HOMEM-ARANHA: NOVAS FORMAS DE MORRER

Muitos fãs antigos do Homem-Aranha deixaram de ler a revista em protesto contra o reset na cronologia, dado no começo de 2008. Eu pensei seriamente em fazê-lo. Mas então lembrei que eu mesmo só comecei a ler as histórias do Superman porque fizeram isso com o personagem em 1987: era a desculpa perfeita. Não que eu apóie o reset, nem o ache necessário. Tenho plena convicção que sim, poderia ter sido dado o ritmo dos gibis atuais sem apagar a cronologia, da mesma forma que hoje em dia a reformulação do Superman não significa mais nada e ele voltou a Era de Prata – com grande qualidade, aliás.
Mas ao invés de ser marrento com uma decisão editorial fácil, preguiçosa e execrável, resolvi dar uma chance ao pessoal que assumiu a bomba logo após a saída do editor Axel Alonso e do escritor JM Straczynski. E não me arrependi. O Homem-Aranha voltou a boa forma, ao personagem clássico que todo mundo aprendeu a amar, o que não significa que as coisas estão sempre nas mesmas. J. Jonah Jameson não manda mais no Clarim, nem Peter trabalha lá, e o Duende Verde não sabe a sua identidade.
Assim chegamos ao encadernado “New Ways to Die” (Novas Formas de Morrer) que reúne as edições 568 a 673 da revista Amazing SpiderMan, a primeira história longa do Aranha desde o início da série “Brand New Day” (no Brasil, “Novíssimo Dia”). A história marca a volta de John Romita Jr. a revista, o preferido dos fãs, e provavelmente o sujeito que mais desenhou histórias aracnídeas até hoje – não sei se está contabilizado, mas deve ser um verdadeiro recorde!
Romita Jr. volta num momento especial – como não deveria deixar de ser – que é a volta de Norman Osborn as histórias do Homem-Aranha. Norman pra quem não sabe é o Duende Verde, o mais mortífero inimigo do herói, justamente porque ele esta envolvido pessoalmente com Peter Parker, devido ao fato dele ser o melhor amigo de Harry Osborn, filho do vilão.
Osborn é louco e ao mesmo tempo um gênio, vilão do mesmo naipe de um Lex Luthor – e inclusive com a mesma ambição de um dia ser presidente dos Estados Unidos. Agora, comandando uma equipe de vilões a serviço do governo federal, os Thunderbolts, Norman está de volta a cidade para capturar o principal herói fora da lei não registrado da Marvel, justamente o Homem-Aranha.
O arco é crucial porque joga no mesmo caldeirão não apenas o Duende Verde original, mas também novos vilões como o Ameaça, cuja identidade continua um mistério, a volta do Venon, que muitos já consideraram o maior inimigo do herói, e a volta de Eddie Brock, o Venon original, agora como o Anti-Venon. O escritor Dan Slott coloca perigo de todos os lados, mas sem exagerar no drama, fazendo da aventura uma boa diversão para uma tarde tediosa.
Problemas no desenvolvimento da história é claro que existem, mas não por culpa do autor. A merda do “reset mágico” da continuidade, onde todos esqueceram a identidade do Homem-Aranha, continua tendo suas conseqüências. Por exemplo, por que Venon consegue localizar Eddie Brock por ele já ter sido hospedeiro, e não Peter Parker? Uma vez que o próprio Anti-Venon mais tarde mostra que Peter continua com vestígios que já foi hospedeiro, não há por que McGargan não ter reconhecido Parker quando se encararam, logo no primeiro capítulo. Afinal ele não precisava saber que Peter era o Homem-Aranha, só de sentir os traços do simbionte nele seria suficiente, e está claro que eles não foram apagados logicamente...
A “burrice” de Norman quando encontra a câmera de Peter também é difícil de engolir. Uma vez que o Homem-Aranha tira suas próprias fotos, porque Norman acha que Parker é apenas um laranja, e não o próprio herói, já que não pode tirar as suas fotos, bolou aquele meio de tirá-las automaticamente?
Excetuando essas incongruências, o resto até corre bem, na boa e velha tradição de um gibi de super-herói: algumas coisas são reveladas, outras não, continuando o mistério que nos levará as próximas edições. A relação Norman/Harry Osborn ficou esclarecida, bem como o que ele sabe de Peter Parker. O fotógrafo, aliás, conseguiu finalmente outro emprego,que faz muito sentido ao lado de Ben Urich, agora no comando do jornal Linha de Frente.
“Novas Formas de Morrer” mostra que quando um personagem é bom, é impossível acabar com ele, por mais que o chefão da Marvel, Joe Quesada, se esforce, aparentemente neste sentido. Enquanto houver autores apaixonados pelo Aranha, como Dan Slott e John Romita Jr. Peter Parker tem uma longa carreira pela frente. Leia e confira.

