quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O QUE VEM POR AÍ!

CONTO URBANO
por Invinoveritas - prévia do que virá no Farrazine#19

 



Aquela armadilha pseudológica e sem sentido nenhum continuava insistindo em vir à tona em minha consciência: 

“Estou à beira do mar. O mar é um abismo. Logo...” 

E olhava para diante, para as ondas, indeciso entre pular para junto de meus primos e ficar por ali mesmo, assobiando covardemente. Claro, não há perigo nenhum em pular no mar de cima de uma rocha metro e meio acimal se o lugar tiver uma certa profundidade e você saiba nadar. Era algo que coçava, que me avisava atrás da esquina de meus sentidos. Um perigo.

“Pula, pula!”

Gritavam os canalhas. Eu me senti um suicida. Talvez isso explique a minha alegria selvagem ao me lançar no ar e cair nas ondas. 

Um pontinho perfeito. 

Fendi as águas com graça (acho eu), a resistência da água diminuiu a minha queda até a interromper, eu voltei para a superfície e limpei os olhos. Sorria, orgulhoso. Um rapaz de treze anos tem que provar sua coragem constantemente a seus amigos e familiares. 
Só que não era o medo que me prendia à pedra, então. Era o conceito do mar. Sua grandeza. Como ter Deus na sua frente, imensurável. 

E aí? Como fazer? (E aí, Deus? Dia gostoso, né?) 

Mas estava aliviado. A água me envolvia, a temperatura era deliciosa, a sensação agradável, mesmo que estivesse turva.

Relaxei. 

Imagine a minha surpresa ao ver os olhares aterrorizados dos outros, apontando algo atrás de mim e gritando, gritando algo que eu não conseguia entender porque meus ouvidos estavam cheios d´água, que eu só pesquei o final da frase...

***

A estória continua na edição 19 do Farrazine disponível na próxima semana para download.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O nerd e a referencialidade

É mais que sabido que temos, hoje em dia, na sociedade, uma cultura de convergência de mídias, tendências e gostos, e deve ser por isso que os nerds estão mais do que na moda (o “Fantástico” que o diga). Mas, se pensarmos, o que é a moda para o nerd? O que lhe chama tanto o interesse? Não, não falarei aqui de roupas para se usar em cosplay, nem camisas com estampas de heróis, mas de uma estratégia do mercado de cultura pop, que vem funcionando muito bem para chamar a atenção dessa parcela de seres (anti-) sociais, e que faz com que eles comprem mais e mais algo que é lançado: a auto-referencialidade, ou melhor, como os quadrinhos levaram para dentro de si a convergência midiática.

Para início de conversa, irei citar um exemplo de obra que, com certeza, 11 de 10 fãs dos quadrinhos devem conhecer, e que tem bem explícito esse artifício da referencialidade: “Planetary”, de Warren Ellis. A história trata de um grupo de pessoas com poderes especiais que catalogam, como arqueólogos, a “história oculta da humanidade”, uma história com raízes fortes na cultura pop. Portanto, como disse o João Felipe do site Sobrecarga, “espere de cada aventura de ‘Planetary’ citações e referências ao mundo do cinema e das histórias em quadrinhos. Nas palavras do mestre Alan Moore: ‘Warren Ellis e John Cassaday fabricaram um engenhoso mecanismo com o qual podem explorar as possibilidades de nossa situação contemporânea’. Isto é, resgatar elementos do passado, dando-lhes um novo encaminhamento e apontando para um possível futuro da nona arte.”

Essa sentença mostra bem o que quero discutir aqui: como, nessa primeira década do século XXI, o recurso de uma mídia fazer referência a outra, ou a si mesma, está sendo muito utilizado para ser um atrativo a mais para quem compra. “Planetary” e suas inúmeras citações visuais, escondidas ou não, gerou enxurradas de discussões em fóruns, teorias e até um guia, fomentando a curiosidade de quem não conhecia, e aumentando o interesse de quem, já na primeira edição, se tornou fã. Ou seja, Ellis sabiamente usou o gosto pelo saudosismo e colecionismo do passado dos leitores para prender suas atenções.

Estratégia também utilizada por Grant Morrison na sua mega-saga “Crise Final”, que muitos alardearam ser “arrogante, presunçosa e complexa” demais, o que até tem sua lógica mas, antenado com os novos tempos e leitores, Morrison criou uma verdadeira caça a símbolos escondidos, histórias esquecidas e revivals por parte dos fãs do Universo DC. Na verdade, o escritor já faz esse tipo de coisa desde seus tempos de “Homem-Animal” e “Patrulha do Destino”, só que, então, era mais com personagens “sumidos”. Ampliou tudo isso em “Crise Final” e em sua passagem pelo Batman, alimentando a fome de um leitor de quadrinhos que vive na velocidade e interconexão de uma vida cibernética, de wikipédias e cultura participativa, um verdadeiro Leitor 2.0.

Acho que qualquer pessoa ligada às novidades desse mundinho virtual já tinha percebido que instigar o público com a lógica de pesquisa e “caça ao tesouro” é lucrativo, os produtores de “Lost” que o digam. Tanto que produtos audiovisuais, como a série “The Bing Bang Theory” e o recém-lançado filme brasileiro “Apenas o Fim”, usam e abusam da capacidade nerd de se interessar por coisas que fazem referência aos seus gostos, explorando bem um filão de consumo que, até pouco tempo, era simplesmente renegado pela mídia e o capital.

