quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

JULINHO DA ADELAIDE - Resenhas do Farrazine

UM GRANDE COMPOSITOR BRASILEIRO


Você deve estar pensando que eu estou louco, não é? Quem é esse Julinho não-se-donde? E ainda por cima é compositor?

Sei não...

Calma gente. Eu disse a verdade.

Julinho da Adelaide é um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, e você... é, você mesmo, com certeza, conhece a figura.

Vamos por partes, assim nós nos entendemos melhor...

Na décade de 70, no Brasil, o regime militar censurava quase tudo que era lançado por alguns de nossos artistas. E o pior é que a censura tinha a mania feia de "marcar a cara" de muitos deles.
Exemplo disso foi nosso memorável Francisco Buarque de Hollanda.

Qualquer coisa que ele lançava era rapidamente censurada e retirada das prateleiras. Chico tinha um inimigo bastante poderoso na época, Ernesto Beckmann Geisel - o cara da foto a esquerda - que era o quarto presidente do regime militar brasileiro. Geisel se esforçava ao máximo para que qualquer show ou música de Buarque fosse devidamente proibido em qualquer parte do país.

O detalhe curioso desse ódio de Geisel é que sua filha, diz a lenda, adorava Chico Buarque. E a garota tentava, como uma verdadeira tiete, conseguir discos ou assistir os shows do compositor.

Tá, tudo bem, você quer saber o que isso tem a ver com o Julinho que eu mencionei no início?

Fácil, fácil gente....

Voltamos a falar no Buarque. Dada a situação, onde qualquer coisa que ele cantasse ou gravasse seria censurada, Chico decide criar um personagem fictício. Adivinha o nome dele?

É isso mesmo: Julinho da Adelaide!


Com esse pseudônimo, Chico Buarque conseguiu gravar algumas músicas sem enfrentar quase nenhuma oposição por parte da censura. Esse personagem inventado por Chico chegou, inclusive, a dar entrevistas e abrir uma pequena discussão verbal com seu criador em uma reportagem feita por Mario Prata.

Bom, como Julinho não tinha problemas com a censura, ele gravou uma canção com uma bonita mensagem subliminar. A canção chamava-se Jorge Maravilha e o refrão era mais ou menos assim:

Aperta o play porque descobrir não tem desperdício...




Vocês imaginam a cara do Geisel quando ouviu essa música?

Pois é...

Daí ficou explícito quem era a mente por trás do Julinho da Adelaide, um dos grandes compositores "esquecidos" da música tupiniquim.

Texto publicado no Farrazine #3 que você pode ler online mesmo aqui ou baixá-lo aqui

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

FARRAZINE IMAGINE!

Leonardo Vidal, vulgo Invinoveritas, reconta a estória do mundo dentro do universo de H.P. Lovecraft em:

Admirável Mundo Novo

 


Texto do própio Léo sobre a obra:

"Esse projeto eu passei um tempão fazendo. Mas passei um tempo maior ainda pensando em como fazer.

Eu leio Lovecraft desde os... hã... treze anos. E as descrições vívidas de seus monstros têm povoado a minha mente há um tempão. Lembro da primeira vez em que tentei colocar em papel os seres estrelicéfalos conhecidos como os Antigos, sem conseguir porque as descrições eram complexas e estranhas a toda a experiência. Hoje penso que esse era o objetivo delas.

Então, isso foi uma maneira de exorcizar essa vontade que eu tinha de pensar essas criaturas, e de homenagear esse escritor que me acompanhou por boa parte da vida. Também foi minha primeira tentativa de fazer uma história normal, de 22 páginas (tamanho americano), mais uma capa e uma página explicativa.

Queria a opinião dos amigos, pra saber como está. E, dependendo, se valeria a pena ir adiante e procurar que quisesse publicá-la.
Porque no momento estou apaixonado por ela, como uma coisa que acabei de concluir, e talvez não seja lá essas coisas, no fim das contas."

A HQ é totalmente desenvolvida por ele. Desde desenhos até diagramação e roteiros.

Clique aqui ou na capa para baixar !

