quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TOCA RAUL! - Resenhas do Farrazine

Meados de 1989. Eu tinha 13 anos e me lembro de um cara todo vestido de couro, ou seja lá o que fosse, se esguelando nalgum programa de TV. A próxima lembrança que me vem é de uma matéria do programa “Fantástico”, anunciando a morte de um cantor. Parecia algo importante, mas o que se fixou mesmo na minha cachola de moleque foi que aparecia um cara lendo um gibi do Tex, num videoclipe amalucado de uma música que falava de cowboys e medos. Quadrinhos são parte indelével de minha memória desde a mais tenra idade, mas creio que essa informação não vem ao caso.

Passou mais um tempo até que eu me deparasse, em uma festinha de aniversário, com um LP que me chamou a atenção. Aquela capa, na qual apenas aparecia um deserto e uma pintura, no melhor estilo foto 3x4, e o nome sugestivo: “O Dia Em Que a Terra Parou”. Foi então que notei que já havia visto aquele cara da foto. Era o tal do Raul Seixas. Daí, para me apaixonar pelas músicas, decorar todas daquele disco, e então correr atrás de qualquer material possível, fossem fitas cassete pra lá de piratas ou recortes de jornais e revistas, foi um pulo.

Neste mês de agosto de 2009, faz 20 anos que Raulzito nos deixou. Faz mais ou menos 19 anos que sou fã incondicional dele.

A esta altura, você deve estar se perguntando: “Tá! 20 anos que o cara morreu. Não vai rolar uma biografia, ou discografia, ou quaisquer outras grafias?” Não. Não vai. Sempre em datas “redondas”, a mídia em geral despeja toneladas de informações sobre um fato ou personagem; portanto, se você quiser saber sobre datas, números e informações úteis ou fúteis, basta um passeio rápido por esse mundão da internet, que estará bem provido de informação.

Aqui me reservo apenas ao direito de, mais uma vez, prestar homenagem a esse cara que me fez ser quem sou, seja isso bom ou ruim. Mas, aí, já é com meu psiquiatra!
Enfim, digo: prestar mais uma vez homenagem pois, lá naquela época de que eu falava antes, após me apaixonar pelas músicas do cara, eu costumava prestar minha homenagem religiosamente, mesmo que fosse anônima. Não me importava. Era usando uma camiseta; ou pendurando um cartaz, desenhado por mim mesmo, no saguão da escola, para lembrar mais um ano de ausência; disseminando minha paixão, fazendo com que outros amigos ouvissem também, da maneira como eu ouvia, as músicas; ou ainda, auxiliando num teatro, no qual fizemos um sósia do Raul saltar de dentro de um caixão, dublar algumas músicas e retornar ao caixão, levando cutucadas de um capetinha pintado de colorau! E isso tudo no coreto da praça de minha cidade natal. Algumas pessoas não gostaram muito.

O tempo passa, essa efervescência adolescente passa, as demonstrações mais apaixonadas acabam sendo relegadas a um tímido “Gosto muito.” em resposta a um “Ô cara, você curte Raul?”. Apesar de não deixar de sempre ouvir e buscar saber mais sobre a obra e o homem. Talvez tenha sido apenas o mundo, fazendo com que a gente tome a pose de cidadão respeitável, que ganha 4 mil cruzeiros por mês, alegre e satisfeito, e que contribui para o nosso belo quadro social. Mesmo que isso lhe doa no peito. Pois é, com o tempo, a gente acaba entendendo exatamente o que aquele magrelo queria dizer.

Mas deixemos as melancolias de lado, hoje não é o “Dia da Saudade”. Aproveitemos essa data “redonda” não apenas para enumerar discos, falar de datas, curiosidades, ditos ou desditos da vida do Raul. Vamos aproveitar para fazer o que de melhor podemos fazer para homenageá-lo, mesmo que seja anonimamente! Vamos ouvir e cantar suas músicas. Ouvir com o coração e cantar com a alma! Vamos fazer parte daquela trupe que enche o saco de qualquer banda em festas de formatura, bares e shows, gritando lá do fundão: TOCA RAUL!

Ou como diria o Zeca Baleiro: “Mal eu subo no palco, um mala, um maluco já grita de lá:
‘Toca Raul!’ A vontade que me dá é de mandar o cara tomar naquele lugar; mas aí eu paro, penso e reflito: como é poderoso esse Raulzito!
”

Texto publicado no Farrazine #13, escrito por Marcelo Mainardi, que você pode ler aqui ou baixar aqui

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O desafio de Shazam - Contos do Farrazine

“Então, eu vou chegar e vou dizer... Oi, Kathy, lembra de mim? Sou eu, Billy? Billy Batson? Se lembra?”

“Eu acho que você tá dando muito papo, sério. Muito lento. Muita conversinha. Precisa ser mais rápido.”


“Quieto, Mercúrio, sério. Me deixa ensaiar direito, ok? Eu gosto da Kathy, quero que tudo dê certo na festa... Vamos de novo... Kathy, eu...”
 

