sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FARRAZINE IMAGINE!

" Stephen Strange suava frio enquanto seus olhos acompanhavam o relógio.
Ele ainda tinha seis horas. Seis horas antes do fim, quando o Demônio viesse buscar sua alma...”

Desenho do Mainardi

Imagine Nano Falcão criando Dr. Estranho” é um conto com uma visão perturbadora de como o Mago Supremo seria se escolhesse um caminho, digamos assim, diferente.

Trazido até vocês pela união de Nano Falcão (texto), Mainardi (desenhos) e Kio (diagramação).

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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Isabelle Caro, 28 anos, morta.



Pois a modelo Isabelle Caro faleceu recentemente, a 17 de novembro. Por uma dessas coisas que são difíceis de explicar, sua morte só foi divulgada 29 de dezembro.


São, eu disse, coisas difíceis de explicar. Mas não impossíveis. Porque Isabelle é uma dessas coisas que se faz esforço para esquecer. Uma pessoa que faz questão de mostrar o aleijão moral e, com isso, faz com que percebamos nossos próprios aleijões. E ninguém gosta disso, certo?


Isabelle faleceu aos 28 anos. Ficou conhecida por posar nua em uma campanha contra anorexia. Isabelle chegou a pesar 25 quilos, com seus 1,65m. Ao morrer, pesava 42. Estava se recuperando, mas infelizmente isso só serviu para a piada: "morta, sim, mas parece tão saudável..."


Sua coragem será, se possível, esquecida. As fotos com o fashion esqueleto à mostra, macabras poses sexy, tinham a intenção de alertar para nosso distorcido senso estético e os danos possíveis a impressionáveis adolescentes. Sabemos como são adolescentes: inseguros e ansiosos por pertencer a algum lugar ou grupo. Que uma indústria da moda propague o corpo ideal como sendo o de uma pessoa doente é criminoso. E Isabelle, 28 anos, foi mais uma das vítimas dessa indústria.


O corpo de Isabelle, leve, leve, no caixão, é uma testemunha de nossa preguiça e de nossa inação. Preguiça de pensar, mesmo. De deixar que uma indústria determine nosso senso de beleza. De aceitar o que nos impõe como norma, como se ser parte de um padrão fosse algo louvável ou mesmo aceitável. Como se a individualidade fosse repreensível, e não algo raro e maravilhoso porque diverso - e a diversidade é riqueza.

Outro dia estava assistindo TV com a patroa e me deparei com um dos mais sádicos e tristes programas que já vi na minha vida. Outro desses programas era um da Xuxa, que oferecia uma operação plástica como prêmio (não sou xiita: acho que há casos em que uma cirurgia plástica - especialmente as de reconstrução - é um fator determinante da qualidade de vida do indivíduo, mas não creio que fosse o caso). Esse de que falo agora é O Esquadrão da Moda, e seu roteiro básico é um casal, uma mulher e um homem (nenhum dos dois tem cara disso), humilhando uma vítima a pedido de algum parente ou conhecido, e oferecendo dez mil reais para que essa pessoa mude o guarda-roupas.

É um sintoma do modo de produção sob o qual vivemos, não há dúvida: não somos indivíduos, somos consumidores, e essa postura torna mais fácil vender tralhas para uma fatia mais ampla da população. Antigamente a adolescência ia de treze até dezoito. Agora vemos crianças de onze agindo como adolescentes... e isso vai até os 50 (tiozinho da Sukita é a nova onda de comportamento do adulto moderno). A moda é ser jovem.

A capacidade de pensar criticamente sobre o assunto está em cheque, somos pressionados por todo canto para nos adequarmos a um padrão. Acabamos depositando nossos valores em coisas transitórias como beleza e moda. E no verão que vem temos que comprar tudo de novo: roupas, sapatos e beleza. Que beleza se compra. É o que todo mundo diz.

Plásticas, botox, maquiagem, perucas, máscaras de um tipo ou de outro, tudo para que você esqueça a criatura triste que está lá, embaixo de tudo aquilo. Você.

Em homenagem a Isabelle, 28 anos, morta, gostaria de postar aqui um vídeo que é uma obra de arte. Não porque nos faz felizes, não porque tem efeitos especiais. Porque nos faz pensar. Vi há um tempão e isso está mais atual do que nunca. Confira, que vale a pena.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MUSIC DON'T STOP - Resenhas do Farrazine

Elvis PresleyAinda há espaço para o rei?

Muito já foi dito sobre Elvis e é indiscutível sua importância para a história da música ocidental. Sabemos de sua enorme influência sobre o rock como o conhecemos hoje, além de seus diversos e elogiados trabalhos com a música country e gospel. Mas nem todos sabem como e, mais importante, por que Elvis recebeu o “título” de rei do rock ‘n’ roll.

