecia em Action Comics e Superman, de forma que muitos leitores não se dispunham a comprar duas revistas por mês do mesmo personagem. A solução foi implementar um “rodízio”, com uma saindo a cada mês alternado.
    A maré começou a virar em meados em 1956 quando a National contratou um editor egresso de revistas de ficção científica, que na época já haviam conhecido sua decadência, Jullius Schwartz. O editor trouxe muitos autores dessas publicações que conheciam seu cancelamento para escrever gibis, como Gardner Fox, John Broome, Arnold Drake e Robert Kaningher, entre outros.
    Devido as imposições do código de censura dos quadrinhos, a era dos gibis de terror havia acabado, e não se podia nem ver uma gota de sangue num gibi de faroeste ou de guerra. Talvez isso tenha aberto espaço para os super-heróis voltarem, no que se chamou doravante de “Era de Prata” dos quadrinhos.
    O ponta-pé inicial da Era de Prata foi a revista Showcase, uma “publicação-laboratório”, onde seriam apresentados novos personagens, e conforme a aceitação dos leitores, estes ganhariam suas próprias revistas. No número 04, Schwartz relançou o Flash, mas com novo uniforme, e nova identidade secreta, o detetive da polícia Barry Allen.
    As aventuras voltadas para ficção científica agradaram, e em breve o Flash voltaria a ter revista própria, a partir do número 105, exatamente onde a antiga revista havia parado nos anos 40.
    Além de remodelar antigos personagens, Showcase também apresentou novos, principalmente voltados a ficção científica, como Os Desafiadores do Desconhecido, Ranger do Espaço, Rip Hunter, Demônios do Mar, Homens Metálicos, entre outros de menor sucesso.
    Em 1959 foi a vez do Lanterna Verde ser relançado, agora como o piloto de testes HAL JORDAN, membro de uma polícia intergaláctica chamada “Tropa dos Lanternas Verdes”. Jordan também em breve ganhou sua própria revista, mas a partir do número 01. Outro personagem reinventado na Showcase foi o Átomo, que no Brasil ganhou até novo nome, Elektron.
    Outra publicação criada por Julius foi a Brave and the bold, onde debutaram personagens como o Esquadrão Suicida, Sexteto Secreto, Metamorfo, e a versão da era de prata do Gavião Negro. A revista logo foi remodelada para apresentar “parcerias” entre heróis da editora. A maior das parcerias foi entre os sete personagens da editora: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman e os novatos Lanterna verde, Caçador de Marte e Flash. Assim surgiu a Liga da Justiça da América, que em 1960 ganharia seu próprio gibi.
    Durante a década de 60 a Liga foi o gibi mais vendido dos Estados Unidos, até ser suplantado por uma revista de uma pequena editora que viria a se tornar uma grande concorrente, a Marvel Comics, através do Homem-Aranha.
    Mas antes do seu reinado ser ameaçado (e roubado) por Stan Lee & Cia, a National continuou sendo a editora que mais revista vendia nas décadas de 60. O Superman desfrutou uma renovação com a liderança do editor Mort Weisinger. Batman e Mulher-maravilha ganharam séries de TV que aqueceram as vendas de suas revistas. E antigos heróis como Aquaman e Arqueiro Verde voltaram, com abordagens mais humanizadas.
    Mas não foi só eles que tiveram sua chance de retornar. Numa das edições da revista Flash, o personagem da era de ouro, Jay Garrick, encontra sua contraparte da Era de Prata, Barry Allen. Como na Showcase havia sido estabelecido que o Flash original era um gibi de ficção no mundo de Barry Allen, a solução foi dizer que Jay vivia num mundo paralelo.
    E assim todos aqueles personagens da Era de Ouro podiam viver nessa “Terra 2”. Não tardou para que no gibi da Liga da Justiça a antiga Sociedade da Justiça ressurgisse. Com efeito, os encontros entre Liga e Sociedade se tornaram uma atração especial, publicadas durante todo o verão americano.