A revista está em formato .cbz se você não tem o programa para ler (CDISPLAY) o arquivo baixe-o clicando aqui

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

FARRAZINE ENTREVISTA; EDUARDO RISSO

Foi na edição nº 12 do zine que tivemos a participação "del hermanito" Eduardo Risso com um bate-papo sobre quadrinhos (obviamente!), influências, prêmio Eisner e a "maldosa" pergunta; "Pelé ou Maradona"?

Confere aí como foi!

FARRAZINE – Oi, Eduardo, obrigado por dedicar um pouquinho do seu tempo nesse bate-papo... A verdade é que admiramos muito seu trabalho, e umas das coisas que gostaríamos de saber de ti é de onde vêm as referências para o seu desenho. Dá para perceber que as páginas estão repletas de sombras, o que torna a arte ainda mais atrativa aos leitores. Inclusive há um filme, chamado “Desbravadores” (“Pathfinder”, 2007) que se assemelha muito ao seu trabalho nos comics...
Eduardo Risso - Enriquecer as estórias com bons detalhes é algo que sempre pretendo. Incomodava-me muito, quando era criança – e segue acontecendo – ao observar erros históricos ou geográficos nos comics desenhados por profissionais. É algo que um verdadeiro profissional não deve permitir. Hoje em dia, não existem desculpas para não encontrar boas referências, exceto se resides em um país sumamente marginalizado, que não te permita acesso à Internet, gráfica ou fotografia.
Com as sombras é diferente. Sinto-me nu sem elas. Aprendi a usá-las por necessidade, primeiro, e por prazer, depois. Dão ou tiram o dramatismo de uma história, dependendo de como se use.


FARRAZINE – Quais são os melhores roteiristas para você, atualmente? E qual você gosta mais em todos os tempos?
Eduardo Risso - Não me atreveria a dizer um em particular, desfrutei de cada aventura no seu momento. É que eu entendo os comics como um conjunto, onde o texto se cruza com os gráficos para alimentar-se entre eles constantemente. Um bom produto final não depende só de estar bem escrito ou bem desenhado, e sim a soma de ambos.

FARRAZINE – Quando surgiu seu interesse pelos quadrinhos?
Eduardo Risso - Desde pequeno senti atração por eles. Não sabia ler ainda e já devorava as páginas de quadrinhos, observando cada detalhe e procurando sobre o que falava a história, pela sua narração gráfica. Depois disso, veio a ideia lógica de desenhar os personagens e, desde adolescente, a certeza que, fazendo isso, sentia-me maravilhosamente bem.

FARRAZINE – A melhor HQ que você leu, qual foi?
Eduardo Risso - Não tenho nenhuma. Os quadrinhos para mim são como os filmes ou as novelas, sou fissurado em todos os gêneros. Como tal, ao descobrir uma nova pérola, supera minhas expectativas sobre o anterior que li, mas não tiro mérito nenhum dele por isso.




FARRAZINE – O que você acha dos prêmios Eisner dos garotos brasileiros Bá, Moon e Grampá? Qual é a impressão que você tem do trabalho deles?
Eduardo Risso - Excelente! Eu desconhecia essa notícia. Eles merecem, não só porque são amigos de muito tempo, mas sim porque estão fazendo muitos trabalhos bons. Com o talento que têm, entenderam perfeitamente os códigos da profissão e estão tirando bom proveito disso. Um prêmio é algo que se mantém com mais trabalho e melhor qualidade, embora deixe uma certeza de que está indo pelo bom caminho.

FARRAZINE – Você e Brian Azzarello são os responsáveis por um dos melhores quadrinhos da atualidade (100 Balas), considerado já um clássico do selo Vertigo (DC). Quando vocês se deram conta de que estavam FAZENDO HISTÓRIA dentro do mercado de comics?
Eduardo Risso - Acho que foi no momento em que as críticas, tanto especializadas como dos leitores, coincidiram em interessar-se pela HQ.

