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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

FARRAZINE 24




Sim, senhoras e senhores, SIM!


Voltamos com a edição #24 do Farrazine!

Estamos repletos de conteúdo para todos os gostos e desgostos! Temos a volta triunfal de Leo Vidal (Invinoveritas) depois de ganhar o Prêmio HQ Mix deste ano e muito mais novidades tais como: A Balada de Johnny Furacão por Manassés Filho; a última parte da Aula de Roteiro de Rafael Oliveira; o Filipêra do Nerd Somos Nozes dissertando sobre Arte X Entretenimento; além de uma matéria pra lá de carinhosa da Paloma Diniz sobre o mestre Laerte.

Também dilaceramos o poder escravizador de Iron Maiden com Fernando Schittini e mais uma participação do nosso camaradaço Marcio Baraldi, com o lançamento do seu livro RAP DEZ! Estamos cheios de "contos para contar" da parte de Rita Maria Felix da Silva, Ramón Delton, Marcelo Soares e Pablo Grilo, além das tirinhas bacanudas da Raquel Gompy e do Guilherme de Sousa.

As entrevistas desta edição estão geniais, com as participações da editora da revista "Nosso Amiguinho", Sueli F. de Oliveira; dos ilustradores Allan Jeff, Daniel HDR e Flávio Luiz; e uma surpresa com Invinoveritas questionando Leonardo Poglia Vidal!

Trazemos mais um capítulo de "Cidade Nua" e uma nova série especialíssima chamada "Bengala Boys"!

Bom, pra terminar esta é a primeira edição a ultrapassar o número de 100 páginas desde nosso surgimento, em 2007!

Então, aproveitem e desfrutem as 108 páginas do zine mais "descolado" do Brasil nos links abaixo:


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Farrazine no ORKUT

Farrazine no ISSUU

terça-feira, 5 de julho de 2011

REPOSTAGEM - FARRAZINE IMAGINE!

Leonardo Vidal, vulgo Invinoveritas, reconta a estória do mundo dentro do universo de H.P. Lovecraft em:

Admirável Mundo Novo

 


Texto do própio Léo sobre a obra:

"Esse projeto eu passei um tempão fazendo. Mas passei um tempo maior ainda pensando em como fazer.

Eu leio Lovecraft desde os... hã... treze anos. E as descrições vívidas de seus monstros têm povoado a minha mente há um tempão. Lembro da primeira vez em que tentei colocar em papel os seres estrelicéfalos conhecidos como os Antigos, sem conseguir porque as descrições eram complexas e estranhas a toda a experiência. Hoje penso que esse era o objetivo delas.

Então, isso foi uma maneira de exorcizar essa vontade que eu tinha de pensar essas criaturas, e de homenagear esse escritor que me acompanhou por boa parte da vida. Também foi minha primeira tentativa de fazer uma história normal, de 22 páginas (tamanho americano), mais uma capa e uma página explicativa.

Queria a opinião dos amigos, pra saber como está. E, dependendo, se valeria a pena ir adiante e procurar que quisesse publicá-la.
Porque no momento estou apaixonado por ela, como uma coisa que acabei de concluir, e talvez não seja lá essas coisas, no fim das contas."

A HQ é totalmente desenvolvida por ele. Desde desenhos até diagramação e roteiros.

Clique aqui ou na capa para baixar !

A revista está em formato .cbz se você não tem o programa para ler (CDISPLAY) o arquivo baixe-o clicando aqui

segunda-feira, 21 de março de 2011

HISTÓRIAS DE TERRIR - by InvinoVeritas


Esse ebook foi publicado originalmente no dia 14 de setembro de 2007.

Ele reúne nosso editor-chefe Kio, o Léo Vidal (Invinoveritas) e nosso desenhista Marcelo Mainardi.
A qualidade visual do ebook é impressionante e tenho certeza que todos vão estar de acordo que os contos são ainda mais incrivéis.
Baixe o ebook no link abaixo e conheça um pouquinho mais do universo criado por nossos amigos!