    A ERA DE BRONZE E O SURGIMENTO DA DC COMICS

    Durante os anos 60, uma pequena editora que publicava gibis de fantasia e ficção cientifica, a Atlas Comics, também começou a publicar super-heróis, animada com o sucesso de vendas da Liga da Justiça e da linha Superman. O principal trunfo era o editor e escritor Stan Lee, que em parceria com os desenhistas Jack Kirby, Steve Ditko, Dick Ayers e Don Heck, apresentaria ao mundo novos super-heróis: Quarteto Fantástico, Hulk, Thor, Homem-Formiga, Homem-Aranha, Homem-De-Ferro, X-Men e Doutor Estranho. Até uma equipe de super-heróis nos moldes da Liga foi criada, os Vingadores.
    Esses gibis vendiam bem, mas apenas nos anos 70 a Marvel se tornou de fato a maior editora dos Estados Unidos. Isso porque a National Periodcs tinha mais publicações. E mesmo nos anos 70 podemos dizer que houve um “equilíbrio” entre as duas editoras, onde a primazia foi disputada pau-a-pau.
    A chamada “Era de bronze” foi conhecida como “o período onde os super-heróis começaram a perder a inocência”. Como sinal dos tempos, o ponta-pé inicial não era mais um gibi da DC, mas sim um da Marvel, a morte de Gwen Stacy na revista do Homem-Aranha. Aquilo era uma espécie de manifesto: ninguém estava a salvo. Até a namorada do herói poderia morrer de forma trágica.
    Sentindo o terreno ceder, o editor Julius Schwartz começou novamente a renovar a editora, contratando novos artistas e pedindo para eles “modernizar” mais uma vez os heróis, principalmente no aspecto humano, o grande truque da concorrência para cativar os leitores.
    Entre os novos talentos estavam dois jovens liberais, Dennis O’Neil e Neal Adams, que começaram a chamar a atenção separadamente, até formarem uma dupla. Juntos eles devolveram ao Batman o tom sinistro e sombrio das suas histórias, e também inseriram a discussão de problemas sociais nas HQs de super-heróis na revista Lanterna Verde/Arqueiro Verde.
    Foi justamente nessa época que a National mudou de nome mais uma vez, e para aquele que é mais conhecido, a DC Comics.
    A mudança aconteceu quando a editora foi comprada pela multinacional de entretenimento, o grupo Time-Life-Warner (eles ainda não se chamava Aol Time Warner, como nos dias de hoje). A fusão garantiu uma bela bolada para Harry Donenfeld, cujo um acidente o afastou definitivamente dos negócios. Já Jack Liebotwitz ganhou um assento na poderosa multinacional, e trabalhou praticamente até os últimos momentos da sua longa vida, aos 100 anos.
    A National assim se tornava a divisão de quadrinhos oficial da Warner, e passaria a publicar gibis dos seus personagens, como a linha Looney Toones por exemplo (a turma do Perna-longa) e Hanna-Barbera (Scooby-Doo, Flinstones, etc). Como a empresa National havia deixado de existir, resolveu se batizar a nova divisão de quadrinhos como DC COMICS, em homenagem ao nome original Detective Comics Inc, já que as revistas da National traziam na capa desde sempre um selo com os dizerem “uma publicação DC”, para que os leitores mais desavisados nos anos 40 que dessem falta pela Detective Comics Inc, vissem que a editora havia apenas mudado de nome.
    O principal impulso que a nova era da “DC Comics” teve foi num maior envolvimento dos seus personagens em outras mídias, como o cinema e a televisão. Um desenho animado chamado “Super-Amigos” reunia os mais populares super-heróis, assim como Batman ganhou nova animação dos estúdios Hanna-Barbera.
    Mas foi o filme SUPERMAN, de 1978, que fez o mais lucrativo personagem da editora (até então) brilhar como nunca.

    CRISE, REFORMULAÇÃO E OUSADIA NOS ANOS 80

    Mesmo o sucesso cinematográfico da franquia do Superman não foi suficiente para conter o cansaço dos seus personagens diante dos modernos e ousados super-heróis da concorrência.
    Na segunda metade dos anos 70, a Marvel conheceu um novo período de renovação, quando Chris Clarement e John Byrne pegaram um obscuro gibi chamado X-Men e o transformaram num sucesso de vendas. Em 1979 outro obscuro gibi, Daredevil (no Brasil, Demolidor) também começou a forçar os limites éticos dos super-heróis e ganhar simpatia dos leitores.
    A grande sacada dessa geração de autores, representada por Claremont, Byrne, Miller, Roger Stern, David Micheline e JM DeMatteis, foi perceber que os leitores de super-heróis estavam crescendo, mas não estavam abandonando os gibis. Se eles tornassem as histórias mais “maduras” poderiam manter essa audiência e ganhar essa respeitabilidade.
    Quem comandou a ascensão da Marvel nos anos 80 foi o editor Jim Shooter, tido por muitos como irascível e ditador, mas a verdade é que Shooter exigia o máximo dos seus criadores, e não tinha pudor de interferir numa história se achasse necessário. Foi dele a decisão de matar a Fênix e de mudar o uniforme do Homem-Aranha.
    Vendo as vendas despencarem, a direção da DC Comics viu que era hora de renovar os seus heróis e fazê-los “mais maduros” também. O ponto de partida seria um evento onde o “antigo universo” era destruído. A história seria uma maxi-série de doze edições, produzida pela dupla mais popular da editora, Marv Wolfman e George Pérez, que faziam o único gibi da DC que concorria em pé de igualdade com os X-Men da Marvel, os Novos Titãs, estrelada por ex-parceiros mirins dos super-heróis da casa.
    O nome da maxi-série foi “Crise nas Infinitas Terras” e ela foi lançada em 1985 de forma a comemorar também os 50 anos da editora. Sem muitos impedimentos editorias, o editor Len Wein e o escritor Marv Wolfman puderam fazer as barbaridades que quisessem na revista, promovendo um verdadeiro “genocídio” de personagens.
    As mortes de super-heróis e super-vilões chamaram a atenção dos leitores que corresponderam as vendas. Mas isso foi apenas o começo. No final da saga, todas as terras paralelas, surgidas naquele gibi do Flash em 1960, se fundiam numa única, de forma a facilitar a continuidade do universo nascente.
    Era um novo universo DC. As histórias do Superman e da Mulher-maravilha foram APAGADAS da cronologia, o que gerou bastante polêmica entre os fãs antigos, que acompanhavam aquelas aventuras há anos. Como as histórias do Batman vendiam melhor, decidiu-se que elas não seriam inteiramente apagadas, mas algumas valeriam pra continuidade, outras não – o que inicialmente também gerou confusão.
    Apesar disso, o relançamento desses heróis através de novas histórias de origem foi um sucesso comercial, e também representou um nascimento de vendas. Afinal a DC Comics resolveu contratar a turma da concorrência para recriar seus personagens.
    JOHN BYRNE, que havia brigado com o editor Jim Shooter, assumiu com alegria as histórias do Superman, onde ficou por três anos. FRANK MILLER já havia trabalhado para a DC Comics produzindo as mini-séries de sucesso RONIN e o Best-Seller O CAVALEIRO DAS TREVAS (onde descrevia um provável futuro do Batman), e era o nome mais lógico para produzir BATMAN: ANO UM. Por fim, GEORGE PÉREZ, já prata da casa, recriou a MULHER-MARAVILHA.
    O Flash foi renovado, mas agora como Wally West, o antigo Kid-Flash, discípulo de Barry Allen. O escritor era Myke Baron, que trabalhava também para a Marvel. E o gibi da Liga da Justiça foi relançado como uma publicação voltada como uma sátira humorística as histórias de super-grupos, sob o comando de Keith Giffen (que era prata da casa) e JM DeMatteis (também egresso da Marvel).
    Os anos 80 começaram a marcar o período em que a DC Comics não era mais a maior editora dos Estados Unidos, mas podia ser considerada a melhor. A presidente Janet Khan, e a editora Karen Berger iniciaram uma era de “liberdade editorial”. Com mais espaço para ousar, autores como ALAN MOORE produziram para a editora clássicos como Monstro do Pântano, V de Vingança e Watchmen para a editora.
    A DC Comics assim começava a ficar com a maioria dos prêmios de excelência dos quadrinhos, embora não abocanhasse as vendas.
    A EXPANSÃO ATRAVÉS DA VERTIGO E WILDSTORM