FARRAZINE – E o futuro Edu, o que gostaria de fazer (seja dentro do mercado de comics ou não)? Quais são os seus projetos?
Eduardo Risso - Tenho assinado um contrato exclusivo com a DC por três anos. Dentro desse período, tenho que fazer alguns trabalhos, mas nenhum muito grande. Quero descansar um pouco das séries regulares. Também quero começar um projeto com meu amigo e roteirista Carlos Trillo.


FARRAZINE – E a pergunta que não pode faltar... Pelé ou Maradona? (risos)
Eduardo Risso - Ambos… a qualquer um que goste de futebol desfruta vendo Messi ou Ronaldinho. O resto é folclore.

FARRAZINE – Muito obrigado Edu, e sucesso sempre!
Eduardo Risso - Obrigado a vocês, um abraço!

Para continuar a leitura online e poder ver outras matérias do zine, clique aqui

Se você quiser baixar essa edição em pdf, pode clicar aqui

domingo, 2 de janeiro de 2011

POSSE DA DILMA ROUSSEF - PT NO PODER?

Peço direito a fazer um off-topic aqui no blog...

Como as pessoas que costumam vir aqui sabem; a temática do blog é divulgar a revista online Farrazine e o objetivo desta, por sua vez, é publicar trabalhos autorais da websfera - Ou algo parecido com isso, já nem sei...

Geralmente não falamos sobre política ou coisas do tipo - Na realidade nós só nos interessamos por coisas divertidas... ok, piadinha infame, desculpem... mas faço um parêntesis para comentar sobre o momento dessa transição entre o governo Lula e o "novo" governo que o Brasil terá com Dilma Roussef no poder.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Abr - retirada do G1

E ressalto o que mais atenção me chamou na hierarquia política que há dentro da organização presidencial dela.

O vice-presidente é o Michel Temer.

E não digo isso para fazer analogia do sobrenome dele... reparem como ele convida o leitor ao medo - Temor, temer... ok, desculpem... outra piadinha infame... Digo porque o vice tem uma importância de tanto peso como o presidente da república para a nação.

É "comum" - são importantes as aspas porque eu não gosto de generalizar nada, mas acho esta, a palavra mais apropriada para dar o sentido que quero dizer - temos a facilidade em esquecer ou desconsiderar os segundos em quase tudo no nosso cotidiano. Esse hábito não tem maiores consequências geralmente em nossas vidas; mas, sim teve, no outono de 1985 quando o presidente eleito Tancredo Neves morreu, antes de assumir o poder, e foi substituído por seu vice José Sarney.

Daí para frente o Brasil foi caracterizado por duas coisas durante bastante tempo;

- A consolidação da democracia depois da luta do povo nas famosas "DIRETAS JÁ" - de fato, as DIRETAS, são uma das provas históricas que sim é possível mudar as coisas... Só depende de atitude, vontade e a sempre chatinha persistência.

Manifestantes das DIRETAS com faixa em alusão a música "Apesar de você" do Chico Buarque


- Uma das maiores - senão a maior - crises econômicas do país tendo a moratória (suspensão do pagamento da dívida externa) e a inflação sem controle como protagonistas - no caso da última eu lembro bem que quando meu pai cobrava o salário do mês tinhamos que sair correndo para fazer as compras senão o dinheiro já não valia nada e passariamos o mês no maior aperto. (E isso era tão sério que algumas vezes o preço do leite ou do pão era um pela manhã e outro pela tarde... A coisa chegava a níveis tão altos do absurdo que os estabelecimentos comerciais tinham uma pessoa com uma máquina para remarcar os preços dos produtos... Era normal, também, enfrentar filas escandalosas para comprar ovos ou descobrir que havia familías que congelavam o leite para garantir o alimento da semana seguinte...)