Por Marcelo Soares - Revisado por Revisor Fantasma - FARRAZINE 13

REPÚBLICA DOS QUADRINHOS

Não precisamos esperar para ter mais uma convenção de Quadrinhos na Cidade Maravilhosa.
Depois do Comicon, no Rio de Janeiro, o 6º Encontro Anual de Cartunista é o evento cultural mais importante no fim de ano carioca.

A primeira parte dessa reunião foi realizada no passado dia 4 de dezembro com muito sucesso e presença de vários cartunistas promovendo uma das mais bonitas manifestações artísticas no Rio.

Quem perdeu a oportunidade de ir pode aproveitar esse sábado para conferir as exposições de charges, camisetas, caricaturas ao vivo e etc, que estarão no Sindicato do Chopp – Rua Farme de Amoedo – 85 – Ipanema – RJ à partir das 14 horas.

O Beto Potyguara, do blog República dos Quadrinhos, vai estar lá em nome da associação ABAS (Associação Brasileira de Artes Sequenciais).

Aconselho quem não conhece o trabalho deles a visitar o blog Tirando Uma que está repleto de trabalhos legais de estilos mais variados.

O 6º Encontro Anual dos Cartunistas “Pro Ano Não Morrer na Praia” será composto de 100 charges e cartuns de 51 cartunistas do Rio de Janeiro e de outras partes do Brasil!

Fonte -  República dos Quadrinhos

Hotel Califórnia


Hotel Califórnia



Com a letra bem abstrata, não demorou a surgir muitas teorias em relação à letra da música, desde que o Hotel Califórnia seria um prostíbulo, até a versão mais difundida de que se trata de uma igreja do diabo.

No entanto em uma entrevista, os integrantes do Eagles afirmaram que a música fala sobre os efeitos das drogas.

E de fato, "Hotel Califórnia" foi o nome dado ao "Camarillo State Hospital", localizado no Município de Ventura, entre Los Angeles e Santa Bárbara, que esteve em operação de 1936 a 1997. Durante o seu apogeu entre as décadas de 1950 e 1960, o Hospital estava na vanguarda do tratamento de pessoas com problemas mentais. Exemplo disto foram os procedimentos médicos desenvolvidos para a esquizofrenia. Muitos destes programas iniciados no "Camarillo" ajudaram pacientes, anteriormente relegados a uma vida de confinamento em uma instituição, serem capazes de sair do hospital e se tornarem (pelo menos quase) independentes. O Hospital continuou a ser um líder na pesquisa de medicamentos e terapias nos anos subseqüentes. Fora um dos primeiros a lidar com autismo.

O hospital encerrou suas atividades em final de Junho de 1997 com os pacientes, pesquisas e instalações movidas para outros locais. Devido à proximidade com a mídia de Los Angeles, foi referido em filmes, televisão e música. Alguns famosos que sofreram de doenças mentais, tuberculose ou desintoxicação por drogas ou álcool, estiveram lá para se recuperar. Charlie Parker Jr. escreveu, enquanto esteve se desintoxicando do vício de heroína, "Relaxing in Camarillo".

"Camarillo" foi destinado a se transformar em uma prisão, contudo, por interesse da comunidade, hoje é a Universidade do Estado da Califórnia. A maioria dos edifícios do Complexo foram preservados e restaurados, inclusive a torre com sino das missões, original de 1930, que é referenciado nesta música, entre outros.


De fato vemos muitas referências sobre as drogas na letra...
Por exemplo:

"Você pode desocupar o quarto a qualquer hora que deseje, Mas você nunca pode ir embora!".

Seria o mesmo que mostrar se torna dependente das drogas pode até dar um tempo, mais na real, nunca conseguem se libertar por completo. E é isso que se aprende no AA, você está curado, desde que não de o primeiro gole.

Tiffany, seria a personificação da droga, ela tem muitos amigos (dependentes), que a usam para:

"Como eles dançam no pátio, doce suor de verão, Alguns dançam para lembrar, alguns dançam para esquecer."

Afinal uns usam drogas por prazer, outros para esquecer o sofrimento do cotidiano real...

"Minha cabeça ficou pesada e minha visão ficou turva, Eu tinha de parar por causa da noite."

Dizem que isso acontece com quem está em crise de abstinência...

"Este poderia ser o Paraíso ou este poderia ser o Inferno".

De inicio é tudo muito bom, mais quando a dependência pega é que começa o problema...

"Cheiro ardente de baseado, se arguendo pelo ar. Mais afrente na distância, eu vi uma luz cintilante."

Um sonho onde o cara fica preso, uma alucinação, uma clinica pra dependentes...

Mas no final, não se surpreenda e nem tente entender muito. A maioria dos clássicos do foram compostos sob efeito de inúmeras substâncias ilícitas, que sabe lá o que esses malucos faziam.

Clique na foto abaixo para conhecer o verdeiro Hotel Califórnia.

Hotel Califórnia

 
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