    Nos anos 90 a presidência passou para o comando de PAUL LEVITZ, um sujeito que começou a trabalhar na empresa nos anos 50, aos 16 anos de idade, escrevendo histórias da Legião dos Super-Heróis. Levitz era um “fanboy”. Um garoto que começou como fã da editora e foi trabalhar nela, característica de muitos autores até então. A importância do fato é que agora era justamente um verdadeiro fã dos personagens que assumia o comando editorial.
    A DC podia perder para a Marvel em vendas, mas jamais perderia em qualidade. Vários gibis já eram publicados sem o “Comics Code”, o código de ética dos quadrinhos, como Arqueiro verde, Homem-Animal, Patrulha do Destino, Questão, Hellblazer, Monstro do Pântano e Sandman. Esses três últimos seriam a base para o selo Vertigo, criado em 1993 para trazer não só material para “leitores adultos”, mas também possibilitar a publicação de material autoral.
    A diferença é que muitos autores que não quisessem criar para editora, poderiam mesmo assim publicar pela DC, através do selo Vertigo. É o caso de séries como Preacher, Transmetropolitan, Invisíveis, 110 Balas, Y O último homem, Fábulas, entre outras menos badaladas. Elas pertencem aos seus criadores, que podem levá-las para outras editoras ao fim do contrato.
    A DC assim entrou solidamente no mercado das “HQs de autor”, ganhando espaço nas livrarias. As HQs da Vertigo também trouxeram credibilidade para a editora, já que sempre foram bastante elogiadas na mídia, desabonando assim um pouco do caráter marginal que os quadrinhos têm nos Estados Unidos.
    Com uma linha de HQs voltadas “para adultos”, a DC procurou expandir em outras direções. A linha infantil foi remodelada, sendo criado o selo “Johnny DC”, que além da linha Looney Tones e Hanna Barbera, também apresenta versões infantis dos superheróis DC, e mais recentemente personagens do Cartoom Network.
    A chegada dos mangás nos EUA não passou desapercebida, e a DC criou o selo CMX, onde traduz e publica em inglês famosos quadrinhos japoneses na terra do Tio Sam. A DC também tentou criar um selo para material europeu, mas sem igual sucesso.
    Uma grande aquisição foi feita em 1999, quando o grupo Warner comprou os estúdios WildStorm, de Jim Lee. A pequena editora então virou um selo da DC Comics, voltados para “superheróis alternativos”, terror e ficção científica.
    Da mesma forma que a Vertigo foi o selo das melhores e maiores séries dos anos 90, pode-se dizer que a WildStorm o fez na primeira década do século XXI, com séries como Authority, Planetary, Desolation Jones, Sllepper , A Liga Extraordinária, Promethea e Ex-Machina. Atualmente vem sendo nesse selo que estão sendo adaptadas séries e filmes de sucesso da Warner, como Supernatural, A Hora do Pesadelo e Sexta-Feira 13.
    De olho em novas audiências, a DC criou também nos anos 2000 o selo MINX, voltado para garotas adolescentes, publicando graphic novels com bastante influência do quadrinho independente americano e dos mangás.
    No mesmo espírito está a Zuda Comics, a linha de quadrinhos digitais, que é a ponta de lança da editora para tentar vender quadrinhos nos tempos da internet.
    Nas vésperas de completar 75 anos, a empresa sofreu mais uma mudança de nome em 2009: passou a se chamar DC Entertainment. A Warner decidiu que as operações da editora deveriam se expandir e eles próprios cuidarem das adaptações para a TV e o cinema, visando preservar a fidelidade das mesmas, já que os filmes da Marvel, mais fiéis na maioria ao conceito original, vinham fazendo mais sucesso. A conclusão é que isso acontecia porque o pessoal da Warner não entendia dos personagens da mesma forma que o pessoal da DC faria.
    No entanto, tal decisão foi aliada a contradição de nomearem uma nova presidente para a DC Entertainment, Diane Nelson, que consolidou a franquia Harry Potter no cinema, portanto pouco familiarizada com os quadrinhos. A justificativa é que a DC Entertainment não irá trabalhar tão somente com os quadrinhos, que estão sob o comando do vice-presidente da DC, DAN DIDIO.
    Ainda perdendo em vendas para a Marvel, a editora se destaca pela variedade do seu material, atingindo praticamente todo tipo de público e abordando qualquer gênero: western, guerra, terror, ficção científica, romance, aventura e super-heróis, é claro. Outro motivo de orgulho dos decenautas é a quantidade de prêmios Eisner, Harvey e Eagle que acumula, o que comprova que muitas vezes, vendas não significam qualidade.
    Apesar do centro das atenções ainda estarem nos super-heróis da editora, a DC é muito mais do que pessoas vestindo colantes coloridos. Já no mercado de graphic novels, onde são comercializados os mangás da DC por exemplo, a editora supera as demais, inclusive a Marvel. A medida que o mercado se desloca dos gibis para os livros, existem muitas chances da mais antiga editora de quadrinhos em atividade, passe talvez voltar a ser a maior em vendas.