terça-feira, 8 de março de 2011

Contos do Farrazine

Camila

Camila. Deitada na cama, rodeada de bugigangas: bichinhos de pelúcia, celular, revistas, esmaltes. Esfameada de carinhos e de pertences. Camila, menina-moça, dezessete anos na experiência e vinte e tantos no corpo.Sonhadora. Juízo de passarinho. Bobinha, bobinha.
Camila quer sapatos. Quer roupas. Quer uma noite na cidade. Camila quer viver.
Quer seu sonho de princesa, quer a lua bonita, quer que façam por ela o impossível e que a amem para todo o sempre, amém. Agora se revira sobre os lençóis, pensando em um certo par de olhos verdes, que normalmente vêm em um certo carro esporte. Os olhos verdes são só sorrisos na direção de Camila. São gentis e engraçados. Mas também são cheios de anseios que a carne tenra – mas intocada – de Camila não quer responder. Os olhos verdes vêm acompanhados de mil mãos que a menina mal consegue manter distantes. Se o pai soubesse...
Aqui ela ri. O que o pai faria, se soubesse? Mas o pai não sabe. Segredo guardado no peito e com as melhores amigas, apenas, o par de olhos verdes está seguro. Por enquanto.
Noite passada, no calor do meio do verão, Camila e o par de olhos verdes no banco traseiro do carro, os corpos suados lutando, invisíveis no lugar ermo. Um lutava pra se aproximar, outro pra se manter distante.

- Deixa.
- Não.
- Só um pouquinho.
- Não, já disse.

Nova investida, que a virtude de Camila suporta sem ceder, mas por um fio. Depois, ofegantes, os olhos verdes se amuam. Precisa de meia hora pra voltarem à disposição normal. E aí voltam ao ataque:

- Deixa.
- Não.
- Só um pouquinho.

O embate continua, sem sucesso dos olhos verdes. É a proverbial força irresistível que se choca contra o objeto irremovível. Até que o encontro acaba. Camila chega em casa de carona. Dá adeus aos olhos verdes. Antes de se separarem por aquela noite, ouve a proposta, acompanhada de um sorriso:
- Se deixar eu te compro aquele par de sapatos caros de que cê me falou.
Camila ficou de pensar. Lá no íntimo, já tomou a decisão. E se ri. Todas as mulheres são princesas. Mas Camila já não é mais menina.

Conto publicado no Farrazine #13 que você pode ver online mesmo aqui ou baixá-lo aqui

quinta-feira, 3 de março de 2011

TIRINHAS!!!

ZULDA - a heroína boazulda


UNITED COLORS OF FARRATOWN - The lifestyle




segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

FARRAZINE IMAGINE!

Leonardo Vidal, vulgo Invinoveritas, reconta a estória do mundo dentro do universo de H.P. Lovecraft em:

Admirável Mundo Novo

 


Texto do própio Léo sobre a obra:

"Esse projeto eu passei um tempão fazendo. Mas passei um tempo maior ainda pensando em como fazer.

Eu leio Lovecraft desde os... hã... treze anos. E as descrições vívidas de seus monstros têm povoado a minha mente há um tempão. Lembro da primeira vez em que tentei colocar em papel os seres estrelicéfalos conhecidos como os Antigos, sem conseguir porque as descrições eram complexas e estranhas a toda a experiência. Hoje penso que esse era o objetivo delas.

Então, isso foi uma maneira de exorcizar essa vontade que eu tinha de pensar essas criaturas, e de homenagear esse escritor que me acompanhou por boa parte da vida. Também foi minha primeira tentativa de fazer uma história normal, de 22 páginas (tamanho americano), mais uma capa e uma página explicativa.

Queria a opinião dos amigos, pra saber como está. E, dependendo, se valeria a pena ir adiante e procurar que quisesse publicá-la.
Porque no momento estou apaixonado por ela, como uma coisa que acabei de concluir, e talvez não seja lá essas coisas, no fim das contas."

A HQ é totalmente desenvolvida por ele. Desde desenhos até diagramação e roteiros.

Clique aqui ou na capa para baixar !

A revista está em formato .cbz se você não tem o programa para ler (CDISPLAY) o arquivo baixe-o clicando aqui

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Isabelle Caro, 28 anos, morta.



Pois a modelo Isabelle Caro faleceu recentemente, a 17 de novembro. Por uma dessas coisas que são difíceis de explicar, sua morte só foi divulgada 29 de dezembro.


São, eu disse, coisas difíceis de explicar. Mas não impossíveis. Porque Isabelle é uma dessas coisas que se faz esforço para esquecer. Uma pessoa que faz questão de mostrar o aleijão moral e, com isso, faz com que percebamos nossos próprios aleijões. E ninguém gosta disso, certo?


Isabelle faleceu aos 28 anos. Ficou conhecida por posar nua em uma campanha contra anorexia. Isabelle chegou a pesar 25 quilos, com seus 1,65m. Ao morrer, pesava 42. Estava se recuperando, mas infelizmente isso só serviu para a piada: "morta, sim, mas parece tão saudável..."


Sua coragem será, se possível, esquecida. As fotos com o fashion esqueleto à mostra, macabras poses sexy, tinham a intenção de alertar para nosso distorcido senso estético e os danos possíveis a impressionáveis adolescentes. Sabemos como são adolescentes: inseguros e ansiosos por pertencer a algum lugar ou grupo. Que uma indústria da moda propague o corpo ideal como sendo o de uma pessoa doente é criminoso. E Isabelle, 28 anos, foi mais uma das vítimas dessa indústria.