 “Sério, isso tá muito demorado... Ensaiar pra quê? Vai logo. Pra que esperar a festa? Liga pra casa dela. Quer dizer, pra que ligar? Vamos pra lá agora!”


“Mercúrio, não tem como fazer assim! Caramba! Eu tenho que esperar a hora certa, fazer direito, pelo amor de Deus!”





“Deus não, deuses, Billy Batson.”


“OK, Salomão, OK... Vacilo meu... Mas tá entendendo, Mercúrio? Eu tenho que esperar a hora certa, o clima certo, chegar do jeito certo... Eu só vou ter uma chance, entende? Preciso acertar a hora H pra...”

“Como assim, só uma chance?”

“Ah, saco... O que é que tem, Atlas?”

“Esse papo de "só uma chance"... Você tem várias chances! Você pode tentar e tentar e tentar e tentar e eternamente tentar, até que ela aceite. Você tem meu vigor, Batson! Você pode tentar e tentar e tentar, até que ela desista porque sabe que você pode continuar tentando e tentando e tentando e tentando...”

“Mas eu não quero vencer ela pelo cansaço, Atlas! Eu quero que ela goste de mim! É por isso que eu estou juntando coragem pra poder—“

“Nem diga isso...”

“Isso o quê, Aquiles?!”

“Coragem. Você disse que está juntando coragem.”

“E qual o problema nisso?”

“Por favor, eu sei o que é coragem. Eu atacava cidades sozinho sem pestanejar. Eu derrotava gigantes usando uma colher e meio pão dormido. Você está agindo como um franguinho por causa de uma mortal espinhenta de quatorze anos. Não me venha falar em coragem, por favor...”

“Que porcaria, vocês poderiam ficar quietos por um—“

“E continua demorando... eu já teria ido na casa dela...”

“Mercúrio, último aviso, para com isso! Será que eu não posso—“

“Claro que pode.”

“Posso o quê, Zeus? Você nem sabe o que eu ia falar!”

“Seja o que for, você pode. Eu tenho o poder, você tem o poder, então você pode. Se você quiser jogar um raio nessa tal da Kathy, você pode, sabia? Ou virar um animal e se deitar com ela, ou tomar a forma do marido dela...”

“Por que diabos eu faria uma coisa dessas?!”

“Bem... sempre funcionou comigo... eram outros tempos, eu sei... mas os clássicos nunca morrem, é o que dizem...”

“Será que vocês não podem ficar quietos pelo menos por cinco minutos pra que eu tente me preparar pra pedir em namoro a mulher da minha vida?! Será?! Hein?!”

“Receio que você esteja enganado, Billy Batson.”

“Ah, céus... O que será agora? Vai, diz logo, Salomão...”

“Bem, Billy Batson, primeiro, eu preciso dizer que qualquer um sabe que não existe racionalmente isso que você chamou de “mulher da sua vida”. Existem, é claro, pessoas com quem você vai ter maior ou menor compatibilidade, mas nada garante que a mesma pessoa vá refletir e corresponder aos seus desejos e anseios durante todo o período da sua existência.”

“Por favor...”

“E, mesmo se isso fosse possível, com ênfase no “se”, as possibilidades de que Kathy Beck seja essa pessoa são ínfimas. A bagagem cultural de vocês dois, ainda que reduzida, devido ao pouco tempo de vida de ambos, é totalmente oposta; o temperamento da Srta. Kathy é, de fato, considerado muito difícil por todos que a cercam e, ainda que hoje ela tenha um rosto realmente angelical, é possível notar, reparando nos traços de sua genitora, que este rosto gradativamente irá mudar, assim como o resto do corpo, fazendo com que ela ganhe peso rapidamente e passe a ter uma postura curvada e olhos caídos, que evidentemente passariam para os seus descendentes.
E não é sábio ter filhos com olhos caídos.
Como se não bastasse isto, é possível para qualquer pessoa com mínimas capacidades de observação notar que ela não nutre nenhum interesse por você, e sim uma especial afeição pelo jovem Bill Clarence, da equipe de atletismo.”

“Por favor, parem... sério...”

“Eu já teria ido até a casa dela e ficado com ela. Umas seis vezes...”

“Vocês não conseguem realmente calar a boca, certo? Todos precisam ficar dando opiniões o tempo todo?! Todo mundo já falou? Hein? Hein? Alguém ainda quer dizer alguma coisa?!”

“Bem, eu já teria—“

“Fora você, Mercúrio! Hércules, você é o único que ainda não falou... Vai, pode ir... Manda... Já desisti da festa mesmo...”

“Não, eu pensei em uma coisa, mas não é nada demais...”

“Vai, fala!”

“Não... nada não... besteira minha... tô tranqüilo...”

“Nesse meio tempo você poderia ter já—“

“Mercúrio! Cala-A-Boca! E Hércules, fala logo...”

“Sério, bobagem mesmo, nada demais... deixa pra lá...”

“OKk, então eu não vou mais—“

“Então... é uma coisinha... queria te perguntar...”

“O quê, Hércules? Fala logo...”

“Tipo... você, com esses braços magrinhos... já pensou em começar a malhar?”