Texto publicado originalmente no Farrazine #15 que você pode baixar aqui ou ler online aqui

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TOCA RAUL! - Resenhas do Farrazine

Meados de 1989. Eu tinha 13 anos e me lembro de um cara todo vestido de couro, ou seja lá o que fosse, se esguelando nalgum programa de TV. A próxima lembrança que me vem é de uma matéria do programa “Fantástico”, anunciando a morte de um cantor. Parecia algo importante, mas o que se fixou mesmo na minha cachola de moleque foi que aparecia um cara lendo um gibi do Tex, num videoclipe amalucado de uma música que falava de cowboys e medos. Quadrinhos são parte indelével de minha memória desde a mais tenra idade, mas creio que essa informação não vem ao caso.

Passou mais um tempo até que eu me deparasse, em uma festinha de aniversário, com um LP que me chamou a atenção. Aquela capa, na qual apenas aparecia um deserto e uma pintura, no melhor estilo foto 3x4, e o nome sugestivo: “O Dia Em Que a Terra Parou”. Foi então que notei que já havia visto aquele cara da foto. Era o tal do Raul Seixas. Daí, para me apaixonar pelas músicas, decorar todas daquele disco, e então correr atrás de qualquer material possível, fossem fitas cassete pra lá de piratas ou recortes de jornais e revistas, foi um pulo.

Neste mês de agosto de 2009, faz 20 anos que Raulzito nos deixou. Faz mais ou menos 19 anos que sou fã incondicional dele.

A esta altura, você deve estar se perguntando: “Tá! 20 anos que o cara morreu. Não vai rolar uma biografia, ou discografia, ou quaisquer outras grafias?” Não. Não vai. Sempre em datas “redondas”, a mídia em geral despeja toneladas de informações sobre um fato ou personagem; portanto, se você quiser saber sobre datas, números e informações úteis ou fúteis, basta um passeio rápido por esse mundão da internet, que estará bem provido de informação.

Aqui me reservo apenas ao direito de, mais uma vez, prestar homenagem a esse cara que me fez ser quem sou, seja isso bom ou ruim. Mas, aí, já é com meu psiquiatra!
Enfim, digo: prestar mais uma vez homenagem pois, lá naquela época de que eu falava antes, após me apaixonar pelas músicas do cara, eu costumava prestar minha homenagem religiosamente, mesmo que fosse anônima. Não me importava. Era usando uma camiseta; ou pendurando um cartaz, desenhado por mim mesmo, no saguão da escola, para lembrar mais um ano de ausência; disseminando minha paixão, fazendo com que outros amigos ouvissem também, da maneira como eu ouvia, as músicas; ou ainda, auxiliando num teatro, no qual fizemos um sósia do Raul saltar de dentro de um caixão, dublar algumas músicas e retornar ao caixão, levando cutucadas de um capetinha pintado de colorau! E isso tudo no coreto da praça de minha cidade natal. Algumas pessoas não gostaram muito.