O corpo de Isabelle, leve, leve, no caixão, é uma testemunha de nossa preguiça e de nossa inação. Preguiça de pensar, mesmo. De deixar que uma indústria determine nosso senso de beleza. De aceitar o que nos impõe como norma, como se ser parte de um padrão fosse algo louvável ou mesmo aceitável. Como se a individualidade fosse repreensível, e não algo raro e maravilhoso porque diverso - e a diversidade é riqueza.

Outro dia estava assistindo TV com a patroa e me deparei com um dos mais sádicos e tristes programas que já vi na minha vida. Outro desses programas era um da Xuxa, que oferecia uma operação plástica como prêmio (não sou xiita: acho que há casos em que uma cirurgia plástica - especialmente as de reconstrução - é um fator determinante da qualidade de vida do indivíduo, mas não creio que fosse o caso). Esse de que falo agora é O Esquadrão da Moda, e seu roteiro básico é um casal, uma mulher e um homem (nenhum dos dois tem cara disso), humilhando uma vítima a pedido de algum parente ou conhecido, e oferecendo dez mil reais para que essa pessoa mude o guarda-roupas.

É um sintoma do modo de produção sob o qual vivemos, não há dúvida: não somos indivíduos, somos consumidores, e essa postura torna mais fácil vender tralhas para uma fatia mais ampla da população. Antigamente a adolescência ia de treze até dezoito. Agora vemos crianças de onze agindo como adolescentes... e isso vai até os 50 (tiozinho da Sukita é a nova onda de comportamento do adulto moderno). A moda é ser jovem.

A capacidade de pensar criticamente sobre o assunto está em cheque, somos pressionados por todo canto para nos adequarmos a um padrão. Acabamos depositando nossos valores em coisas transitórias como beleza e moda. E no verão que vem temos que comprar tudo de novo: roupas, sapatos e beleza. Que beleza se compra. É o que todo mundo diz.

Plásticas, botox, maquiagem, perucas, máscaras de um tipo ou de outro, tudo para que você esqueça a criatura triste que está lá, embaixo de tudo aquilo. Você.

Em homenagem a Isabelle, 28 anos, morta, gostaria de postar aqui um vídeo que é uma obra de arte. Não porque nos faz felizes, não porque tem efeitos especiais. Porque nos faz pensar. Vi há um tempão e isso está mais atual do que nunca. Confira, que vale a pena.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DA SÉRIE: CONTOS DO FARRAZINE

O Velho

* Desenho de Mainardi

Era um dia frio de inverno, um desses em que o sereno começa a aparecer já no fim da tarde e o sol parece ter olhado para baixo, acordado e ido o mais distante possível da cambada de malucos do planetinha azul. Também era dia de jogo de futebol, embora o sol, o sereno e eu não pudéssemos ligar menos significado à coisa. Mas acontece que um amigo tinha chegado à cidade e, em vez de ficarmos em casa tomando vinho quente com canela e conversando (como sugeri), ele resolveu que era imprescindível que saíssemos e observássemos o movimento da rua. Um desses caras recém-divorciados que resolvem se considerar um presente de Deus para as mulheres e recuperar o tempo perdido, você conhece o tipo.

Aí, acabamos no segundo andar de um bar, ouvindo os gritos do térreo, onde estavam projetando o jogo em um telão. Eu não entendia como as pessoas podiam sair de casa em uma tarde daquelas para assistir vinte e dois caras tentando colocar uma bola através de quatro traves e se carneando no processo. Mas eu sou eu, e eles são eles. Uma filosofia que até então ninguém havia contrariado. Mas o mais chato não era o meu amigo fazendo olhares para meninas da metade da idade dele, nem os gritos que vinham de baixo. Era o velho.

Óculos de tartaruga, um enorme sobretudo preto, cabelo e barbas brancas e uma testa que daria pouso a mosquitos de qualquer capacidade de carga. Ficava bebendo e gritando “carpe diem” a espaços curtos de tempo. Às vezes erguia a caneca e brindava em nossa direção. Eu, hein?

A coisa seguiu assim por mais ou menos meia hora, até que decidi erguer a taça na direção do velho, também, e brindei a resposta para a frase dele:

- Memento Mori.

CRASH!!!