Nos anos 50, início da carreira do artista, ainda não se havia estabelecido um gênero chamado rock ‘n’ roll. De fato, o que existia era o já popular R&B e a música country, que fundidos tornaram-se o famoso “rockabilly”, o rock caipira, gênero musical no qual se enquadram vários dos primeiros sucessos do rei, como;

That’s all right”,


 “Blue Moon of Kentucky”,
 

Memphis, Tennessee”,


entre outros...
No entanto, Elvis estava longe de ser o único, e ouso dizer, longe de ser o melhor cantor de rockabilly da época. O que o diferenciava, porém, de artistas brancos como Pat Boone e Bill Haley era o “ato de rebeldia” realizado em quase todos os seus primeiros shows. Não, Elvis não arrebentou guitarras no palco (vide The Who), não ateou fogo a pianos (vide Jerry Lee Lewis), nem afirmou ser mais popular que Jesus Cristo (vide Beatles).

Elvis.....rebolou.












E é aqui que os fãs me atiram pedras, enviam cartas de ódio a minha casa e ameaçam me esfaquear enquanto durmo. Mas é a verdade, senhoras e senhores: Elvis virou o rei porque ele rebolou.

Algo tão inocente, especialmente quando nos deparamos com a música brasileira hoje e seus “performers”, como dançar enquanto cantava, fez com que o rei se destacasse entre os demais. Lembremos que a sociedade norte-americana do momento (e vamos ser honestos, também o resto do mundo seguindo seus moldes) era um tanto conservadora e extremamente puritana (como o é até hoje, ainda que se tente provar o contrário). Um jovem branco cantando e, principalmente, dançando como negro era certeza de corrupção da juventude. E corrupção implica em “algo que você não deveria estar fazendo”, portanto “proibido”, o que nos leva àquilo que os jovens mais idolatram nesse universo: a oposição.
Opondo-se à música ouvida por seus pais e às regras de comportamento, os jovens brancos norte-americanos puderam se distanciar mais e mais dos valores de então. Assim, algo tão banal como mexer os quadris fez com que Elvis se tornasse a voz daquela geração, representando a necessidade de busca pelo novo.
Mas quando nos encontramos em pleno século 21, o novo milênio à beira de completar uma década, bem, nada disso parece importar. É como se não houvesse nada poderoso o bastante para chocar e, assim, mobilizar a juventude. Como pode algo tão “arcaico” quanto à simples... música competir com o Playstation, por exemplo? Essa é minha pergunta.

E, pelo amor de Deus, isso não quer dizer que eu tenha alguma coisa contra o Playstation, longe de mim! A questão é: quem, com menos de 20 anos e em são consciência, quer ouvir Elvis Presley cantando seu rock caipira?

Pode uma canção como “Heartbreak Hotel” causar algum impacto hoje em dia? Ou mesmo a brega e ainda assim inesquecível “It’s now or never”? É quase impossível dizer. Eu poderia falar mais sobre Elvis, falar sobre sua carreira militar e seus trezentos e vinte e sete filmes havaianos. Eu poderia. Mas não vou. O Google pode fornecer essas informações. O que o Google pode não te dizer (talvez ele possa, mas não é provável) é que Elvis é único pela sua versatilidade imutável.

Como é que é? Explico.

A carreira do rei teve altos e baixos, suas músicas oscilaram do sexy R&B às baladinhas ingênuas, ao rock propriamente dito e até aos boleros pavorosos. No entanto, o artista sempre manteve o carisma inigualável em sua performance, seja e, gravações ou lives.

Há algo nas músicas desempenhadas por Elvis que podemos classificar como “sentimentalismo honesto” (favor não confundir com emo). O grande problema é que, na modernidade (sinônimo de praticidade), isso é ridículo, é simplesmente patético ser romântico (o que explica o ódio aos emos). Meu Deus! Como alguém é capaz de ligar Elvis aos emos? Sem pânico. Não há ligação direta. A diferença está na honestidade das letras, que combinadas à magnífica voz de Elvis (explorada e trabalhada em todo seu potencial apenas a partir de 1968), fizeram desse artista um ícone.
Falta honestidade na música pop hoje. Por essa razão, seria muito interessante se os jovens voltassem sua atenção, não só a Elvis, mas também aos seus contemporâneos, como Johnny Cash, Chuck Berry, e até mesmo o ótimo Hank Williams, pioneiro da música country e grande influência no estilo do rei. Talvez esses talentos notáveis possam trazer alguma espécie de impacto positivo sobre os adolescentes, nem que seja apenas no sentido de levá-los a perceber o poder de transformação da boa música. Gosto de pensar que, rebolados à parte, esse foi (e, se não permitirmos que morra) sempre será o verdadeiro legado do Sr. Elvis Aaron Presley.

Texto escrito por Jaqueline Scognamiglio para o Farrazine #10

Baixe a edição aqui ou leia online mesmo aqui




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

TIRINHAS!!!

AS AVENTURAS DE HERÓIS DE FARRATOWN!