O tempo passa, essa efervescência adolescente passa, as demonstrações mais apaixonadas acabam sendo relegadas a um tímido “Gosto muito.” em resposta a um “Ô cara, você curte Raul?”. Apesar de não deixar de sempre ouvir e buscar saber mais sobre a obra e o homem. Talvez tenha sido apenas o mundo, fazendo com que a gente tome a pose de cidadão respeitável, que ganha 4 mil cruzeiros por mês, alegre e satisfeito, e que contribui para o nosso belo quadro social. Mesmo que isso lhe doa no peito. Pois é, com o tempo, a gente acaba entendendo exatamente o que aquele magrelo queria dizer.

Mas deixemos as melancolias de lado, hoje não é o “Dia da Saudade”. Aproveitemos essa data “redonda” não apenas para enumerar discos, falar de datas, curiosidades, ditos ou desditos da vida do Raul. Vamos aproveitar para fazer o que de melhor podemos fazer para homenageá-lo, mesmo que seja anonimamente! Vamos ouvir e cantar suas músicas. Ouvir com o coração e cantar com a alma! Vamos fazer parte daquela trupe que enche o saco de qualquer banda em festas de formatura, bares e shows, gritando lá do fundão: TOCA RAUL!

Ou como diria o Zeca Baleiro: “Mal eu subo no palco, um mala, um maluco já grita de lá:
‘Toca Raul!’ A vontade que me dá é de mandar o cara tomar naquele lugar; mas aí eu paro, penso e reflito: como é poderoso esse Raulzito!


Texto publicado no Farrazine #13, escrito por Marcelo Mainardi, que você pode ler aqui ou baixar aqui

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

RESENHAS DO FARRAZINE

Blues, parte 3 - por Snuckbinks


Muitos cantores de Blues, não apenas cantavam suas músicas, mas acabavam vivendo elas. Por isso acabavam-se em bebedeiras, e não raro, em drogas.

O próprio Robert Johnson, acabou vítima de seu vício, pois misturaram veneno à sua bebida, que fatalmente trouxe um fim precoce á sua carreira.

Muitos outros músicos talentosos também colheram os frutos amargos do pacto com o demônio da garrafa.

Entre eles Little Walter, um dos maiores gênios, se não o maior, gaitista à deixar sua contribuição para o mundo da música, podendo ser comparado à Jimi Hendrix e Charlie Parker.

Little Walter ficava incomodado pelo som de sua gaita ser abafado pelo som da guitarra, assim ele usou um artifício inovador, na concha que formava na mão para tocar a gaita, ele colocou um microfone, assim amplificou o som de sua harmônica.

E além de usar isso para amplificar o som da gaita, ele ousou experimentar novos timbres e efeitos inéditos, assim ele acabou criando e utilizando a distorção eletrônica, inspirando os gaitistas posteriores.

No entanto, Little Walter era alcoólatra e tinha um temperamento difícil, por isso se envolvia sempre em brigas, se você fizer uma busca no google por fotos dele, notará as diversas cicatrizes resultantes de seu comportamento, e foi como resultado de uma dessas brigas em que ele ficou gravemente ferido, e morreu, devido à complicações de uma trombose coronária, vindo a morrer no dia 15 de fevereiro de 1968.

Infelizmente o que levava os músicos ao mundo das drogas licítas ou ilícitas era o rítimo alucinante com o qual se apresentavam, acordos entre empresários, impedia que fizessem shows em localidades muito próximas, assim eles tinham de percorrer distâncias muito longas em períodos curtos, e sempre acabavam recorrendo a medicamentos, bebida ou drogas para suportar esse ritmo alucinante.


Texto publicado no Farrazine #17 que você pode ver online aqui ou baixar aqui

domingo, 27 de março de 2011

O QUE VEM POR AÍ


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RESENHA METALLICA - COMBINANDO MELODIA COM AGRESSIVIDADE
por Fernando Schittini

Existem álbuns que permanecem atuais, mesmo com o passar dos anos, pois são donos de uma sonoridade autêntica e inovadora, e independente dos modismos musicais que a mídia nos impõe, esses clássicos sempre serão lembrados e respeitados. Esse é o caso de “Master of Puppets”.
Lançado em 1986, Master é o terceiro álbum de estúdio do Metallica, banda que hoje é mundialmente conhecida, mas na época ainda estava galgando um lugar na cena metal composta por muitas bandas de Hair/Glam Metal, com um som mais comercial, sendo que suas músicas e videoclipes eram exibidos de forma exaustiva nas rádios e TVs. Enfim, para uma banda de Thrash Metal a vida era bem mais complicada. Mesmo assim, possuíam um grande numero de fãs da cena underground, devido a seus trabalhos anteriores, os excelentes (Kill ‘Em All e Ride the Lightning).

A banda era composta por James Hetfield (vocal/guitarra), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra solo) e Cliff Burton (baixo). Esse último, morto num trágico acidente de ônibus quando o Metallica iria se apresentar na Dinamarca, meses depois de terem lançado o álbum em questão. Uma grande perda não só para a banda, mas para o mundo do Metal em si, que sempre se lembrará de Burton pelo seu talento e genialidade...