Conto publicado no Farrazine #14 que você pode ler aqui ou baixar aqui

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: RABISCOS RIBEIROS!

Apesar de estarmos em Setembro continuamos postando as HQ's do projeto AGOSTO PRA TUDO iniciado pelos nossos parceiros da República dos Quadrinhos.
 
Dessa vez, temos Enéas Ribeiro
, que foi o convocado de última hora para substituir o título JOSENIX, mas o 
RIBEIROS RABISCOS , não irá decepcionar, fiquem tranquilos! 
Tiras, HQs curtas e muito bom humor são o mote da edição que conta ainda com o histórico e o registro do brilhante trabalho desenvolvido por nosso colega na luta e conquista da criação de uma Gibiteca em Quatro Barras - PR. Com um proposta de torna-lá um núcleo de quadrinhos, tanto no que diz respeito a fundamentação teórica e prática com estudantes e demais interessados, mas também como point de encontro para os amantes da nona arte e dos artistas profissionais e amadores que poderão trocar ideias, parcerias e dar origens a projetos  de interesse comum. 
Um visionário, batalhador e cabra de peia, esse é o nosso Enéas. E em RIBEIROS RABISCOS ele mostra como é bom na arte de contar histórias curtas. Seu traço é rápido quanto o seu raciocínio e criatividade aguçada, talvez daí tenha surgido o "Rabiscos" do título. 
Deixe o lápis e o mouse de lado e clique aqui para conhecer uma pequena parcela do trabalho do Enéas e aguardem, pois muito em breve ele vai se tornar uma figurinha frequente deste nosso espaço!

domingo, 4 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: A FELINA COMÉDIA!


Apesar de estarmos em Setembro continuamos postando as HQ's do projeto AGOSTO PRA TUDO iniciado pelos nossos parceiros da República dos Quadrinhos.

Dessa vez, temos a paranaense Nina Collère que foi a primeira-dama da República dos Quadrinhos (Calma! Não somos casados!Pelo menos, não um com o outro...) no longínquo mês de julho de 2009, depois viria a Lorena Kaz, para fechar o Conclave de Águias que deu um voo rasante sobre a apatia reinante nos céus virtuais brasileiros. 
 
Dois anos se passaram, muita coisa mudou e as prioridades da Nina, também. Trabalhando com TV e publicidade, sua promissora série "A Felina Comédia", inspiradas em suas três gatinhas (gatas mesmo, do gênero felinius frajolas felix da silva) acabaram deixando de ser uma prioridade. Apesar de ter gatas como protagonistas, a série não aborda o submundo de Tom (& Jerry) e sim, o cotidiano do sapiens sapiens cachorrão safadus e de nossa realidade pra lá de humana (ou desumana). 
 
Por meio da óptica das três felinas vemos como a Nina enxerga a humanidade. O olhar e o charme feminino são o que realçam suas tirinhas. Mesmo na época ainda sendo uma aprendiz (naquela época) das possibilidades narrativas e dos recursos existentes nos programas de computador, ela soube usá-los com bastante eficiência. A parte cromática foi o que mais me atraiu no início e tenho certeza que apesar de algumas irregularidades presentes, como o tamanho variável do formato das tiras, por exemplo, Nina não deixou nenhuma ponta solta, nenhum deslize foi cometido, talvez o único tenha sido o de abandonar o projeto. Mas tudo coopera e todas as coisas acontecem em seu devido tempo. 
 
Eu torço para que essa compilação de seu trabalho contribua pra que a mulher-gato dê uma grande espreguiçada, a famosa lambidinha nas mãos e coloque-as de novo na ativa. 
 
Nós aguardamos e enquanto nada de concreto acontece, só nos resta  convidá-los a conhecer ou a reler  A FELINA COMÉDIA, aqui! Miauuuuuuuu!

sábado, 3 de setembro de 2011

AGOSTO PRA TUDO: ACUNHA!

Por Marcos Garcia

Apesar de estarmos em Setembro continuamos postando as HQ's do projeto AGOSTO PRA TUDO iniciado pelos nossos parceiros da República dos Quadrinhos.
 
Dessa vez, temos o Fanzine “Acunha” teve seu primeiro número publicado em Mossoró, em setembro de 1984, idealizado por Marcos Garcia e Laércio Cavalcante. O título ACUNHA foi criado por Laércio, que significa incentivo, força de vontade, expressão muito usada pelo sertanejo no seu cotidiano, seja na dança do forró, seja na ação conjunta para retirar uma carroça, digamos de um atoleiro.
 
Foram publicados 5 números, sendo o 4º e o 5º,  lançado aqui em Natal. 
 
 
 
E agora vocês terão a oportunidade de ter acesso a mais um material de resgate da memória da produção gráfica potiguar, com artes de feras como Adrovando Claro, Gilvan Lira e Laércio, e comparar a evolução do traço desses artistas, passados 17 anos. 
 
Baixe aqui e guardem esse documento histórico. Vamos! 
 
Não deixem para depois, ACUNHEM agora!(BP)

 
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