Era a caneca do velho quebrando no chão. Me amarro numa onomatopéia. Ele só ficou nos olhando com aquela cara espantada de quem vê pela primeira vez um prato de sushi, imóvel. Claro, comecei a me arrepender. Não tinha sido bonito. Mas fora instintivo, quase. Enquanto o velho gritava “aproveite o dia”, eu tinha respondido “lembre-se que morrerás”. Mas era a resposta, não era? As duas filosofias discordantes. Só que memento mori não deveria ser usada em um bar, ainda mais com um senhor que não precisava lembrar que memento mori. Pensei em pedir desculpas. Mas ele levantou e se dirigiu à nossa mesa:

- Você é da ordem?

- Não. Eu sou do caos. Sabe, tem essa teoria: a ordem tende a degenerar em caos, enquanto o caos sempre vai crescer a níveis mais complexos de entropia. Daí, acho que é melhor ficar do lado que está vencendo...

- Quero dizer da ordem dos segredos.

- Hã... não?

- Ah, desculpe. É que era uma das senhas que nós usávamos. Antigamente.

- Arram...

Tá, eu ia dizer o quê, então? Aliás, qualquer um que tenha visto meu quarto sabe que não sou muito de ordens... Depois, se começasse a concordar com o velho era capaz de ele me convidar a sacrificar uma cabra qualquer dia e eu, embora goste de churrasco, não valorizo muito o sangue. Exceto em morcilhas.

Mas era tarde: reminiscências tinham assaltado o cara:

- Sabe... nós nos reuníamos nesse lugar, tempos atrás. Esse bar nem tinha sido construído.

- Arram.

- Buscávamos conhecimentos perdidos. Vida longa, influência... mas já faz muito tempo...

- Arram.

- (Acho que esse velho tá a fim de ti.)

- (Calaboca.)

- Enfim, todos se foram. Só fiquei eu. Mas descobri algumas coisas no caminho...

- Arram.

- Bom, eu já vou indo. Prazer em conhecer vocês.

- Arram.

E foi isso. Dois meses depois meu amigo me liga, apavorado, dizendo que achou uma foto do velho, e eu sugeri que eles se procurassem, não existe essa história de certo ou errado, se duas pessoas se gostam. Daí ele apareceu com uma cópia da foto no outro final de semana, e datava de quase dois séculos atrás. Era o velho, embora a barba não estivesse tão comprida, nem tão branca. A legenda dizia: A Ordem dos Segredos – 1812. Dissidentes do positivismo no Rio Grande do Sul, com viés místico, a seita desfez-se e desapareceu na história.

Talvez por uma boa razão. Fica difícil esconder a imortalidade se você fica aparecendo na história toda hora. Voltei ao bar depois. Até enxerguei o velho outras vezes. Mas preferi não me aproximar muito. E você, faria o quê? Ademais, a ideologia positivista sempre pareceu com algo que o gato cospe no tapete, pra mim. Nem quero ouvir falar da dissidência.
Publicado originalmente no Farrazine #6. Baixe a edição aqui ou leia online aqui.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O QUE VEM POR AÍ!

CONTO URBANO
por Invinoveritas - prévia do que virá no Farrazine#19

 



Aquela armadilha pseudológica e sem sentido nenhum continuava insistindo em vir à tona em minha consciência: 

“Estou à beira do mar. O mar é um abismo. Logo...” 

E olhava para diante, para as ondas, indeciso entre pular para junto de meus primos e ficar por ali mesmo, assobiando covardemente. Claro, não há perigo nenhum em pular no mar de cima de uma rocha metro e meio acimal se o lugar tiver uma certa profundidade e você saiba nadar. Era algo que coçava, que me avisava atrás da esquina de meus sentidos. Um perigo.

“Pula, pula!”

Gritavam os canalhas. Eu me senti um suicida. Talvez isso explique a minha alegria selvagem ao me lançar no ar e cair nas ondas. 

Um pontinho perfeito. 

Fendi as águas com graça (acho eu), a resistência da água diminuiu a minha queda até a interromper, eu voltei para a superfície e limpei os olhos. Sorria, orgulhoso. Um rapaz de treze anos tem que provar sua coragem constantemente a seus amigos e familiares. 
Só que não era o medo que me prendia à pedra, então. Era o conceito do mar. Sua grandeza. Como ter Deus na sua frente, imensurável. 

E aí? Como fazer? (E aí, Deus? Dia gostoso, né?) 

Mas estava aliviado. A água me envolvia, a temperatura era deliciosa, a sensação agradável, mesmo que estivesse turva.

Relaxei. 

Imagine a minha surpresa ao ver os olhares aterrorizados dos outros, apontando algo atrás de mim e gritando, gritando algo que eu não conseguia entender porque meus ouvidos estavam cheios d´água, que eu só pesquei o final da frase...

***

A estória continua na edição 19 do Farrazine disponível na próxima semana para download.


 
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