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A resenha continua na edição 21 do Farrazine disponível em breve para download e visualização online.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

HOMENAGEM A BILL MANTLO


 Os leitores de quadrinhos dos anos 80 com certeza devem lembrar do nome: Afinal era difícil ler uma história dos super-heróis da Marvel que ele não tenha escrito: Thor, Os Defensores, Homem de Ferro, Tropa Alfa, Homem-Aranha, Mestre do Kung Fu, Os Campeões, a lista é realmente extensa.
Mas BILL MANTLO é mais lembrado, sem dúvida, por sua longeva carreira à frente da revista do INCRÍVEL HULK e pela adaptação para os quadrinhos de personagens de brinquedo como Rom, Transformers e Os Micronautas.

O escritor ficou na revista do Hulk por cinco anos, e é de sua autoria sagas que até hoje estão na memória dos leitores brasileiros, justamente porque foi o momento de maior sucesso editorial de um gibi do Hulk no Brasil, em meado dos anos 80. Ele começou sua passagem colocando o Hulk a viajar pelo mundo, e assim apresentando diversos personagens internacionais da Marvel pelo caminho. Foi Mantlo também o primeiro autor a desafiar o status quo das histórias do gigante verde, fazendo com que a mente do cientista Bruce Banner dominasse a mente do monstro durante algum tempo, como também fez a criatura recuperar o controle e destruir Nova York, na espetacular edição de número 300 onde o Hulk enfrenta boa parte do Universo Marvel. Depois veio a famosa saga da Encruzilhada, a primeira vez que o Golias Esmeralda foi exilado da Terra, tendo aventuras em outros planetas.
Mantlo também criou personagens que até hoje estão nas páginas dos quadrinhos: Mantlo & Adaga, Tigre Branco, e o guaxinim espacial Rocket Rackoon, que hoje está na nova formação dos Desafiadores da Galáxia.

No entanto, o ponto alto da sua carreira foi a inventividade com que conseguiu criar revistas em quadrinhos baseadas em brinquedos. A série do ROM foi baseada num único bonequinho articulado. A partir dali, Mantlo criou um motivo para a aparência do personagem (ele não era um robô, mas um ciborgue), o que era aquela arma que ele carregava, quem eram seus inimigos, qual sua origem, e toda uma gama de personagens coadjuvantes. O sucesso de Rom durou além do boneco e sua revista ficou seis anos nas bancas americanas.
Outro triunfo foi a série cult Os Micronautas, que poucos brasileiros sabem, mas também foi baseada numa série de brinquedos. Aqui, o trabalho de Mantlo e do desenhista Michael Golden chegou a ser reconhecido com o prêmio Eagle de melhor novo gibi, do ano de 1979.
Por essas e outras, quando a Marvel conseguiu os direitos para lançar um gibi dos Transformers, é claro que o homem certo para o trabalho era Bill Mantlo, revista que os brasileiros também tiveram chance de conhecer através da Editora Abril.

Mas por onde anda Bill Mantlo? Porque os leitores nunca mais tiveram notícias dele?
Na verdade, Mantlo sempre escreveu quadrinhos como uma forma de pagar os estudos, e no final dos anos 80 se formou em direito, e se tornou defensor público no bairro do Bronx, em Nova York. Ele ainda escrevia alguns gibis, como os diálogos da mini-série Invasão, para a DC Comics.
Mas no ano de 1992 aconteceu uma tragédia: Mantlo foi atropelado, por um motorista que nunca foi identificado. Até hoje o escritor carrega as seqüelas daquele acidente e precisa de cuidados 24 horas por dia, estando internado numa casa de recuperação.
Em 2007 o cartunista David Yurkovich lançou um livro em sua homenagem: “Mantlo: Uma vida nos quadrinhos”, que também serviu para arrecadar dinheiro para bancar o tratamento que Bill necessita.

Realmente é triste o curso que a vida de Bill Mantlo tomou, mas os gibis que ele escreveu sempre vão estar presentes nas memórias dos fãs antigos e também novos, graças as coletâneas que a Marvel reimprime.

Publicado no Farrazine #11, veja online aqui ou baixe aqui

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

JULINHO DA ADELAIDE - Resenhas do Farrazine

UM GRANDE COMPOSITOR BRASILEIRO


Você deve estar pensando que eu estou louco, não é? Quem é esse Julinho não-se-donde? E ainda por cima é compositor?

Sei não...

Calma gente. Eu disse a verdade.

Julinho da Adelaide é um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, e você... é, você mesmo, com certeza, conhece a figura.

Vamos por partes, assim nós nos entendemos melhor...

Na décade de 70, no Brasil, o regime militar censurava quase tudo que era lançado por alguns de nossos artistas. E o pior é que a censura tinha a mania feia de "marcar a cara" de muitos deles.
Exemplo disso foi nosso memorável Francisco Buarque de Hollanda.

Qualquer coisa que ele lançava era rapidamente censurada e retirada das prateleiras. Chico tinha um inimigo bastante poderoso na época, Ernesto Beckmann Geisel - o cara da foto a esquerda - que era o quarto presidente do regime militar brasileiro. Geisel se esforçava ao máximo para que qualquer show ou música de Buarque fosse devidamente proibido em qualquer parte do país.

O detalhe curioso desse ódio de Geisel é que sua filha, diz a lenda, adorava Chico Buarque. E a garota tentava, como uma verdadeira tiete, conseguir discos ou assistir os shows do compositor.