Muitos fãs antigos do Homem-Aranha deixaram de ler a revista em protesto contra o reset na cronologia, dado no começo de 2008. Eu pensei seriamente em fazê-lo. Mas então lembrei que eu mesmo só comecei a ler as histórias do Superman porque fizeram isso com o personagem em 1987: era a desculpa perfeita. Não que eu apóie o reset, nem o ache necessário. Tenho plena convicção que sim, poderia ter sido dado o ritmo dos gibis atuais sem apagar a cronologia, da mesma forma que hoje em dia a reformulação do Superman não significa mais nada e ele voltou a Era de Prata – com grande qualidade, aliás.
Mas ao invés de ser marrento com uma decisão editorial fácil, preguiçosa e execrável, resolvi dar uma chance ao pessoal que assumiu a bomba logo após a saída do editor Axel Alonso e do escritor JM Straczynski. E não me arrependi. O Homem-Aranha voltou a boa forma, ao personagem clássico que todo mundo aprendeu a amar, o que não significa que as coisas estão sempre nas mesmas. J. Jonah Jameson não manda mais no Clarim, nem Peter trabalha lá, e o Duende Verde não sabe a sua identidade.
Assim chegamos ao encadernado “New Ways to Die” (Novas Formas de Morrer) que reúne as edições 568 a 673 da revista Amazing SpiderMan, a primeira história longa do Aranha desde o início da série “Brand New Day” (no Brasil, “Novíssimo Dia”). A história marca a volta de John Romita Jr. a revista, o preferido dos fãs, e provavelmente o sujeito que mais desenhou histórias aracnídeas até hoje – não sei se está contabilizado, mas deve ser um verdadeiro recorde!
Romita Jr. volta num momento especial – como não deveria deixar de ser – que é a volta de Norman Osborn as histórias do Homem-Aranha. Norman pra quem não sabe é o Duende Verde, o mais mortífero inimigo do herói, justamente porque ele esta envolvido pessoalmente com Peter Parker, devido ao fato dele ser o melhor amigo de Harry Osborn, filho do vilão.
Osborn é louco e ao mesmo tempo um gênio, vilão do mesmo naipe de um Lex Luthor – e inclusive com a mesma ambição de um dia ser presidente dos Estados Unidos. Agora, comandando uma equipe de vilões a serviço do governo federal, os Thunderbolts, Norman está de volta a cidade para capturar o principal herói fora da lei não registrado da Marvel, justamente o Homem-Aranha.
O arco é crucial porque joga no mesmo caldeirão não apenas o Duende Verde original, mas também novos vilões como o Ameaça, cuja identidade continua um mistério, a volta do Venon, que muitos já consideraram o maior inimigo do herói, e a volta de Eddie Brock, o Venon original, agora como o Anti-Venon. O escritor Dan Slott coloca perigo de todos os lados, mas sem exagerar no drama, fazendo da aventura uma boa diversão para uma tarde tediosa.
Problemas no desenvolvimento da história é claro que existem, mas não por culpa do autor. A merda do “reset mágico” da continuidade, onde todos esqueceram a identidade do Homem-Aranha, continua tendo suas conseqüências. Por exemplo, por que Venon consegue localizar Eddie Brock por ele já ter sido hospedeiro, e não Peter Parker? Uma vez que o próprio Anti-Venon mais tarde mostra que Peter continua com vestígios que já foi hospedeiro, não há por que McGargan não ter reconhecido Parker quando se encararam, logo no primeiro capítulo. Afinal ele não precisava saber que Peter era o Homem-Aranha, só de sentir os traços do simbionte nele seria suficiente, e está claro que eles não foram apagados logicamente...
A “burrice” de Norman quando encontra a câmera de Peter também é difícil de engolir. Uma vez que o Homem-Aranha tira suas próprias fotos, porque Norman acha que Parker é apenas um laranja, e não o próprio herói, já que não pode tirar as suas fotos, bolou aquele meio de tirá-las automaticamente?
Excetuando essas incongruências, o resto até corre bem, na boa e velha tradição de um gibi de super-herói: algumas coisas são reveladas, outras não, continuando o mistério que nos levará as próximas edições. A relação Norman/Harry Osborn ficou esclarecida, bem como o que ele sabe de Peter Parker. O fotógrafo, aliás, conseguiu finalmente outro emprego,que faz muito sentido ao lado de Ben Urich, agora no comando do jornal Linha de Frente.
“Novas Formas de Morrer” mostra que quando um personagem é bom, é impossível acabar com ele, por mais que o chefão da Marvel, Joe Quesada, se esforce, aparentemente neste sentido. Enquanto houver autores apaixonados pelo Aranha, como Dan Slott e John Romita Jr. Peter Parker tem uma longa carreira pela frente. Leia e confira.













































































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