segunda-feira, 8 de junho de 2009
O que estamos lendo
A MORTE DO CAPITÃO AMÉRICA: UMA TRAGÉDIA EM TRÊS ATOS
O Capitão América está morto e isso não é novidade. Já fazem quase dois anos. Mas só no mês passado terminei de ler a longa saga por trás da sua morte: 18 edições lançadas num período de 20 meses, compiladas em três encadernados que oportunamente o editor Tom Brevoort chamou de "Atos".
Morte de super-herói é sempre uma estratégia de marketing pra chamar a atenção, principalmente em revistas que não andam boas em vendas. Não era o caso do Capitão. Desde que Ed Brubacker assumira o título em 2005, as vendas melhoraram e o escritor foi inclusive premiado pelo Eisner Awards duas vezes. Antes de Brubacker o herói estava perdido por ser um liberal numa era conservadora, onde muitos leitores queriam que ele socasse terroristas, mas os próprios autores sabiam que se fizessem isso poderiam manchar o personagem de forma indelével.
A solução de Brubacker foi trazer os velhos vilões como Caveira Vermelha, IMA, Hidra, Modok, Esmaga-Ossos, Irmã Pecado e os Hibernantes, mas com uma roupagem diferentes: finalmente definidos com os terroristas que são, afinal estamos falando de gente perigosa, apesar do visual outrora ridículo. O Caveira oportunamente virou o dono de uma grande corporação internacional, identificado assim esse tipo de empresa com o maior inimigo da liberdade e da democracia.
Mas quiseram os ventos do destino que a Marvel Comics fizesse o mega-crossover "Guerra Civil" onde os heróis da editora se enfrentam por causa de uma lei de registro. O Capitão América foi retratado de forma ótima como o defensor máximo da liberdade de opinião e de ação, mas o autor da história, Mark Millar, queria que a história retratasse os tempos então atuais, com a vitória dos republicanos, no caso representados pelo Homem de Ferro.
Brubacker estão teria que lidar com um Capitão América fugitivo das autoridades e inicialmente preso. Como ele estava fazendo a mesma coisa no Demolidor, provavelmente não queria se repetir. Ademais, muitos americanos consideravam Steve Rogers um traidor. Matá-lo seria uma boa forma de torná-lo um herói novamente, afinal todo mundo vira santo quando morre.
Assim, ao invés de apenas um evento de marketing, a Morte do Capitão América acabou virando uma grande história. São pouquíssimos os escritores que dentro de condições impostas, conseguem moldar as limitações em soluções criativas. Até mesmo a transformação de Bucky no novo Capitão, coisa que não me descia pela garganta quando ouvi a idéia pela primeira vez, acabou se tornando lógica a medida que a história se desenrolava.
O grande mérito de Brubacker é que ele não faz tramas fáceis. Reviravoltas, todas coerentes, são seu trunfo. Os personagens são sempre formidavelmente caracterizados, sejam heróis ou vilões. Eles não fazem o que o autor manda: são eles que conduzem a história. Assim quando você acha que sabe como as coisas vão acontecer, bom, você não sabe. Num meio tão repetitivo, onde o excesso de milhares de histórias já transformou quase tudo em clichê nas revistas de super-heróis, Brubacker consegue se sobressair pelo improviso e pela inovação.
Outro ponto positivo é a competente equipe de arte, onde se revezam Steve Epting, Lee Weeks e Jackson Guince. Não se trata apenas de ótimos desenhos, mas de um estilo adequado para as histórias do Capitão. Mesmo com os desenhistas mudando, o ritmo continua uniforme, sabemos se tratar do mesmo universo dos personagens.
Assim, se você tem algum preconceito besta por um cara que veste a bandeira americana como uniforme, dê uma chance a essas histórias. Por mais "anti-imperialistas" que alguns supostamente sejam, bom, você irá se surpreender o quanto você tem em comum com Steve Rogers. E se você somente está atrás de uma boa aventura, com doses cavalares de ação, drama, suspense e reviravoltas de tirar o fôlego, esse com certeza é o gibi!
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2 comentários:
Concordo plenamente Nano, o Brubaker conseguiu da rvida nova a um personagem com serios riscos de se perder no novo tempo sem precisar de pactos misticos, por exemplo.
Ainda deu credibilidade a um retorno de Bucky e seu novo posto de Capitão América. Confessoque desde a morte de Steve não li nada do Capitão, por coisas da vida (falta de grana para comprar a revista, preguiça de baixar depois de quase um ano perdido de história), fico esperando um dia sair um encadernado de tudo.
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