Tá, tudo bem, você quer saber o que isso tem a ver com o Julinho que eu mencionei no início?

Fácil, fácil gente....

Voltamos a falar no Buarque. Dada a situação, onde qualquer coisa que ele cantasse ou gravasse seria censurada, Chico decide criar um personagem fictício. Adivinha o nome dele?

É isso mesmo: Julinho da Adelaide!


Com esse pseudônimo, Chico Buarque conseguiu gravar algumas músicas sem enfrentar quase nenhuma oposição por parte da censura. Esse personagem inventado por Chico chegou, inclusive, a dar entrevistas e abrir uma pequena discussão verbal com seu criador em uma reportagem feita por Mario Prata.

Bom, como Julinho não tinha problemas com a censura, ele gravou uma canção com uma bonita mensagem subliminar. A canção chamava-se Jorge Maravilha e o refrão era mais ou menos assim:

Aperta o play porque descobrir não tem desperdício...




Vocês imaginam a cara do Geisel quando ouviu essa música?

Pois é...

Daí ficou explícito quem era a mente por trás do Julinho da Adelaide, um dos grandes compositores "esquecidos" da música tupiniquim.

Texto publicado no Farrazine #3 que você pode ler online mesmo aqui ou baixá-lo aqui

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MUSIC DON'T STOP - Resenhas do Farrazine

Elvis PresleyAinda há espaço para o rei?

Muito já foi dito sobre Elvis e é indiscutível sua importância para a história da música ocidental. Sabemos de sua enorme influência sobre o rock como o conhecemos hoje, além de seus diversos e elogiados trabalhos com a música country e gospel. Mas nem todos sabem como e, mais importante, por que Elvis recebeu o “título” de rei do rock ‘n’ roll.

Nos anos 50, início da carreira do artista, ainda não se havia estabelecido um gênero chamado rock ‘n’ roll. De fato, o que existia era o já popular R&B e a música country, que fundidos tornaram-se o famoso “rockabilly”, o rock caipira, gênero musical no qual se enquadram vários dos primeiros sucessos do rei, como;

That’s all right”,


 “Blue Moon of Kentucky”,
 

Memphis, Tennessee”,


entre outros...
No entanto, Elvis estava longe de ser o único, e ouso dizer, longe de ser o melhor cantor de rockabilly da época. O que o diferenciava, porém, de artistas brancos como Pat Boone e Bill Haley era o “ato de rebeldia” realizado em quase todos os seus primeiros shows. Não, Elvis não arrebentou guitarras no palco (vide The Who), não ateou fogo a pianos (vide Jerry Lee Lewis), nem afirmou ser mais popular que Jesus Cristo (vide Beatles).

Elvis.....rebolou.












E é aqui que os fãs me atiram pedras, enviam cartas de ódio a minha casa e ameaçam me esfaquear enquanto durmo. Mas é a verdade, senhoras e senhores: Elvis virou o rei porque ele rebolou.

Algo tão inocente, especialmente quando nos deparamos com a música brasileira hoje e seus “performers”, como dançar enquanto cantava, fez com que o rei se destacasse entre os demais. Lembremos que a sociedade norte-americana do momento (e vamos ser honestos, também o resto do mundo seguindo seus moldes) era um tanto conservadora e extremamente puritana (como o é até hoje, ainda que se tente provar o contrário). Um jovem branco cantando e, principalmente, dançando como negro era certeza de corrupção da juventude. E corrupção implica em “algo que você não deveria estar fazendo”, portanto “proibido”, o que nos leva àquilo que os jovens mais idolatram nesse universo: a oposição.
Opondo-se à música ouvida por seus pais e às regras de comportamento, os jovens brancos norte-americanos puderam se distanciar mais e mais dos valores de então. Assim, algo tão banal como mexer os quadris fez com que Elvis se tornasse a voz daquela geração, representando a necessidade de busca pelo novo.
Mas quando nos encontramos em pleno século 21, o novo milênio à beira de completar uma década, bem, nada disso parece importar. É como se não houvesse nada poderoso o bastante para chocar e, assim, mobilizar a juventude. Como pode algo tão “arcaico” quanto à simples... música competir com o Playstation, por exemplo? Essa é minha pergunta.

E, pelo amor de Deus, isso não quer dizer que eu tenha alguma coisa contra o Playstation, longe de mim! A questão é: quem, com menos de 20 anos e em são consciência, quer ouvir Elvis Presley cantando seu rock caipira?

Pode uma canção como “Heartbreak Hotel” causar algum impacto hoje em dia? Ou mesmo a brega e ainda assim inesquecível “It’s now or never”? É quase impossível dizer. Eu poderia falar mais sobre Elvis, falar sobre sua carreira militar e seus trezentos e vinte e sete filmes havaianos. Eu poderia. Mas não vou. O Google pode fornecer essas informações. O que o Google pode não te dizer (talvez ele possa, mas não é provável) é que Elvis é único pela sua versatilidade imutável.

Como é que é? Explico.

A carreira do rei teve altos e baixos, suas músicas oscilaram do sexy R&B às baladinhas ingênuas, ao rock propriamente dito e até aos boleros pavorosos. No entanto, o artista sempre manteve o carisma inigualável em sua performance, seja e, gravações ou lives.

