terça-feira, 29 de março de 2011

Foi-se o Zé...


Pois é... foi-se o Zé Alencar. Depois de pelo menos 13 anos de luta contra o câncer, desistiu. E eu, cá no meu jeitão, resolvi olhar a biografia dele.Divido com você.

O Zé nasceu em 1931, em Muriaé (MG). Aos 17, depois de ajudar o pai na loja e trabalhar como balconista de uma loja de tecidos desde os 15, Zé se mudou para Caratinga, para trabalhar na Casa Bomfim. Um ano depois iniciou seu primeiro negócio, auxiliado pelo irmão. Três anos depois vendeu a loja e abriu um negócio de cereais por atacado. Em 1959 seu irmão faleceu e o Zé assumiu seu lugar na empresa União dos Cometas. Acabou por fundar, em 1963, a Companhia Industrial União dos Cometas (Wembley Roupas S.A.). Em 67 fundou a Coteminas, que em 75 inaugurava uma das mais modernas fábricas de tecidos até então vistas no Brás.


Foi presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Candidatou-se às eleições para o governo de Minas Gerais em 1994 e perdeu. Em 98, elegeu-se-o (bonito, né? Só não sei se está certo) para o Senado Federal. No Senado, foi presidente da Comissão Permanente de Serviço de Infra-Estrutura, membro da Comissão Permanente de Assuntos Econômicos e também da Comissão Permanente de Assuntos Sociais.

Subiu a vice-presidente na aliança com Lula, onde esteve até as últimas eleições. Começou como uma voz dissonante no governo, coisa polêmica para um vice, e no decorrer do tempo se foi integrando, não sei se por ter ganho confiança ou por estar com a saúde fragilizada pelo câncer, que o afligia há uns bons 13 anos, já. Em 2004 acumulou com a vice-presidência o cargo de ministro da Defesa, função que exerceu até março de 2006. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Isso retirei da Wikipedia, mesmo, e confirmei em outros sites de notícia que deram ou comentaram. Nada demais. E são essas as informações que rolaram nacionalmente, em sua maioria, pouco diferindo no conteúdo, o mais diferente que achei foi num blog jornalístico que o criticava pela atitude no caso recente de paternidade. Mas isso não foi o que ficou ali, arranhando o inconsciente. O caso foi o câncer, mesmo.

O Zé sofria de câncer pelo menos desde 1997, quando fez sua primeira operação. Isso significa que, conhecedor do fato, concorreu ao Senado e à vice-presidência. Claro, obviamente não contava com a morte e nem estou dizendo que devesse. Mesmo assim é um homem com uma doença mais do que potencialmente fatal (em especial nos últimos anos, quando a natureza agressiva do câncer era mais evidente) concorrendo ao segundo maior cargo do país.

Soa familiar? Pois pra mim, soou. Afinal, a presidente Dilma Roussef também passou por tratamento de retirada de um linfoma em estágio inicial, quando ainda era ministra-chefe da Casa Civil, em abril de 2009. Todo mundo sabia que Dilma era a escolha para a sucessão de Lula, e isso foi meio que um susto geral. A notícia foi "amenizada" com o prognóstico médico, que diz que na média dos pacientes com esse tipo de câncer, a doença volta em apenas "de 6 a 20%" dos casos.

Às vezes a coisa toda não está no que está escrito, mas sim em como se lê o que está escrito. No caso, Dilma Roussef, medicamente, tem uma chance entre 6 e 20% de ter problemas graves de saúde em seu mandato como presidente. No caso do Zé Alencar essa chance era provavelmente bem mais alta. Não sei ao certo, não vi. Mas devia ser.

E aí vem aquela dúvida: isso não devia estar anunciado em letras vermelhas e berrantes antes do nome deles, na cédula? Tipo... por lei? Eu votei na Dilma, e sabia do caso, mas... não devia? Não tem um tipo de exame que as pessoas façam antes de concorrerem, pra serem aprovados para o pleito, ou mesmo um exame antes de serem empossados? Tem alguma boa razão para não se ter prestado mais atenção nisso?

Por mim, não acho que pessoas gravemente doentes devesse concorrer a altos cargos públicos e que a adequação dos candidatos ao cargo deve ser julgada por exames médicos severos. Afinal, não é assim para os funcionários? Os candidatos que fossem julgados incapazes de concorrer deveriam esperar até às próximas eleições, paciência. Quatro anos não vão matar ninguém. A menos que eles estejam gravemente doentes, caso em que, se quatro anos os matarem, pelo menos não vão deixar vagos cargos de alto escalão, passando-os para substitutos. Aliás, o mesmo deveria valer para candidatos mortalmente feridos. E mais não digo, porque começo a bobear.

1 comentários:

rdelton! disse...

Eu fiz bem um comentário sobre isso no post http://farrazine.blogspot.com/2011/01/posse-da-dilma-roussef-pt-no-poder.html

Penso igual a você... Principalmente depois de ver que o vice da Dilma é do PMDB e tem um sobrenome que faz alusão ao medo... TEMER! Hahahaha!

Excelente post!

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