Apresentando The Zoom;
Apresentando também o Vingador Escarlate;
                                 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

FARRAZINE ENTREVISTA; LILIAN MITSUNAGA



Creio que essa desastrada tentativa serve para mostrar a importância do letreiramento em uma história em quadrinhos. E quando falamos nas letras que preenchem aqueles balões de diálogos e textos, aposto minha coleção do Batman que o primeiro nome que virá à mente do leitor é o de Lilian Mitsunaga. Ao menos na mente do leitor mais experiente, na falta de expressão melhor. (Não, isso não significa que você colocará as mãos na minha coleção do Batman).
Faça um teste: Escolha uma revista qualquer, lá no fundo do seu baú. Em algum lugar você vai achar o nome dela!

Há quase trinta anos trabalhando nesta área, Lilian é praticamente sinônimo de letreiramento. Essa arquiteta de formação começou a trabalhar na Editora Abril em 1980, na criação de letras para as revistas em quadrinhos da editora. Para se ter idéia; em um tempo em que o trabalho era completamente manual, com nanquim sobre vegetal, Lilian letreirou a primeira edição de Batman da Abril; a primeira edição de Conan; e mais toneladas e toneladas de outros títulos da editora.
Ainda hoje ela continua na área, através de seu estúdio Lua Azul, que faz trabalhos tanto para a Abril, como para a Conrad, Compania das Letras, entre outras.
A diferença é que hoje a experiência no uso do bom e velho nanquim, deu lugar ao uso talentoso de softwares.

E nesta edição, temos a honra de apresentar uma entrevista com esse ícone dos quadrinhos no Brasil. Entrevista esta conseguida na raça e na coragem (também conhecida como cara-de-pau) do colega Beto “Palhastro” Brandão Pires.
* texto original de introdução de Marcelo Mainardi



FARRAZINE - Quero saber um monte de coisas! Mas só tenho algumas perguntas precipitadas. Se puder responder qualquer uma que seja...
Lilian Mitsunaga - Olá! Vamos lá. Vou responder algumas, ok?

FARRAZINE - Seu nome completo.
Lilian Mitsunaga - Lilian Toshimi Mitsunaga Farias

FARRAZINE - Alguma HQ mudou a sua maneira de ver o mundo?
Lilian Mitsunaga - Acho que nenhuma HQ poderia mudar a maneira de alguém ver o mundo, mas a somatória de tudo o que você ler durante a sua vida pode ajudar a compreender melhor as pessoas e as diferenças que nele existem. Cultura nunca é demais, seja ela em qualquer tipo de manifestação, inclusive os quadrinhos.

FARRAZINE - Que artista mais influenciou a sua carreira?
Lilian Mitsunaga - Acho que meus pais. Eles foram responsáveis pela minha educação e disciplina. Meu pai já é falecido, mas os dois pintaram quadros, aquarelas, retratos durante a vida toda e gosto de pensar que me espelhei neles. Talvez não seja a resposta que você esperava, mas nestes anos todos trabalhando com quadrinhos, não saberia apontar um quadrinista específico. Foram tantas revistas e, sinceramente, nunca parei pra pensar nisso. Não poderia esquecer minha irmã, Marli, uma arte-finalista de mão cheia e que me deu muitas dicas de quais penas usar para os trabalhos. Se alguém me influenciou, foi ela. Vivia dizendo pra eu fazer balões com peninha que ficavam mais bonitos e tal. Era verdade.

FARRAZINE - Que HQ você mais lê?
Lilian Mitsunaga - Sinceramente? A que eu estiver letreirando (risos). Bem, pra dizer a verdade, eu era consumista voraz de quadrinhos quando pequena. Aprendi a ler bem cedo e lia tudo o que caísse no meu colo, de fábulas dos Irmãos Grimm a HQs. Desde os 5 anos, lia Disney, as histórias do Mickey detetive, as grandes aventuras dos patos de Carl Barks (só mais tarde fui descobrir que eram dele as hqs que eu mais gostava), A Turma da Mônica e Super-Heróis. Meu irmão era sócio da biblioteca da cidade e me trazia sempre livros de histórias pra ler. O namorado da minha irmã mais velha fez uma pilha de quase um metro de altura com as revistas do Super-Homen, Superboy, Batman e trouxe pra eu ler nas minhas férias escolares. Eu lia tudo. A contradição é que, quando comecei a trabalhar com isso, parei de ler, por absoluta falta de tempo.

FARRAZINE - Dê um exemplo de uma HQ muito boa mas desvalorizada.
Lilian Mitsunaga - Não apontaria uma HQ, mas todos os artistas nacionais que precisam se desdobrar pra sobreviver.

FARRAZINE - Cite uma HQ que frustrou suas melhores expectativas.
Lilian Mitsunaga - A série Vagabond. Desenho fantástico que foi abandonada pelo autor.

***
Entrevistador:  José Alberto Brandão Pires

A entrevista completa saiu na edição número #11 que você pode terminar de ler online mesmo aqui

Se quiser baixar a edição, o link é aqui

 
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