Há algo nas músicas desempenhadas por Elvis que podemos classificar como “sentimentalismo honesto” (favor não confundir com emo). O grande problema é que, na modernidade (sinônimo de praticidade), isso é ridículo, é simplesmente patético ser romântico (o que explica o ódio aos emos). Meu Deus! Como alguém é capaz de ligar Elvis aos emos? Sem pânico. Não há ligação direta. A diferença está na honestidade das letras, que combinadas à magnífica voz de Elvis (explorada e trabalhada em todo seu potencial apenas a partir de 1968), fizeram desse artista um ícone.
Falta honestidade na música pop hoje. Por essa razão, seria muito interessante se os jovens voltassem sua atenção, não só a Elvis, mas também aos seus contemporâneos, como Johnny Cash, Chuck Berry, e até mesmo o ótimo Hank Williams, pioneiro da música country e grande influência no estilo do rei. Talvez esses talentos notáveis possam trazer alguma espécie de impacto positivo sobre os adolescentes, nem que seja apenas no sentido de levá-los a perceber o poder de transformação da boa música. Gosto de pensar que, rebolados à parte, esse foi (e, se não permitirmos que morra) sempre será o verdadeiro legado do Sr. Elvis Aaron Presley.

Texto escrito por Jaqueline Scognamiglio para o Farrazine #10

Baixe a edição aqui ou leia online mesmo aqui




quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

WONDER YEARS


Sabe aquele sentimento de saudade - não uma saudade ruim, de querer estar perto de alguém e não poder, mas sim uma saudade gostosa, de saber que você esteve em algum lugar ou viveu algo, e saber que foi bom, e saber que aquilo passou, e que não pode mais voltar, mas ainda assim estar feliz, pois aquilo permanecerá imutável, lá no passado? Pois é assim que eu gosto de definir nostalgia.

"Crescer acontece muito depressa. Um dia, você está de fraldas, e no outro já está indo embora. Mas as lembranças da infância permanecem com você durante muito tempo. Lembro-me de um lugar... uma cidade, uma casa... Como todas as outras casas... Um jardim, como todos os outros...  numa rua, como todas as outras. E, depois de todos esses anos, eu continuo a me lembrar... com admiração."

Para quem não conhece, a série Wonder Years narra os eventos da vida de Kevin Arnold (Fred Savage), justamente a partir de seus 12 anos.

O mais bacana pra mim é que, quando pude acompanhar essa série, tinha a mesma idade do personagem e, mesmo a série baseando-se no final dos anos 60 e início de 70, conseguia me identificar com os desafios e alegrias mostrados na tela. Lembro de acompanhar os episódios com todos em minha casa, a cada dia! Posso dizer que era um momento prazeroso, um tempo bom de passar com os pais e irmãos.

A frase destacada acima é o texto de conclusão da série. Toda a série traz reflexões sobre a vida, a família. Mostra-nos como coisas simples são importantes, e devemos prestar atenção a cada momento, pois a vida passa muito depressa.

Recentemente, comecei a rever os episódios, desde o início, e me pego com os olhos cheio de lágrimas diversas vezes. Às vezes, rindo de mim mesmo, relembrando coisas parecidas às que vivi. Kevin Arnold tem um amigo inseparável, que é muito parecido a um amigo que tive na infância, e que veio a falecer. Não sei se por isso ou por outros dramas, me pego chorando várias vezes.

Mas, no fim, sempre é aquela saudade bacana que fica.

A série veio num momento crucial pra NBC, que estava quase pra fechar as portas. Foi quando Carol Black e Neal Marlense chegaram com o roteiro de "The Wonder Years". Depois do elenco escolhido e de cada detalhe da ambientação e locação estar acertado, rodaram o episódio-piloto, que nos apresenta a família Arnold, a vizinhança e todo o "American Dream", no melhor do seu "American Way of Life".

O piloto foi ao ar logo após um Super Bowl (como é conhecida a final da NFL), ou seja, o grande teste de audiência seria ali. E a série passou.

Tocando exatamente numa das feridas americanas, o drama da guerra do Vietnã. A série emplacou e mais 4 episódios foram encomendados. E depois mais uma temporada, e mesmo com os criadores da série deixando o projeto, eles conseguiram segurar a qualidade do roteiro, mantendo o mesmo elenco por 5 temporadas.

Mas algo era inevitável: os personagens cresceram, e tornaram-se adultos. A série então chegou ao fim e, assim como acontece na nossa vida, nem sempre é o fim que esperamos; e nem por isso deixa de valer.

Outro ponto forte da série é sua trilha sonora, com músicas da época da série. Vemos grandes clássicos do rock, o que não deixa de ser um mais um presente para quem assiste!

Veja uma prévia da abertura


É provavél que vocês já tenham visto um episódio, ou até a série. Deixo aqui o incentivo pra quem ainda não conhece: permita-se o prazer de vê-la e, e pra quem já viu... reveja!



Resenha escrita por Snuckbinks originalmente publicado no Farrazine #12

Para ler a edição online, clique aqui


Baixe a edição em pdf aqui

 
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