Nosso país sente os efeitos dessas duas coisas até hoje em dia. No caso da primeira somos testemunhas da posse de outro presidente de maneira democrática faz alguns dias.
No caso da segunda fomos vítimas do Plano Cruzado, uma "milagrosa" - essa aspas são irônicas e foram postas aí sem querer - idéia que produziu o seguro-desemprego que ainda temos presente, mudanças vertiginosas em nossas moedas culminando no Real que ainda temos presente e perdas monetárias a milhões de brasileiros que brigam até hoje na justiça contra bancos e governos

Não quero dizer que o Michel Temer teria um hipotético governo com tantos disparates como teve "nosso querido" - eu sei, eu sou um pouco irônico e essas aspas foram postas de propósito agora - Sarney.
Mas chama a atenção que nosso vice eleito é presidente do PMDB, partido com ideologia centrista de maior número de afiliados no Brasil. Além de ser o partido com maior representação política no Congresso Nacional, bem como o que tem maior número de prefeitos, vereadores e governadores.

Acho melhor exemplificar o que quero dizer de outra maneira também...

Fernando Collor era do PMDB quando foi eleito presidente do Brasil... Isso também aconteceu com Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco e adivinhem qual era o partido de Sarney? Pois é...

Todos esses mandatos foram bastantes diferentes do governo do PT nesses últimos 8 anos.

Eu não quero defender o PT ou o Lula com esse texto nem criticar o PMDB... Na verdade, minha intenção era pôr em discussão algo que não ouvi ser muito comentado durante essa transição política. Ou seja;

O que aconteceria se a Dilma não pudesse exercer sua função como presidenta do Brasil? Passaríamos de um governo de centro-esquerda a um governo de centro em um piscar de olhos? É isso?

Esse "What If" - são as últimas aspas irônicas eu prometo - poderia não ser nada divertido se acontecesse. 
Lembro que o Itamar Franco deu uma entrevista dizendo que não estava de acordo com as medidas de Collor na época, mas ainda assim, era seu vice e apoiava seu mandato...

Que essa bonita - em teoria eu deveria ter posto aspas na palavra bonita... mas como eu prometi parar, foi sem aspas mesmo. Só que elas deveriam estar ali, ok?! - união entre PT e PMDB é conveniente não discutimos... Mas até que ponto essa conveniência é conveniente para o Brasil? É evidente que o povo votou na continuidade do PT... É evidente que o povo quer ver a Dilma, apadrinhada pelo Lula, na liderança do país.

Não seria democrático que o governo mudasse de ideologia política por alguma desgraça, não é verdade? - E longe de mim desejar algo ruim a nenhum deles com essas observações!

Pra ser sincero eu não tenho preferências políticas, por razões que não convém tratar aqui, mas pensando nessas e outras coisas vejo que o caminho seguido pelos partidos é obediente a definição da palavra "política" no wikipédia;

    * No sentido comum, vago e às vezes um tanto impreciso, política, como substantivo ou adjetivo, compreende arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido político, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores;

    * Na conceituação erudita, política "consiste nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem", segundo Hobbes ou "o conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados", para Russel ou "a arte de conquistar, manter e exercer o poder, o governo", que é a noção dada por Nicolau Maquiavel, em O Príncipe;

    * Política pode ser ainda a orientação ou a atitude de um governo em relação a certos assuntos e problemas de interesse público: política financeira, política educacional, política social, política do café;

    * Numa conceituação moderna, política é a ciência moral normativa do governo da sociedade civil.

    * Outros a definem como conhecimento ou estudo "das relações de regularidade e concordância dos fatos com os motivos que inspiram as lutas em torno do poder do Estado e entre os Estados";


Nos meus delírios gostaria que essa palavra significasse simplesmente;

    * "Apoiar o cidadão sem dar importâncias a pessoas, nomes, partidos ou governos dando prioridade a igualdade social e econômica apelando ao apoio de todas as instituições nacionais"


Seria bom se todos os partidos apoiassem o governo em vigor sem pressões ou interesses mesquinhos... No fim das contas o objetivo é um Brasil melhor, não é? E se ele vai ficar melhor qual importância teria um personagem ou partido?


Infelizmente isso não é assim... E tá bem, eu sei que estou viajando na maionese, mas gosto da idéia de John Lennon na letra Imagine.

O chato é que pessoas como Luther King, Gandhi, Jesus e etc... deixam boas lembranças mas as atitudes das pessoas continuam as mesmas. Como diria Roberto Carlos, parece que TODOS ESTÃO SURDOS!

 
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